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	<title>Álvaro Dâmaso, Autor em Etaste</title>
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	<title>Álvaro Dâmaso, Autor em Etaste</title>
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		<title>#resistir Álvaro Dâmaso: O Ser ou o Ter, eis a questão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Dâmaso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2020 11:30:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião #resistir]]></category>
		<category><![CDATA[Álvaro Damaso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ficaram separadas as famílias, os amigos nos quais se incluem os da onça. A comunicação à distância está assegurada e densificada, mas nenhuma tecnologia substitui o contato humano, os olhos nos olhos, a distância da mão que é capaz de semear.</p>
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<p>Em casa, resguardado, tenho tempo para muita outra coisa que a precedente normalidade quotidiana não me permitia. Por exemplo, já utilizo completamente e com eficiência o controlo remoto do televisor. Fantástico? Nada! Uma ninharia… porque os meus netos mais novos, com 30 meses de idade, já o usam com exemplar eficácia e quando não selecionam a imagem televisiva que esperam ver, primeiro observam o dispositivo durante uns segundos, depois gritam até que a desconformidade fique resolvida.</p>



<p>Com a disponibilidade revelada, num dos vários vídeos que recebo diariamente, encontrei um exercício académico muito interessante apesar de me parecer um <em>dejá vu</em>.&nbsp;</p>



<p>O professor entra na sala de aula com frasco na mão que o coloca em cima da sua mesa de trabalho e perante a perplexidade dos alunos, já numa fase avançada do secundário, enche o dito recipiente com bolas de golfe. Fica cheio, como reconhecem os discípulos. A seguir despeja no mesmo recipiente uma porção de gravilha que preenche os espaços ainda disponíveis. Fica de novo cheio, como reconhecem os alunos. Depois, vaza uns gramas de areia que ainda têm acomodação suficiente. E uma vez mais o frasco fica cheio, como reconhecem os discípulos já possuídos de irónica curiosidade. Por fim, tira da mochila, que traz consigo, duas garrafas de cerveja, abre uma delas e verte parte do seu conteúdo naquele enigmático frasco que fica então complemente cheio, como reconhecem os alunos sem conter o riso incrédulo. O professor explica a experiência. Este frasco representa a nossa vida: se a preenchemos primeiro com coisas de pouca importância, invertendo a sequência do exercício, não reservaremos lugar para as mais valiosas. Concordando e rindo, os alunos disparam a perguntam crítica: e qual é o significado da cerveja vertida? Resposta pronta. &#8211; Há sempre lugar para beber um copo de cerveja com os amigos.</p>



<p>Esta pandemia que nos atormenta, mais do que nenhuma outra na história da humanidade, mesmo considerando as outras causas da destruição massiva do homem conhecidas – pandemia, cataclismos naturais, guerra &#8211; determinou a suspensão em grande escala da vida humana em conjunto, operação mundial denominada&nbsp; “distanciamento social” onde <em>nem lugar há para tomar um copo de cerveja com um amigo e comentar o dia de trabalho num bar acolhedor</em>. A razão reside no facto de se conceder primazia absoluta à defesa da vida humana, o único valor social atendível em função do qual todos os demais ou o servem sem perigo ou são postergados sem apelo nem agravo.</p>



<p>A minha geração, aquela que comigo já perfez sete décadas, não tem experiência de tamanha provação global: a quase total suspensão do relacionamento humano. A política de proximidade que elegeu o atual Presidente da República também foi cerceada.&nbsp;</p>



<p>Ficaram vazios os salões, templos, hotéis, cafés, restaurantes, clubes, recintos desportivos, por fim, as praças e as ruas urbanas o mais recente símbolo da resistência ou desobediência civil. Ficaram separadas as famílias, os amigos nos quais se incluem os da onça. A comunicação à distância está assegurada e densificada, mas nenhuma tecnologia substitui o contato humano, os olhos nos olhos, a distância da mão que é capaz de semear. O teletrabalho funciona e alargar-se? O trabalho vem até nós. Não é, por enquanto, o mesmo que irmos ao trabalho e partilharmos os sucessos e insucessos no mesmo ambiente. A compensação pela suspensão do trabalho paga pela S.S. não tem o significado de um salário merecido e correspondente a tarefa executada.</p>



<p>À distância a verdade não é mesma, não tem o sabor da verdade comunicada e percecionada com todos os sentidos presentes.</p>



<p>Até quando as circunstâncias nos impedirão de tomar um copo de cerveja com os amigos?</p>



<p>Com que intensidade regressará a primazia do ter sobre o ser? Quem ou que ideologia estabelecerá o equilíbrio?&nbsp;</p>
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		<title>#resistir Álvaro Dâmaso: O demónio de três rabos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Dâmaso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Mar 2020 15:46:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião #resistir]]></category>
		<category><![CDATA[Álvaro Damaso]]></category>
		<category><![CDATA[banco]]></category>
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		<category><![CDATA[estado]]></category>
		<category><![CDATA[governo português]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pandemia Coronavírus está a gerar uma enorme perturbação no Mundo inteiro, cuja dimensão o medo de um futuro anormalmente difícil inibe de projetar.</p>
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<p>A pandemia Coronavírus está a gerar uma enorme perturbação no mundo inteiro, cuja dimensão o medo de um futuro anormalmente difícil inibe de projetar.</p>



<p>O modelo adotado por quase todos os Estados de combate a um vírus com enorme capacidade expansionista que não escolhe raça, cor da pele, sexo ou idade, desorganizou, sem desconstruir, o modo social de convivência do ser humano. Mas não só. Feriu, ainda não se sabe com que gravidade, o mais recente desenvolvimento desse modo conhecido por globalização que aproximou o Mundo de si próprio e originou o crescimento do PIB mundial.  </p>



<p>A estratégia de combate à enfermidade baseia-se essencialmente na imediata reversão do modo social de convivência pela aplicação duma determinação legal: afastamento social, reclusão familiar para isolamento, definição de serviços mínimos nacionais essenciais à defesa da vida. Assim, o efeito dizimador do vírus circunscrever-se-ia aos segmentos populacionais mais vulneráveis e seria retardada e condicionada a sua expansão. Não foi exatamente o que aconteceu, porque o vírus com enorme velocidade de transmissão a condizer com a era, foi mais rápido do que as medidas para o conter e suprimir bem como do que o próprio convencimento humano acerca do mal que o perseguia. <em>Não, não podia ser tão grave como estava a ser anunciado</em>… admitiram quase todos. Hoje mesmo, o mais arrependido deve ser o primeiro-ministro britânico.</p>



<p>Porém, a gravidade é bem maior porque há que contar com os efeitos sistémicos da pandemia: redução drástica da atividade económica (recessão), expansão da pobreza, da desigualdade decorrente do desemprego e do enfraquecimento da democracia (crise social).</p>



<p>São na realidade três crises mundiais que se conjugam sequencialmente: a sanitária, a económica e a sociopolítica.</p>



<p>A primeira terminará como outras epidemias ou pandemias precedentes bem conhecidas, cada vez menos infetados, menos vítimas e, por fim, doentes residuais. A segunda começará com um enorme rombo nas contas públicas, a que seguirão a quebra do PIB que significa quebra do rendimento nacional distribuído, a desagregação das empresas, as galopantes imparidades no sistema financeiro, o empobrecimento das famílias. A terceira é a inevitável consequência das anteriores.  </p>



<p>Nada que escrevo é novo. Nem novos são os remédios apropriados para as três crises. A vacina, a liquidez, os programas sociais. O mundo, mais cedo ou mais tarde, depois de chorados os mortos, esquecê-los-á; novas empresas e outras instituições financeiras surgirão, a pobreza não será extinta, a desigualdade permanecerá como dantes… apenas uma preocupação. Talvez seja recordado que durante o longo período de crise o beneficiário terá sido o clima.</p>



<p>A robustez e a eficácia do combate a essa perturbação global, porque o é como nunca foi, de que depende a rápida erradicação do <em>demónio de três rabos</em> que hoje nos persegue, pode ser conseguida rapidamente se as Nações cooperarem sem egoísmos nem preferência pela liquidez.</p>
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