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	<title>Filipe Almeida Santos, Autor em Etaste</title>
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	<description>Um portal para todos os amantes e profissionais de gastronomia</description>
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	<title>Filipe Almeida Santos, Autor em Etaste</title>
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		<title>#resistir em França Filipe Almeida Santos: Planos adiados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Filipe Almeida Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2020 09:38:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Diários #resistir]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diariamente chegam e-mails a cancelar reservas. Mas também a fazer novas demandas. É neste equilíbrio incerto entre incredulidade e optimismo que vive o sector. Impossível fazer planos, nos negócios como nas nossas vidas.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/resistir-em-franca-filipe-almeida-santos-planos-adiados/">#resistir em França Filipe Almeida Santos: Planos adiados</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>Regressei a França numa sexta-feira 13.<br>Na segunda-feira seguinte era dia de voltar ao trabalho: menus para preparar, testes para fazer, ideias para avaliar. O plano era reabrirmos o hotel e os restaurantes a 24 de Abril, seria um mês produtivo e em que daria para fazer tudo &#8220;comme il faut&#8221;. O meu sous-chef deveria chegar dia 1 de Abril e os commis no dia 15. O plano estava traçado.</p>



<p>No sábado, o primeiro-ministro francês anunciava o agravamento das medidas relativas ao covid-19: encerramento total dos estabelecimentos comerciais não essenciais (só ficavam abertos supermercados, farmácias, bancos e lojas de tabaco e jornais). Restaurantes só poderiam vender em take-away, ajuntamentos de mais de 100 pessoas completamente proibidos, o uso de transportes públicos deveria ser restringido ao estritamente necessário. As escolas, essas, já estavam fechadas.</p>



<p>Domingo: Na estação de Saint-Charles, em Marselha, os cafés estão todos fechados (e que falta me fazia um café, mesmo francês!). Mas a loja dos jornais estava aberta &#8211; e cheia de gente, que procurava um café ou um snack de última hora. A &#8220;real politik&#8221; é outra coisa.<br>Apanho o comboio e chego a Hyères, sem ter a certeza de que as ligações de barco para a ilha de Porquerolles estivessem a funcionar normalmente. Felizmente estavam e consigo chegar ao destino.</p>



<p>Terça-feira: O Presidente francês dirige-se aos seus compatriotas numa intervenção televisiva à hora do jantar. Quinze dias de quarentena obrigatória, as fronteiras encerradas, o anúncio dum pacote efectivo de protecção a quem se visse sem trabalho e que permitiria às empresas colocarem os seus trabalhadores em desemprego temporário (sem perda de rendimentos para eles), aliviando assim o peso que a perda de receitas por si só já acarretaria.</p>



<p>Afinal, não vamos abrir a 24 de Abril, vamos adiar para 15 de Maio. Toca a avisar as equipas que vão começar mais tarde. Mais tempo para testar mais coisas, penso eu. Pois seria, se conseguíssemos que nos viessem fazer entregas! Mais de metade dos fornecedores não o consegue fazer. Têm os seus trabalhadores em casa e os mínimos que conseguem cumprir destinam-se a hospitais, lares de idosos e outros lugares prioritários, que precisam de alimentar os seus.</p>



<p>Cada vez que saímos do hotel para ir ao supermercado local fazer algumas compras, temos de levar uma declaração para apresentar a alguma autoridade com quem nos cruzemos no caminho. Compromisso de honra em como só saímos para fazer compras de primeira necessidade.  No supermercado só podem estar quatro pessoas em simultâneo. Há fila. Para entrar, temos de calçar as luvas de látex que trouxemos do hotel. Ainda há papel higiénico, dois lombos de salmão congelado a 18 euros, um quilo de limões a 4 euros&#8230; não vai mal o negócio por aqui!</p>



<p>Apesar da quarentena, não me posso queixar. A paisagem é bonita, o tempo tem estado bom, temos um parque de 50 hectares onde podemos arejar. Só é pena que as praias, mesmo privadas, estejam interditadas neste período.</p>



<p>Então e vamos mesmo abrir a 15 de Maio? Ninguém sabe, mas também ninguém acredita que assim seja. Diariamente chegam e-mails a cancelar reservas. Mas também a fazer novas demandas. É neste equilíbrio incerto entre incredulidade e optimismo que vive o sector. Impossível fazer planos, nos negócios como nas nossas vidas.</p>



<p>Afligem-me os números, as meias-verdades que políticos em toda a parte vão contando aos seus cidadãos. Aflige-me poder estar doente, não ter sintomas, e não ter como o saber. Lembram-se do HIV? De como se apontava o dedo a quem se recusava testar, com medo de um resultado positivo, pondo assim em risco a sua saúde e a de terceiros? Pois, agora, são os testes que nos são recusados. Quando o maior perigo é o do aumento das cadeias de transmissão que leve ao total colapso dos sistemas de saúde e com isso podermos chegar aos 80% de população contaminada, haja quem consiga entender. A OMS também não entende. &#8220;Fiquem em casa que vai ficar tudo bem&#8221;.</p>



<p>Fiquemos então em casa. Nunca, como agora, houve tanto tempo para ler e fazer fichas técnicas.</p>
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		<title>Viagem pelo chocolate de São Tomé</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Filipe Almeida Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Aug 2018 10:07:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[áfrica]]></category>
		<category><![CDATA[chocolate]]></category>
		<category><![CDATA[filipe almeida santos]]></category>
		<category><![CDATA[pastelaria]]></category>
		<category><![CDATA[pasteleiro]]></category>
		<category><![CDATA[são tomé]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Filipe Almeida Santos é um pasteleiro experiente. Porém, nesta década e meia de profissão, nunca teve grande oportunidade de trabalhar aquele produto que sempre o fascinou: o chocolate. No final de 2017, África surgiu no horizonte e Filipe aproveitou.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Filipe Almeida Santos é um pasteleiro experiente. Porém, nesta década e meia de profissão, nunca teve grande oportunidade de trabalhar aquele produto que sempre o fascinou: o chocolate. No final de 2017, África surgiu no horizonte e Filipe aproveitou. Por lá, tem um papel ativo no processo de feitura do chocolate, controlando todas as suas etapas, do início ao fim.</strong></em></p>
<p>“Mas tu vais para Á<span id="eL_1_texto"><span class="FSG_erroOrtografico">frica</span></span>?”</p>
<p>Foram estas &#8211; mais coisa menos coisa &#8211; as reações dos amigos quando souberam que estava de partida para São Tomé. Eu compreendia-os muito bem, eu próprio me fazia a mesma pergunta mesmo após pesados os prós e os contras desta mudança. Só que era impossível resistir a um projeto com estas características e com estes objetivos. Foi pelo chocolate que cheguei à pastelaria. Foi em Óbidos, numa das primeiras edições do Festival do Chocolate, que descobri que gostava mesmo disto, embora nunca pensasse que esta viesse a ser um dia a minha profissão. Lembro-me de, mais do que ficar seduzido pelas esculturas de chocolate do Vítor Nunes e dos formandos da escola da Pontinha, ter ficado contagiado com a energia dum jovem pasteleiro que, ainda<em> <span id="eL_2_texto"><span class="FSG_erroOrtografico">commis</span></span></em>, se empenhava nas demonstrações em que participava. Era o Márcio Baltazar.</p>
<p>Passados quinze anos, depois de alguns anos a fazer pastelaria dentro e fora de Portugal, eis que me surge a oportunidade &#8211; irrecusável, direi &#8211; de poder FAZER chocolate. O projeto era aliciante, as condições de trabalho eram interessantes, a melhor tecnologia disponível, um investidor que nutria verdadeiro amor por este produto, a possibilidade de trabalhar numa lógica de “<span id="eL_3_texto"><span class="FSG_erroOrtografico">tree-to-bar</span></span>” uma vez que desde há alguns anos ele detinha a exploração agrícola de uma roça de cacau em São Tomé, a Roça Diogo Vaz. Os indicadores da qualidade da matéria-prima também eram bons: a produção acabava de obter a certificação BIO, um chocolate feito apenas com o cacau da plantação tinha ganho há menos dum ano uma medalha de ouro no <span id="eL_5_texto"><span class="FSG_erroOrtografico">Salon</span></span> <span id="eL_6_texto"><span class="FSG_erroOrtografico">du</span></span> <span id="eL_7_texto"><span class="FSG_erroOrtografico">Chocolat</span></span> de Paris. Pareciam estar reunidas as condições para deixar de encarar esta proposta como um risco (um risco também do preconceito sobre África e da sua falta de condições de vida, nomeadamente em termos de cuidados de saúde) e assumi-la como o que ela verdadeiramente é: uma grande oportunidade.</p>
<p>“Mas então vocês vão produzir chocolate em África?”</p>
<p>Um dos últimos a fazer-me esta pergunta foi o presidente da AICEP, aquando da visita do Presidente da Republica aqui a São Tomé, há alguns meses. De facto, produzir chocolate em África está longe de ser a opção mais óbvia, desde logo em termos da rentabilidade financeira do investimento, que fica largamente dependente duma sobrecarga logística muito maior do que se apenas nos limitássemos a exportar o cacau e o transformássemos na Europa (com implicações muito para além de meramente financeiras, não imaginam a “aventura” que é este porto de São Tomé…).</p>
<p><span style="font-weight: 400">Mas, convenhamos, essa é a prática corrente até ao momento, e que tem apenas alimentado as enormes desigualdades sociais entre quem, de facto, produz e quem especula sobre o trabalho árduo dos produtores. Essa foi uma das questões fundamentais para a decisão de fazer a transformação do cacau em chocolate aqui em África &#8211; a plantação sabe que tem sempre um cliente (a fábrica) que lhe compra o cacau a um preço acima da média e que não oscilará em função das vontades dos mercados internacionais; a fábrica tem sempre cacau disponível dum produtor exclusivo (a plantação) com quem pode trabalhar diretamente no terreno. Esta sim é a grande mais-valia dum projeto deste tipo: não estarmos condicionados apenas a produzir chocolate com cacau que outros plantaram/colheram/fermentaram/secaram mas podermos também ter um papel ativo em todo esse processo, seja na replantação de novas espécies que são mais raras, seja podendo experimentar outras formas e controlar mais exaustivamente os processos de fermentação, seja de otimizar os processos de secagem com vista à obtenção duma matéria-prima &#8211; e consequentemente dum produto de excelência. Por outro lado, esta estabilidade do preço do cacau permite que se paguem melhores salários e se recompense de melhor forma o trabalho árduo dos agricultores. E permite ainda uma outra coisa, que mesmo podendo ser considerada meramente simbólica me parece bastante relevante do ponto de vista emocional: fazer provar a quem produz o <span id="eL_1_texto"><span class="FSG_erroSintatico">cacau</span></span> <span id="eL_2_texto"><span class="FSG_erroSintatico">aquele</span></span> que será o resultado final do trabalho por eles iniciado.</span></p>
<p>Então e que sabores é que vais fazer?</p>
<p>Vou fazer &#8211; estou a fazer &#8211; chocolate com sabor a chocolate. A questão é que o sabor do chocolate vai muito para além do sabor que as grandes indústrias estandardizaram. Como no vinho, a matéria-prima é a mesma (no vinho as uvas, no chocolate o cacau); como no vinho a matéria-prima não é <span id="eL_3_texto"><span class="FSG_erroSintatico">toda a</span></span> <span id="eL_4_texto"><span class="FSG_erroSintatico">mesma</span></span> (as diversas castas de uvas, as diversas variedades de cacau). Mas como com qualquer alimento fermentado &#8211; olhe-se não apenas o vinho mas também o pão, o queijo, os iogurtes &#8211; o processo de tratamento da matéria-prima influencia diretamente o resultado e a qualidade do produto final. O que me interessa fazer &#8211; e o que já fazem outros projetos “<span id="eL_5_texto"><span class="FSG_erroOrtografico">tree-to-bar</span></span>”- é procurar nas matérias-primas e na forma como elas são trabalhadas os diferentes aromas/sabores dos chocolates que vamos apresentar aos nossos clientes. Se trabalhar com cacau de apenas uma única origem é redutor dessa gama de variedade de espécies e diferentes “<span id="eL_6_texto"><span class="FSG_erroOrtografico">terroirs</span></span>”, trabalhar ao lado e em conjunto com a plantação permite-me ter uma intervenção no tratamento do cacau (logo desde o momento que é colhido) que um projecto <i style="font-size: 16px;line-height: 1.5">“bean-to-bar”</i><span style="font-weight: 400"> não tem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Esta é, também, a grande magia deste projeto: poder trilhar caminhos que ainda não foram experimentados, errar certamente muitas vezes mas ter esperança em que, de vez em quando, seja agradavelmente surpreendido.</span></p>
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