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	<title>Marta Atram (Marta Almendra), Autor em Etaste</title>
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	<title>Marta Atram (Marta Almendra), Autor em Etaste</title>
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		<title>Marta Almendra: Diz-lhes que lutarei nem que a luta me mate</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marta Atram (Marta Almendra)]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2020 18:12:33 +0000</pubDate>
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<p><em>“Este apartamento não é assim tão pequeno. Basta-me imaginar que é grande. Basta-me cerrar um bocadinho os olhos para que ele cresça. E esta fresta de luz pode ser o sol inteiro, se eu quiser que assim seja. Posso ter o sol inteiro a aquecer-me a alma. Mesmo na noite, posso ter o sol inteiro para mim. Estou num espaço imenso. Corro. Centenas de braços que abraçam os meus. Centenas de amigos, de família, todos à minha volta. E eu à volta de todos. Não tenho medo. Não tenho medo. Não me conseguem tirar este mundo meu do pensamento. Não me conseguem matar o pensamento. Eu tenho o olhar que vai mais longe e que se cruza com o olhar de quem vê o longe como eu vejo. Podem afastar-me do mundo. Podem pensar que me torturam. Eu estou aqui. Eu estou aqui. Tão perto da liberdade. Tão perto de ti. À minha volta não existem estas paredes. Só este mar de gente. Sem abandono. Cerro os olhos e vejo o mundo como eu sei que ele será um dia. Basta-me cerrar um bocadinho os olhos para estar fora deste apartamento. Estou mesmo à vossa frente. Passo por vocês. Procuro a notícia da revolução no jornal que está pousado na vossa secretária. Vejo-vos pegar na argola de chaves que está pendurada na parede. Retiram as máscaras que vos escondem o rosto, e abrem as nossas celas, uma por uma. Trocamos sorrisos e abraçamo-nos vitoriosos. Um a um. Sairemos todos juntos por aquela porta. Lá fora, espera-nos um outro mundo.”</em> <br><br>(Marta Almendra, adaptação de um excerto do texto da mesma, Diz-lhes que não falarei nem que me matem, 2012)</p>



<p>Para vocês, que (todos) os dias trabalham por uma nova revolução, para que possamos (todos), num dia próximo de liberdade, estar de volta a uma mesa, junto daqueles que amamos.</p>



<p>Obrigada Vasco, Marco, Tânia, Filipa, Pedro, Renata, António, Nuno, Ricardo, Joana Marta, Cristóvão, e de todos os portugueses.</p>
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		<title>#resistir Marta Almendra: Domingo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marta Atram (Marta Almendra)]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 17:33:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Já odiei domingos, aqueles que vinham antes das segundas, mas desde há uns anos para cá que os adoro: acordar tarde, todos em casa, tomar dois cafés sozinha na rua, ler, almoço sem horário, copo com a irmã ao final da tarde.</p>
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<p>Hoje acordei tarde.  </p>



<p>É domingo.  </p>



<p>Tem sido sempre domingo, nos últimos dias.  </p>



<p>Já odiei domingos, aqueles que vinham antes das segundas, mas desde há uns anos para cá que os adoro: acordar tarde, todos em casa, tomar dois cafés sozinha na rua, ler, almoço sem horário, copo com irmã ao final da tarde, jantar de família com filhos, pais, irmãos, o meu amor, a certeza de que estamos vivos e de que somos amados, a preparação para a segunda, o sofá e a televisão, cinco minutos até adormecer.  </p>



<p>Gosto de domingos desde que trabalho em restauração. Escolhi o domingo porque queria ultrapassar a angústia que este dia me provocava quando não sabia o que era ter um restaurante. Podia ter escolhido a segunda, a terça, ou a quarta, nunca a sexta, ou sábado. Ao domingo à noite os próprios restaurantes estão meio cheios de uma, também, espécie de paz. Para quem come e para quem serve. Não há, por norma, conjuntos de pessoas barulhentas a começar uma noite de diversão, não há grupos de trabalho onde a formalidade impera, não há aniversários nem pedidos de casamento e, muito importante, não há despedidas de solteiro. As portas fecham mais cedo, porque as pessoas se estão a preparar para a semana que se segue. Os copeiros, os cozinheiros, os empregados de mesa, todos tem ainda um pouco de tempo para o sofá, antes da cama. Ou tempo para a cama, no sofá.</p>



<p>Aos domingos não quero restaurantes. Nem os meus, nem os dos outros, quero a comida do meu pai. Os assados no forno. A massa com carne.</p>



<p>Aos domingos há uma espécie de paz, um não servir os outros, um servir-nos a nós próprios e aos nossos.</p>



<p>Desde que a nossa vida se transformou em ficção tenho feito todos os esforços para não voltar a sentir a angústia do domingo. Estes domingos repetidos, agora sem o meu momento de café na rua, sem o copo ao final da tarde, sem o jantar em casa dos pais, sem as conversas com os irmãos. Sem o sabor da massa com carne do pai.</p>



<p>A verdade é que desde que todos os dias são domingo, desejo que voltem a existir segundas, terças, quartas, quintas e sobretudo sextas e sábados, salas de comida cheias de pessoas a falar alto e a rir, parabéns a você nesta data querida, mas acima de tudo…“lodo”. Do forte e do bom, como só conhece quem passa os dias da semana a servir momentos de refeição aos outros, para poder descansar no seu domingo, seja este que dia da semana for.</p>
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