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	<title>Filipa Gonçalves, Autor em Etaste</title>
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	<description>Um portal para todos os amantes e profissionais de gastronomia</description>
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	<title>Filipa Gonçalves, Autor em Etaste</title>
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		<title>Diamante negro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Filipa Gonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jun 2017 10:18:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[chocolate]]></category>
		<category><![CDATA[diamante negro]]></category>
		<category><![CDATA[filipa gonçalves]]></category>
		<category><![CDATA[pastelaria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O chocolate tem as suas histórias de amor, mas, infelizmente, ainda faz correr muito sangue, como se de um diamante se tratasse. O mundo da produção de chocolate é ainda muito sujo e a informação que nos chega nem é muito clara, nem abundante.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em tempos, <span class="_5yl5">Krishna, uma das divindades indianas, pregava: </span>&#8220;é a luxúria, nascida da paixão, que se transforma em ira quando insatisfeita. A luxúria é insaciável, e é um grande demónio”. Um pecado que abre a porta para tantos outros. Tenho a certeza! Não há elemento na cozinha mais libertino e com mais histórias que este. Foi, durante séculos &#8211; e em parte ainda é, &#8211; moeda de troca, símbolo de poder, de prazer e de escravatura. Falo do chocolate, claro!</p>
<p>Com algumas viagens “na mochila”, mais as que ainda vou fazendo procurando novidades culinárias, chego lentamente à conclusão que por mais que o pasteleiro se esforce para criar o éclair perfeito, ou o melhor pastel de nata do mundo, não há nada que substitua o prazer de comer um quadradinho de chocolate. O suave derreter na língua, o aroma e o doce que se apoderam de todas as nossas papilas gustativas explodem de prazer e satisfação na boca de quem o come.</p>
<p>A expansão do chocolate foi incrível. Penso que, hoje em dia, não se valoriza o chocolate como há 800 ou 1000 anos. Hoje é visto como um “mimo” e, antigamente, o chocolate sentava-se à mesa com reis, participava em sacrifícios humanos e fazia parte de decisões importantes. É impressionante o seu percurso até aos dias de hoje e a forma como o encontramos agora, sempre disponível, de todas as maneiras e feitios, carregados de açúcar. Tenho pena de já não se poder saborear o chocolate que preparavam os Aztecas: um aroma forte, de especiarias, com corpo, servido frio ou quente, e em momentos especiais.</p>
<p>Hoje “brinca-se” com chocolate, fazem-se esculturas, bombons, sobremesas complicadas e gelados deliciosos. Além disso tudo, também se desperdiça, e bastante!</p>
<p>O chocolate tem as suas histórias de amor, mas, infelizmente, ainda faz correr muito sangue, como se de um diamante se tratasse. O mundo da produção de chocolate é ainda muito sujo e a informação que nos chega nem é muito clara, nem abundante. Sabemos que algum vem da Costa do Marfim ou da América Central. Dizem-nos que não há escravatura, nem exploração infantil, mas nem tudo é um mar de rosas. A maior parte dos trabalhadores destas plantações não conhece o sabor de uma barra de chocolate ou sequer sabe o que fazemos com aquilo. Para eles, sabe mal que se farta!<br />
Vi, há uns tempos, um documentário que mostrava um desses indivíduos a provar um pedaço de uma barra de chocolate. Incrível o seu olhar de espanto e satisfação! Pôs-me a sorrir. Depois, triste ficou ao saber que o preço de uma barra daquelas era o equivalente a seis meses de trabalho. O chocolate tem mesmo de ser levado mais a sério!</p>
<p>Pelas ruas de Londres apercebo-me que não há sítio nenhum que não venda chocolates e 80% estão longe de serem chocolates bons e de qualidade.  Está na hora de nos tornarmos mais exigentes no palato&#8230;antes que o chocolate acabe!</p>
<p>*a autora não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico</p>
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		<title>Ponto de rebuçado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Filipa Gonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Apr 2017 16:20:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[ponto de rebuçado]]></category>
		<category><![CDATA[rebuçado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>E se a doçaria portuguesa for só ovos, açúcar e farinha? Eu ainda acho fascinante que assim seja! Que, com tão pouco, se consiga tanto! Bom, mas voltando lá atrás…</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>E se a doçaria portuguesa for só ovos, açúcar e farinha? Eu ainda acho fascinante que assim seja! Que, com tão pouco, se consiga tanto! Bom, mas voltando lá atrás…</p>
<p>O Pão-de-ló, é, na verdade, ovos, açúcar, farinha, assim como uma Genoise! Ovos, açúcar e farinha! Ao contrário do que o Sr. Giles Coren pensa, temos mais variedade de Pão-de-ló do que toda as “genoises&#8221; juntas.</p>
<p>E a Sericaia? Os alentejanos andam há séculos a fazer souflés sem saber! Talvez não tenha o mesmo acabamento de um chefe francês em Paris, mas é, sem dúvida, um finalizado carregado de orgulho e canela. Se a nossa visão de doçaria portuguesa for além dos “ovos, açúcar, etc” e estiver mais atenta à técnica, acho que nos surpreenderemos com as semelhanças que existem entre nós.</p>
<p>O pastel de nata, massa folhada esticada numa pequena forma de metal recheada com um creme de leite, tem uma confecção muito semelhante ao processo usado para esticar o sfogliatelle, um bolo folhado italiano recheado com ricota, açúcar, laranja cristalizada e canela em pó. Os discos de massa são esticados nas mãos em formato de cone. É depois recheado e posto num tabuleiro para cozer, criando pequenas bolsas de massa que, depois de folhada, são camadas de estimulação ao pasteleiro mais fanático. E, claro, o creme da nata põe os britânicos a salivar só de lhe sentir o cheiro! Em Inglaterra todos sabem que quem reina é o “Pudding” e de pudins percebemos nós ou não? Suspiros/meringues, maçapão/marzipan, queijadas/cheesecakes, pinhoadas/nougats, farófias/ile flottantes, queques/cupcakes, entre outros.</p>
<p>Na verdade, o que nos distingue das outras pastelarias a nível global são mesmo os ovos, o açúcar e o romance. É impressionante que com a alteração de temperatura e método se consegue fazer tanta coisa diferente! Quantos pontos de açúcar criaram as nossas queridas avós com todos aqueles nomes encantadores, só para poder fazer fios de ovos e deliciosos rebuçados de ovo de Portalegre? Pudins! Creme de ovos para os folhados e para as Bolas de Berlim! Bem vistas as coisas, estamos é muito à frente desta malta toda, porque para nós o ovo veio primeiro que a galinha. Assim como o Bartolomeu Dias disse adeus ao Adamastor à procura do mundo novo, temos de ultrapassar este medo de enfrentar as avós, dobrar as pérolas e as espadanas, tirar o azimute pelos centígrados e abrir a rota da doçaria portuguesa ao mundo.</p>
<p>Texto original publicado na INTER 253.</p>
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