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	<title>Ricardo Komori, Autor em Etaste</title>
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	<title>Ricardo Komori, Autor em Etaste</title>
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		<title>Quando saí de Portugal, todos me perguntavam: &#8220;Porquê?&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Komori]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Feb 2017 12:40:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Japão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Seria a pergunta que mais ouvia dos outros e de mim. Estaria a fazer a melhor opção? Estaria eu no meu perfeito juízo, com 35 anos, estabelecido no meu país, e prestes a mudar a minha vida do avesso?</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/opiniao/ricardo-komori-porque/">Quando saí de Portugal, todos me perguntavam: &#8220;Porquê?&#8221;</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Seria a pergunta que mais ouvia dos outros e de mim. Estaria a fazer a melhor opção? Estaria eu no meu perfeito juízo, com 35 anos, estabelecido no meu país, e prestes a mudar a minha vida do avesso?</p>
<p>Escrevo agora, passado um ano e poucos meses sobre o que aconteceu, retornando ao primeiro local de trabalho que me acolheu. Pois é, venci na toca das feras e na dos leões &#8211; com todo o respeito, que, sobretudo aqui, se tem de ter. Pena que, pelo que conheço, seja só nesta geografia tão exemplar.</p>
<p>RÁPIDO, LIMPO, IGUAL. São as palavras chave para se vencer no Japão &#8211; e em qualquer lado que dignifique a profissão. Sim, são 12, 13, 15&#8230; 18 horas de trabalho diário de puro profissionalismo, num ambiente onde as pessoas se divertem a trabalhar, e onde também há espaço para a dita &#8221;galhofa&#8221; (a trabalhar). Sim, os tempos mudaram. Por aqui nem sempre foi assim. Para o que não há espaço? Falta de respeito pelo outro, desperdício alimentar e de tempo, falta de pontualidade (senão vais à &#8216;vending machine&#8217; buscar cafés para todos, ficas a afiar facas, podes desistir&#8230;). Estes são só alguns exemplos.</p>
<p>&#8220;Nunca desistas&#8221;, dizia o meu chefe Kinya Okubo enquanto eu levantava, pela nona vez, uma barra com 47 kg depois de 15 horas de trabalho intenso, numa das nossas sessões semanais de &#8220;levantar ferro&#8221; à porta do dormitório, com temperaturas negativas. Muito diferente do &#8216;scroll up and down&#8217; e dos &#8216;squats&#8217; de polegar no telemóvel, que é o que mais se vê hoje em dia, sobretudo nos mais novos.</p>
<p>Segredo: tentar o impossível para que o quase possível seja mais fácil e consigas superar as expectativas, tuas e as que os outros têm de ti.</p>
<p>Dificuldades? Podemos enumerar duas por agora.</p>
<p>A barreira linguística. Sem vencer esta, estás lixado. É um país onde cerca de 80% da população não fala inglês. Podes esquecer assumires tarefas de responsabilidade sem falares a língua. Felizmente, já vinha com bagagem para esta dificuldade e, passado um ano, até ao calão vou, só para pôr a cozinha toda a rir &#8211; que é um dos meus atributos, quem trabalhou comigo sabe como é.</p>
<p>O fator &#8216;gaijin&#8217; (estrangeiro). Com este ainda tenho problemas. Isto depende, sobretudo, da média de idades da equipa que integras. A mentalidade antiga ainda teima em ver na tua testa a frase: &#8220;Não sabe fazer&#8221;. O que pode levar a alguma frustração e insónias. O que não acontece em equipas mais jovens, em que a mentalidade é mais aberta.</p>
<p>Neste momento encontro-me a trabalhar no Ryokan Kozantei Ubuya. Diga-se, sem exageros, o melhor da zona de Yamanashi. Sempre com ocupação anual bem acima da média, com vista bastante privilegiada para o famoso Monte Fuji &#8211; que tenho o prazer de vislumbrar todos os dias e que, de certa forma, e de alguma maneira, me tem dado ajuda e força para superar as dificuldades e as saudades do meu país e dos meus familiares e amigos.</p>
<p>*<strong><a href="http://etaste.pt/videos/boca-mole-ricardo-mio-komori/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ricardo Komori</a></strong> trabalha no restaurante do hotel Kozantei Ubuya, em Yamanashi, Japão.</p>
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