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	<title>Bruno Caseiro, Autor em Etaste</title>
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	<title>Bruno Caseiro, Autor em Etaste</title>
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		<title>#resistir Bruno Caseiro: Açambarcar a liberdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Caseiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2020 10:44:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Estamos rodeados de antíteses e paradoxos irónicos que nos deixam confusos e põem a descoberto a mais básica irracionalidade do ser humano, animal racional.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/bruno-caseiro-acambarcar-a-liberdade/">#resistir Bruno Caseiro: Açambarcar a liberdade</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sejamos francos, a liberdade devia vir com manual de instruções! Um candeeiro do IKEA onde a única coisa que há a fazer é enroscar o casquilho no abat-jour, 2 peças, 1 movimento, traz sempre, dentro da caixa que o contém, um pequeno livro de não menos que 3 ou 4 páginas a descrever ao pormenor como se deve proceder para que se faça luz. Então como é possível que algo tão infinitamente mais complexo, com um número tão maior de componentes, não traga instruções de montagem e utilização? De que estamos à espera quando ilustramos a nossa concepção do conceito com a recorrente frase “a minha liberdade termina onde a do outro começa”? O que é que isto quer dizer? Que optimismo ingénuo nos leva a crer que é possível entender o que é ser livre sem se estimular e educar a empatia? Como se pressupõe que uma sociedade egoísta compreenda e se reja por normas altruístas? A liberdade não é individual, não é “fazer o que eu quero”, não parte do próprio umbigo e é isso que a torna difícil de montar. </p>



<p>É certo que vivemos tempos complicados, descritos com recurso às mais variadas
figuras de estilo, algumas delas que desde os tempos das aulas de Português temos
dificuldade em interpretar. Estamos rodeados de antíteses e paradoxos irónicos que nos
deixam confusos e põem a descoberto a mais básica irracionalidade do ser humano,
animal racional. Não é óbvio para o Sr. Manel que esteja a ser livre quando se mantém
distante dos outros, quando limita as suas saídas de casa ao mínimo necessário, quando
não vai visitar a sua mãe ou avó que está num lar. Não é imediato para a D. Maria
entender que está a fazer pleno exercício da sua liberdade quando vê dois pacotes de
papel higiénico na prateleira do supermercado e resiste à tentação de meter ambos no
carrinho. Nem passa pela cabeça do editor do pasquim que pode estar a privar muitos
outros de serem livres quando difunde e propaga informações erradas, falsas ou
infundadas que perpetuam a ignorância e a tacanhez e levam a que se esgotem luvas,
máscaras, gel desinfectante e álcool etílico. Exige uma invulgar capacidade de supressão
do ego que um determinado governante se abstenha de racializar a causa da pandemia
e, dessa forma, evitar que se acrescente à já longa lista de estereótipos que uma
comunidade emigrante carrega num país que não é o seu, mais um, que restrinja só
mais um pouco a amplitude da sua liberdade.
</p>



<p>Está em curso o maior “dilema do prisioneiro” da história mais recente e todos nós estamos em jogo, dia após dia, tomando decisões que determinam quem perde, quem ganha, quem sofre, quem prospera. A história e a estatística confirmam a nossa ilógica tendência para a escolha do cenário menos favorável, em que uns ganham muito às custas das perdas dos outros. Entre ter um pouco menos para que os outros possam também beneficiar, ou ter tudo quando isso implica que os outros não tenham nada, escolhemos a segunda opção. Porque não acreditamos que os outros façam o esforço por nós. Porque somos cépticos em vez de crentes. Porque competimos em vez de colaborarmos. “A minha liberdade termina onde a do outro começa”. Como é que poderei saber onde isso é se não me dou ao trabalho de olhar para o lado e vivo a olhar para dentro? Como posso ser livre sem empatia? Não consigo! Então nego a existência do “outro” e açambarco a liberdade como se estivesse em ruptura de stock. </p>



<p>Há, no entanto, leves sinais de esperança na mudança. As crises têm esse condão, de no meio do caos propiciarem o restabelecimento da ordem. Aproveitemos todos então a oportunidade que o universo nos está a dar de nos redefinirmos como verdadeiramente livres sendo dependentes do outro, vinculados ao próximo, reféns do bem comum. </p>
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		<title>#resistir Bruno Caseiro: Longe da vista, longe do coração</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Caseiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2020 17:15:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antes de ser cozinheiro, fui psicólogo. Ao longo da minha licenciatura pude estudar várias dimensões do comportamento humano e, ao pensar sobre o texto que agora escrevo.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O meu nome é Bruno Caseiro, sou cozinheiro e tenho um restaurante, na Comporta. Como muitos outros, resolvi fechar as portas do meu estabelecimento, proactivamente, antes de qualquer deliberação nesse sentido por parte dos governantes deste país. Antes de me sentir em perigo, antes de haver qualquer caso registado no Alentejo. </p>



<p>O racional por trás da minha decisão foi só um, fazer a minha parte para parar, abrandar, estagnar a propagação de um vírus que já marcou de forma indelével o ano, o século. Um vírus que está presente em 180 países. Só faltam 15 para atingir os 195 países que existem no mundo. Menos do que aqueles que alguns de nós já terão visitado como turistas. </p>



<p>De acordo com algumas pesquisas que pude fazer, o primeiro caso atingiu
Portugal no dia 2 de Março. Há algumas dúvidas em relação a quando tudo começou na
China, mas terá sido algures entre final de Dezembro de 2019 ou início de Janeiro de
2020. A Organização Mundial de Saúde afirma que terá sido a 31 de Dezembro. Em
números redondos, quase 2 meses de diferença entre começarmos a perceber, pelas
notícias, a gravidade do assunto e sofrermos, na pele, o primeiro choque quando bateu
à nossa porta. Pelo meio, a 30 de Janeiro, este surto é declarado como uma Emergência
de Saúde Publica a nível mundial.
</p>



<p>Já se implementavam medidas sérias de isolamento e quarentena na China, os infectados já eram aos milhares, os mortos às centenas, quando na Europa e um pouco pelo resto do mundo se ouviam declarações de líderes que relativizavam, negligenciavam, recusavam a urgência do assunto e, inclusivamente, sobrestimavam a capacidade de controlar e impedir que nos seus respectivos países, o cenário se tornasse crítico. O problema estava longe, na “Conchichina”. Não havia razões para pânico. </p>



<p>Antes de ser cozinheiro, fui psicólogo. Ao longo da minha licenciatura pude
estudar várias dimensões do comportamento humano e, ao pensar sobre o texto que
agora escrevo, dos meus tempos de estudante vem-me à cabeça um autor, bastante
conhecido, Jean Piaget e a sua teoria sobre as fases do desenvolvimento intelectual. Não
querendo entrar em muitos detalhes vou focar-me apenas num exemplo que, creio eu,
ajuda a ilustrar o aspecto sobre o qual julgo que todos devemos pensar um pouco. Um
dos grandes saltos evolutivos ao longo do crescimento de um ser humano,
intelectualmente falando, é a mudança de um tipo de pensamento concreto para uma
capacidade de raciocínio abstracto. Até aos 2 anos de idade, em média, um bebé, ao
brincar com algo que de repente lhe cai das mãos e rola para debaixo de um sofá, saindo
do seu campo de visão, acredita que aquele objecto deixou de existir. Desapareceu. A
reacção imediata, na grande maioria das vezes, o choro. À medida que a criança cresce
adquire a capacidade de perceber que aquele objecto continua a existir mesmo que não
esteja à sua frente. Esta capacidade de pensar em abstracto é fulcral para muitos
aspectos do nosso desenvolvimento, sendo o principal a linguagem.
</p>



<p>O que é que isto quer dizer? Que aparentemente desde os 2 anos de idade que não há qualquer razão para acreditarmos que algo que não vemos, que não temos por perto, não nos pode afectar, não nos pode magoar, a nós ou aos que nos rodeiam. Quer dizer que, quando achamos que se está longe da vista é mais fácil que fique longe do coração também, prejudica-nos mais do que nos protege. Porque não somos invencíveis, não passamos pelos pingos da chuva. Lidarmos com os problemas em abstracto, assumirmos que nos vai “calhar” a nós, planear, prevenir, antecipar, pode evitar que soframos em concreto, com o que nos possa acontecer, a nós, aos nossos pais, filhos, avós ou amigos. </p>



<p>Ficar em casa, limitar interacções, fechar restaurantes? Ainda é preciso justificar porque é que isto é importante? É que isto até uma criança com pouco mais de 2 anos já é capaz de perceber.</p>



<p>*O autor não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico</p>
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