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	<title>Crítica Gastronómica Arquivos - Etaste</title>
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	<title>Crítica Gastronómica Arquivos - Etaste</title>
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		<title>Aconchego Carioca &#8211; Bairro do Avillez</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Feb 2020 17:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crítica Gastronómica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Também se come com os olhos, e agora também pelos ouvidos. Luís Antunes rumou até ao Bairro do Avillez para provar o seu Aconchego Carioca em formato pop up, em Lisboa.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/critica-gastronomica/critica-gastronomica-aconchego-carioca-bairro-do-avillez/">Aconchego Carioca &#8211; Bairro do Avillez</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Também se come com os olhos, e agora também pelos ouvidos. A carioca Kátia Barbosa chegou a Lisboa com a sua filha Bianca, pela mão do activíssimo chefe de cozinha e empresário José Avillez. Luís Antunes rumou até ao Bairro do Avillez para provar o seu Aconchego Carioca em formato pop up, em Lisboa.</strong></p>


<div style="padding: 10px; background: #F3F3F3; width: 50%; float: right; margin-left: 20px; margin-bottom: 20px;">
<p style="color: #00c6a5;"><strong>Contactos:</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.bairrodoavillez.pt/pt/aconchego.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Aconchego Carioca &#8211; Bairro do Avillez </a> </strong><br><strong>Morada: </strong>Bairro do Avillez. <span class="LrzXr">Rua Nova da Trindade, 18. Lisboa.</span><br><strong>Telefone:</strong> <span class="LrzXr zdqRlf kno-fv">215 </span><span class="LrzXr zdqRlf kno-fv">830 290</span><br><strong>Horário: </strong>Aberto de terça a sexta das 19h às 00h. Sábado do 12h30 às 17h.</p>
</div>


<p>Recebi o <em>press release</em> e logo apontei a agenda para o andar de cima do Bairro do Avillez, ali à Trindade. Rezava o documento de muitas bondades que activaram a salivação saudosa do Rio de Janeiro, mas também dos muitos amigos brasileiros que ao longo das décadas tiveram a gentileza de me convidar e dar a conhecer a versão caseira de uma cozinha onde a inspiração vem claramente do mosaico que compõe o Brasil, e onde a cor-Portugal tem o seu lugar de mérito. Em particular, na feijoada.</p>



<p>Dias passados, foram os ouvidos a lembrar-me do assunto. A chefe Kátia e a sua filha Bianca levaram o seu sotaque quente e gingado até mim via rádio. Mais uma inundação salivar, que dessa vez não passou adiante. Nessa mesma noite instalei-me no primeiro andar do Bairro para o menu fixo (30€ incluindo caipirinha, água e café).</p>



<p>Este menu de jantar fica até 14 de Março, sendo que ao Sábado ao almoço há um buffet de feijoada. Descrevo então a função, para convidar os leitores a irem provar por si mesmos e validarem memórias, ou criarem memórias novas.</p>



<p>Chegou primeiro a caipirinha dita “carioquíssima.” Achei estranho que viesse com quatro grandes cubos de gelo em vez do usual gelo picado, e logo me interessei: “então esta é que é a verdadeira? Pensava que era com gelo picado.” O empregado explicou-me que “bem, talvez, não sei, nós chamámos a esta carioquíssima, por isso fazemos como achamos melhor.” Não me convenceu. Continuo a achar que a correcta seria feita com gelo picado, um nome como carioquíssima só poderia adicionar à sua autenticidade, não conferir aos seus autores a liberdade para fazer o que quisessem. Ponto negativo, aliás, nêgatxivo. Também por ter um açúcar dissolvido às pressas. Logo a seguir compensaram-me, com uma cesta que incluía pão de queijo (bom), biscoitos de polvilho (amido de mandioca, bem leves e estaladiços), pipocas salgadas (boas) e torresmos (excelentes, muito secos). Vinha ainda uma pequena taça de manteiga, cuja finalidade me ultrapassava. Tentei com o polvilho, com as pipocas, fiquei sem perceber.</p>



<p>As entradas eram entusiasmantes, em particular pela pompa (hype) anunciada na ementa em torno do bolinho de feijoada, talvez a criação mais badalada da chefe Kátia. Por isso deixei esse para o fim. Provei primeiro o bolinho de abóbora com carne seca, muito saboroso e texturado, com panado e fritura impecável, fui até às praias cariocas com a casquinha de caranguejo, um salteado saboroso de caranguejo de casca mole com temperos, acompanhado por uma farofa a lembrar a areia molhada da praia, muito saborosa, bem aberta e temperada, depois uma almofadinha de queijo coalho, requeijão cremoso e ervas (como um clássico pastel de queijo, mas com mais enredo), a seguir o pastel recheado com costela bovina, um pastelinho de massa de trigo com o recheio saboroso a revelar texturas misturadas da carne, entre a maciez do estufado e a resistência das fibras do músculo do peito, fantástico. Terminei com o bolinho de feijoada. Para deleite dos ouvidos, leiam a descrição do menu em voz alta e com sotaque carioca, mesmo que seja extraído das novelas: “Campeão! Famoso! O cara! Rei da copa” o carro chef! Dispensa apresentações:” E a bolinha de feijoada panada é comida, estaladiça e saborosa, com o interior a desfazer-se em feijão cremoso e saboroso, a batidinha de limão (com cachaça) a acompanhar e incendiar a alma. Muito bom, mas poderia ser para continuar, já que um sabe a pouco. Fica a saudade da feijoada, que pode ser degustada aos Sábados aqui mesmo, mas aí na versão completa. Terminamos as entradas.</p>



<p>Vamos então aos principais. Começamos com bobó de camarão, ou seja, camarão de porte médio refogado em leite de coco e mandioca, servido com arroz branco e farofa de dendê. O molho que costuma ser leve e saboroso, aqui é rico e cremoso, com algum peso enfarinhado da mandioca e uma boa profundidade, bem pontuada pelo sabor e textura da farofa. Um prato substancial, mas eu teria gostado de mais leveza e um tempero mais exuberante, tropical.</p>



<p>O esperado baião de dois é um prato tradicional brasileiro, um arroz para o malandrinho, com feijão de corda (a lembrar o catarino), bacon, linguiça e ervas aromáticas. Aberto no ponto, acompanha uma travessa com carne de sol (ou seca, nunca é clara diferença) grelhada no ponto, aipim (mandioca) frito, e uma cebolada por cima. Para mim faltou alguma integração a este conjunto, a cebola foi feita à parte, a carne com aipim não jogava com o arroz, que se fosse um pouco mais rico poderia ter sido um prato só por si. Além disso, havia um pouco de peso de gordura na carne com cebola. A própria carne, sem dúvida resultado do processo de maturação, tinha uma textura a puxar para o bife de atum, ou seja, perdia algo da sua própria textura. Não sei se é comum grelhar esta carne, mas não me pareceu de todo uma boa opção.</p>



<p>No final, Romeu e Julieta, versão brasileira, ou seja, Queijo Minas com goiabada cremosa, com o queijo a aparecer em palitos grossos fritos. Mais uma vez, há aqui um peso excessivo e um sabor forte da cura do queijo. Para terminar, pudim de cachaça, um pudim de tapioca e leite de coco com calda de melado e cachaça envelhecida. O tamanho individual pequeno era bom para o final desta refeição que já vai longa, mas talvez roube um pouco das texturas que um pudim maior teria, e penso que o sabor alcoólico da cachaça marcava muito a sobremesa, mas não era defeito, era feitio.</p>



<p>Em suma, estes sabores do Brasil trazem saudades, em particular dos botecos do Rio, com o seu jeito gingão, despretensioso, uma simplicidade que aqui encontra bom rigor, nem sempre sofisticação, mas não perde o tom de saciedade farta que é devido à cidade frenética, suas praias e morros.<br><br>*O autor não escreve ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico</p>
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		<title>Bartolomeu Bistro &#038; Wine</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Russell-Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Dec 2019 09:00:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crítica Gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[bartolomeu bistro & wine]]></category>
		<category><![CDATA[bartolomeu restaurante]]></category>
		<category><![CDATA[Nuno Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[paulo russell-pinto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paulo Russell-Pinto visitou o Bartolomeu Bistro &amp; Wine e surpreendeu-se com a qualidade da sua oferta gastronómica.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/critica-gastronomica/critica-gastronomica-bartolomeu-bistro-wine/">Bartolomeu Bistro &#038; Wine</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Paulo Russell-Pinto visitou o Bartolomeu Bistro &amp; Wine e surpreendeu-se com a qualidade da sua oferta gastronómica. Localizado na Ribeira do Porto, o espaço vistoso não compromete a identidade gastronómica nacional.</strong></p>


<div style="padding: 10px; background: #F3F3F3; width: 50%; float: right; margin-left: 20px; margin-bottom: 20px;">
<p style="color: #00c6a5;"><strong>Contactos:</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.bartolomeu.com.pt" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Bartolomeu Bistro &amp; Wine</a> </strong><br><strong>Morada: </strong><span class="LrzXr">Rua Mouzinho da Silveira, 228. Porto.</span><br><strong>Telefone:</strong> <span class="LrzXr zdqRlf kno-fv">226 </span><span class="LrzXr zdqRlf kno-fv">090 003</span><br><strong>Horário: </strong>Aberto todos os dias das 12h30 às 00h.</p>
</div>


<p>O buliço que a Ribeira do Porto ficou sujeita com o crescimento do turismo fez com que se multiplicasse a oferta gastronómica na zona com a abertura de vários espaços entre a estação de São Bento e a ponte Luiz I, vulgo, Dom Luís. Todas estas novidades serão bem-intencionadas, mas o Porto não é diferente de outros locais onde a gentrificação avança: Sacrifica-se um pouco a identidade e surgem locais mais “<em>clean</em>”, vistosos aos olhos dos turistas, mas também desfasados da realidade, caros e comprometendo a identidade gastronómica nacional.  </p>



<p>Por outro lado, parece haver quem prefira não comprometer a gastronomia portuguesa e se preocupe em fazer pratos com criatividade e sabor em simultâneo, e é isso que importa. É o caso do Bartolomeu Bistro &amp; Wine, instalado num salão burguês de um prédio recuperado para uma <em>guest house</em> de luxo, de pé direito alto e decoração colonial moderna, cores quentes, grandes janelas e muito confortável.   </p>



<p>Centrada a oferta numa lista curta, mas ambiciosa, de pratos pequenos, a atração começa pela <strong>sopa de melão com hortelã e presunto</strong>, apurada com vinho do Porto, densa, com a presença do fruto no sabor e alternada pela crocância de um bom presunto, seco e bom de sal. Ou a <strong>tosta de <em>chevre </em>com pistácio</strong>, servida quente e num pão neutro de base densa, onde a intensidade do queijo e do mel combinam muitíssimo bem. A <strong>salada de cogumelos, cevada e espinafres</strong>, semelhante a um cevadotto que veio no ponto, a prevalecer o amido e a sua textura cremosa, misturado com cogumelos e equilibrado com texturas angulosas dos frutos secos partidos. Todo um prato de grande persistência na boca. O <strong>tártaro de carne</strong>, clássico da restauração, servido com maionese de alho e tostas, proposto a partir de uma carne finamente cortada e bem temperada, em que o final ácido da cebola e dos outros temperos fazem-me viajar para o norte da Europa. Com um final muito prolongado, exige um vinho à altura para harmonizar todos os sabores! Também há um <strong>de atum</strong>, que chegou à temperatura ambiente e deveria ter chegado mais fresco. Um piscar de olhos ao <em>sashimi</em> por causa do molho à base de soja numa marinada de pedaços grandes. E a maionese de rabano que ajuda a equilibrar um prato de sabores fortes. Neste tártaro, o risco e a ousadia dão frutos!  </p>



<p>A <strong>cavala curada</strong> é um prato desafiante. Cura a deixar a carne firme, comido sozinho parece prevalecer sobre tudo. Mas misturado com a saladinha que está por baixo do peixe, tudo se equilibra. Esta saladinha tem um final de gengibre que ajuda, e muito bem, a cortar com a intensidade da proteína. Tem de se gostar, mas é um prato muito bem conseguido. O <strong>ovo a baixa temperatura</strong>, fluído, servido com cogumelo firme, cebolada com toque doce, deixando o final fresco e leve. Tudo misturado, resulta num prato completo e com várias texturas.  </p>



<p>Mas o prato surpreendente que valeu as minhas visitas, pela sua simplicidade, é o saboroso e complexo <strong>crepe de alfarroba. </strong>Uma folha de farinha leve e escura com recheio magnífico à base de bacon na cura certa, legumes e creme. Prevalece a delicada mistura de sabores dada pelos ingredientes escolhidos, que leva a um final prolongado e apetitoso. E vontade de pedir mais, sim!</p>



<p>Nos vinhos, o lado “wine” do nome do restaurante, a lista é variada, cobre várias regiões de Portugal e pode oferecer ao cliente interessado uma boa viagem pelo nosso país vinícola.  </p>



<p>Arriscando sabores contrastantes, a cozinha do Bartolomeu soube sempre apresentar pratos equilibrados e cheios de sabor que, não sendo intimamente portugueses (nem creio pretenderem ser), sabem dar ao cliente a sensação de conforto e prazer que precisa para o resto da visita ao centro histórico do Porto.<br> </p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/critica-gastronomica/critica-gastronomica-bartolomeu-bistro-wine/">Bartolomeu Bistro &#038; Wine</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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		<title>À-do-João</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2019 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crítica Gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[à do joao]]></category>
		<category><![CDATA[comida algarvia]]></category>
		<category><![CDATA[critica gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[farol]]></category>
		<category><![CDATA[ilha do farol]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Antunes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mesmo de férias na Ilha do Farol, no Algarve, Luís Antunes vestiu o papel de crítico e analisou ao pormenor a carta do restaurante À-do-João. Como é hábito, experimentou várias iguarias e no final saiu um veredicto.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/critica-gastronomica/critica-gastronomica-a-do-joao/">À-do-João</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Mesmo de férias na Ilha do Farol, no Algarve, Luís Antunes vestiu o papel de crítico e analisou ao pormenor a carta do restaurante À-do-João. Como é hábito, experimentou várias iguarias e no final saiu um veredicto.</strong></p>
<div style="padding: 10px; background: #F3F3F3; width: 50%; float: right; margin-left: 20px; margin-bottom: 20px;">
<p style="color: #00c6a5;"><strong>Contactos:</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.adojoao.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">À-do-João</a> </strong><br />
<strong>Morada: </strong><span class="LrzXr">Ilha do Farol, Faro.</span><br />
<strong>Telefone:</strong> <span class="LrzXr zdqRlf kno-fv">289</span><span class="LrzXr zdqRlf kno-fv">714 209</span><br />
<strong>Horário: </strong>Aberto todos os dias das 8h às 00h.</p>
</div>
<div>
<p>Começa pelo acolhimento, em particular o facto de não fazerem cara feia aos turistas abandonados pela sorte, e que não conseguem encontrar energia eléctrica para carregar os seus telemóveis e demais gadgets.</p>
<p>Parece coisa pouca, já que os ilhéus têm fama de se entreajudarem uns aos outros. Mas estes são ilhéus de fim-de-semana, e os outros só aparecem uma vez por ano. Assim, é muito bem-vindo sorriso e o “com todo gosto” genuíno com o que a mão estendida recebe a aparelhagem.</p>
<p>Depois, é devida a forte nota às batatas fritas. Numa nação onde as pré-fritas e congeladas derrotaram todos os ânimos, ver chegar uma travessa fumegante de batatas fritas em palitos longos e ligeiramente finos, amarelinhas de boa e completa fritura, crocantes e saborosas, salgadinhas no ponto, e ainda sem quaisquer adições de ervas ou outros decorativos e adicionantes é, diga-se sem pudor, um evento notável. O cliente amável pode mencionar o facto, e apreciar os empregados simpáticos a empertigarem-se um pouco, encher o peito e o sorriso, respirar fundo orgulhosos da casa que representam, e talvez façam um comentário do género “é verdade, são boas, há muita gente a apanhar o barco só para vir comer as batatas fritas.”</p>
<p>Estamos na Ilha do Farol e não somos 5, a ponta mais a Sul de Portugal continental, um banco de areia enorme, pontuado pelo Farol de Santa Maria, que do alto dos seus 46 metros de altura avisa à navegação da entrada da Ria Formosa. A desventura das ilegalidades tornou as férias um deserto de energia e água corrente, o que levou entre outras coisas à exploração quase exaustiva da ementa deste À-do-João, com o “à-do” olhanense a adquirir aqui nesta ponta-sul um significado de “chez”. Esqueçamos então a declamação e vamos à enumeração das razões sólidas que me fazem recomendar este cantinho de boa gente e boa comida.</p>
<p>Logo na chegada, belíssimas cenouras curtidas à algarvia, com o mau gosto de as misturarem com azeitonas. Mas pronto, pescando as cenouras de dentro do azeite generoso, elas oferecem-se crocantes, com acidez a estalar no dente, o pão de miolo denso é bom e o azeite também. A lista é profusa e ao longo dos dias pude explorá-la quase toda. Obrigatórias são as batatas fritas, sejam como acompanhamento dos pratos sejam pedidas para ir debicando enquanto esperamos pelas outras bondades.</p>
<p>Lingueirão à Bulhão Pato. Brilhante! Como é que eu nunca tinha comido isto antes?! Não simpatizo muito com o arroz de lingueirão, acho sempre um má ideia desde que provei o lingueirão nas Rias Baixas, feito simplesmente numa grelha de ferro fundido com azeite e muito limão, fazendo-nos querer lamber cada concha antes de a pôr de parte. O Bulhão Pato, uma coisa que agora parece tão óbvia como o ovo de Colombo, é uma receita à altura da opção galega, e faz o arroz de lingueirão daqui em diante parecer não só uma má ideia como um desperdício de lingueirão. Provei o arroz, diga-se, e sendo saboroso pareceu-me que tinha sido servido antes de o arroz estar completamente aberto, o que lhe dava um pouco de coração. É normal, ante a fome dos comensais, aguçada pelas actividades da praia, mas, tenho que dizê-lo sub-óptimo.</p>
<p>Provei vários cortes de carne grelhada, fossem febras ou costela de porco, bifes de novilho, etc. Sempre feito com competência e as batatas fritas a deitar a sua luz, também acompanhadas por uma salada mista simples mas muito bem-feita, com os produtos locais a brilhar alto pela sua simplicidade e frescura.</p>
<p>Lulas grelhadas podem ser uma coisa muito boa ou muito média. Aqui são excepcionais, juntando o estaladiço exterior de sabor quase caramelizado pelo calor, onde a ponta de sal ajuda ao equilíbrio, e o interior suculento, de textura suave e sedosa, húmida e saborosa, oferecendo ao dente múltiplas resistências que se resolvem enquanto os sabores se misturam.</p>
<p>As ovas de choco são também recomendáveis, como o são também as amêijoas ou conquilhas, ostras, salada de bacalhau com grão, ou o notável escabeche de chicharro. Tal como muito recomendável é o peixe grelhado, ou não fosse este um destino de praia. Peixes fresquíssimos e de porte adequado ao tamanho da mesa são tratados com desvelo na grelha exterior. No caso, houve mesa para uma dourada com quase 4 quilos, que uma mesa grande soube desmanchar, distribuir e deglutir, com paciência e atenção aos detalhes. O acompanhamento são excelentes batatas, muito bem cozidas com a pele. Escalar ou não é uma opção do comensal, mas qualquer das opções é bem executada pelos homens da grelha, para um prazer estival de requinte e volúpia.</p>
<p>O capítulo sobremesas está bem servido de doces tradicionais e também regionais, e ainda frutas frescas e gelados. A lista de vinhos não é muito extensa mas tem o suficiente para agradar a todos, e os vinhos são bem tratados em termos de temperaturas, mas os copos poderiam ser melhores.</p>
<p>Resta o preço, que é do lado do alto, mas acontece que aqui na Ilha tudo tem um preço mais alto, uma pessoa habitua-se, são férias, é só hoje, ou só esta semana, e tudo é compensado pela simpatia do pessoal da casa, pelo carinho com que nos acolhem e pelo sorriso com que nos vêem regressar.</p>
<p>*O autor não escreve ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico</p>
</div>
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		<title>Treze %</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Russell-Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Nov 2019 13:09:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crítica Gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[13%]]></category>
		<category><![CDATA[critica gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[foz do douro]]></category>
		<category><![CDATA[onde comer no porto]]></category>
		<category><![CDATA[paulo russell-pinto]]></category>
		<category><![CDATA[porto]]></category>
		<category><![CDATA[restaurantes]]></category>
		<category><![CDATA[restaurantes no porto]]></category>
		<category><![CDATA[treze]]></category>
		<category><![CDATA[treze porcento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paulo Russell-Pinto visitou o Treze %, um restaurante que pertence a dois irmãos, localizado na Foz do Douro, e que transpira familiaridade.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Paulo Russell-Pinto encontrou conforto fora de casa na Foz do Douro, no Porto, no restaurante Treze</strong> %, <strong>onde o espaço é familiar e a comida mostra-se acolhedora e com os sabores certos.</strong></p>



<p>Na Foz do Douro há um restaurante que é triplamente familiar. Primeiro, porque é gerido por dois irmãos, depois porque a comida é familiar e informal e finalmente porque se vê muitas famílias sentadas nos seus lugares: pais, mães, filhos pequenos e grandes, avós, tios e primos. E amigos. Num “bairro” do Porto com uma fortíssima composição residencial, este restaurante parece ser um lugar de encontro das famílias que comem cada vez menos em casa mas procuram lugares confortáveis para conviver.</p>



<p>“Treze %”
parece vir do <em>statement</em> da restauração dos tempos da troika
(foi nessa altura que abriu), altura em que se reivindicava o IVA na
restauração a esse valor quando este tinha passado para 23, como os
outros serviços prestados. Os clientes deixaram cair o “por cento”
e apelidam carinhosamente o espaço como “o treze”.</p>



<p>Instalado num
espaço comprido de uma loja de um prédio, é composto por três
partes, sendo que o último terço é um jardim com um quadro preto
onde é frequente ver as crianças a brincar enquanto as suas mesas
esperam pela comida. Os outros dois são um pátio fechado onde se
servem as refeições e o mais perto da entrada e da cozinha, a sala
de jantar propriamente dita. Tudo decorado em tons claros e
iluminados e madeiras de tons leves.</p>



<p>A refeição pode começar por umas <strong>setas douradas</strong>, cogumelos bem grelhados e depois temperados com flor de sal e que chegam quentes, cremosos e com as pontas crocantes. Uma combinação para fazer abrir o apetite. Os<strong> ovos rotos</strong> têm umas batatas estaladiças, um ovo mal frito que envolve as ditas e um presunto de grande qualidade por cima. O presunto pode também ser pedido como entrada à parte e nunca falha. Fatiado fino e saboroso. Já tenho escrito noutros textos que a qualidade dos presuntos servidos em Portugal é inconsistente, pelo que é bom saber que o Treze % se preocupa com o que serve.</p>



<p>Nos pratos principais destaca-se o <strong>rosbife</strong>, vermelho no seu interior, fatiado muito fino e servido com molho de carne e mostarda, que acrescenta a complexidade desejada a este clássico. O molho ainda pode servir para molhar a batata palha, de tão intenso que é. A <strong>coxa de pato confitada </strong>apresenta-se dourada e doce, porque é servida com um molho de laranja que ajuda a quebrar os sabores fortes da confitura, resultando num bom equilíbrio final. Também veio um <strong>folhado de aves</strong>, que pedi com arroz branco e salada e se revelou complexo de sabores e com a massa estaladiça e seca, como se pretende. Nas carnes, ainda houve espaço para um <strong>costoletão</strong>, que provém de vaca velha (mas não maturada) e que foi servido mal passado. Resultou numa textura densa e apaixonante, com as variações necessárias entre o tostado da grelha por fora e a crueza da carne no seu interior. Ao Domingo há <strong>cabrito</strong>, servido de forma tradicional com arroz de miúdos, cozedura no ponto e nunca demasiado seco de nenhuma das vezes que foi pedido. Nos peixes, os <strong>filetes de pescada dourados</strong>, secos e frescos são uma opção mais conservadora que não desilude e o <strong>bacalhau à Braga </strong>revelou uma posta boa e bem demolhada, embora o molho azeitado servido em demasia tenha feito uma parte das batatas fritas ficarem ensopadas. Já a versão à Brás chega cremosa e aromática, dando vontade de repetir sempre que possível.  </p>



<p>
No Treze % a lista de vinhos cumpre mas é curta e conservadora, o
que nos deixa às vezes com vontade de viajar mais com as combinações
gastronómicas que seria possível fazer com tanta variedade de
pratos. A cozinha, no pico do trabalho pode demorar um bocadinho e há
que ter paciência. O serviço de sala, muito atento e preocupado,
também se torna com o tempo carinhoso e familiar, claro está!</p>
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		<title>Zizi</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Russell-Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Sep 2019 16:13:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crítica Gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[Chefes]]></category>
		<category><![CDATA[critica gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[Gastronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[restaurante zizi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paulo Russel-Pinto aproveitou o tempo quente que ainda se faz sentir para visitar o Zizi, restaurante localizado em frente à Praia da Aguda, em Vila Nova de Gaia. Por lá, o crítico do ETASTE gostou do que viu e provou no que toca a serviço e qualidade de produto.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Paulo Russel-Pinto aproveitou o tempo quente que ainda se faz sentir para visitar o Zizi, restaurante localizado em frente à Praia da Aguda, em Vila Nova de Gaia. Por lá, o crítico do ETASTE gostou do que viu e provou no que toca a serviço e qualidade de produto. </strong></p>


<div style="padding: 10px; background: #F3F3F3; width: 50%; float: right; margin-left: 20px; margin-bottom: 20px;">
<p style="color: #00c6a5;"><strong>Contactos:</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.zizi.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Zizi</a> </strong><br><strong>Morada: </strong> <span class="LrzXr">Rua do Mar, 4410-408 Praia Aguda-Arcozelo, Vila Nova de Gaia.</span><br><strong>Telefone:</strong> 227 620 728<br><strong>Horário: </strong> Aberto de terça-feira a sábado do 12h às 15h e das 19h30 às 22h. Ao domingo, do 12h às 15h30.</p>
</div>
<div>&nbsp;</div>


<p>O Zizi, restaurante elegante, confortável, luminoso, com uma profusa decoração marítima e duas esplanadas cá fora, fica na rua do mar, na Aguda.  </p>



<p>Esta rua é,
provavelmente, uma das mais lindas de Portugal, porque é pedonal,
porque tem de um lado o areal extenso da praia e do outro um casario
baixo e contínuo que faz tudo parecer uma casa de bonecas. A rua do
mar pode ser tranquila ou frenética, dependendo da hora e da altura
do ano, mas é sempre um local para passear devagar e aproveitar a
luz do dia e a beleza do atlântico.</p>



<p>O Zizi é uma
ilha de serviço de comida de mar a sul do Douro. Centra a sua oferta
nos peixes do dia, nos mariscos e tem uma vasta oferta para além do
que se pode grelhar. O serviço é jovem, rápido e ágil e a carta
de vinhos é boa mas merecia mais atenção e mais opções
relativamente ao serviço que presta em função da comida que
propõe. Gostando eu tanto desta área dos vinhos acho que, tendo uma
boa oferta, a carta merece mais risco e ousadia. 
</p>



<p>Nas entradas, os
<strong>calamares</strong> são pequeninos, leves e saborosos e comem-se
avidamente. Os <strong>peixinhos da horta,</strong> podiam estar mais
estaladiços, mas são acompanhados por um <strong>molho tártaro</strong>
muito bom e fresco. As <strong>pataniscas </strong>chegaram quentes, crocantes
e ligeiramente salgadas. As <strong>ameijoas à bolhão pato</strong> vinham
mergulhadas num molho bem puxado e intenso e o <strong>presunto </strong>proposto
foi sempre de grande qualidade, denso, firme e muito bem cortado. Num
produto que ainda precisa de muita consistência em Portugal, o do
Zizi nunca falhou de todas as vezes que veio para a mesa.</p>



<p>Quando chegamos
aos pratos principais, a coisa fica mais difícil de escolher. A casa
tem vários pratos assinatura e fica difícil escolher só um. Mas o
bom de ter por onde escolher é que a nossa decisão da carta pode
sempre refletir o estado de espírito daquele dia: mais leve, mais
pesado, mais condimentado, mais delicado, mas sempre a pedir um final
feliz!</p>



<p>Numa das visitas,
o meu <em>mood</em> pediu um <strong>arroz de robalo com coentros</strong>, com
uma calda leve e fresca, arroz solto e goma no ponto e bons pedaços
do peixe fresco. Noutra, a <strong>açorda</strong>, para noites de nortada
mais acutilante, chegou densa com uma base tomate e peixe forte que
lhe conferiu uma personalidade cheia de mar. No meio do pão e do ovo
misturado ao momento, boas quantidades de ameijoa, mexilhão e gamba.
Um prato para ficar quentinho e satisfeito. Já a <strong>massada de peixe</strong>
confirmou os bons caldos que o Zizi faz. Este com pouco tomate e com
pimento vermelho, suficientes para acrescentar a acidez necessária à
frescura que este prato merece. Havia na confeção uma couve que me
parece dispensável. Escolhi o robalo como o peixe para a massada. Há
uma versão de salmão, mas não foi provada.</p>



<p>Numa casa de
peixes grelhados como é o Zizi, houve três que vieram para a mesa:
um <strong>rodovalho</strong> firme e denso, servido com batatas e azeite (e
nada mais foi preciso), um <strong>bife de atum</strong> de grande qualidade
servido em confeção de tataki (braseado por fora e cru por dentro),
acompanhado por uma cebolada fresca e acídula e um <strong>salmonete</strong>
do dia, animal de sabor “amariscado” que precisa de muito cuidado
na confeção e pode ficar seco muito depressa, acompanhado por
legumes salteados.   
</p>



<p>O Zizi é um espaço que tem a delicadeza de surpreender sempre e um cantinho que pode ser íntimo, familiar ou de amigos, conforme quisermos. Um local onde o areal e o mar fazem parte da harmonização da gastronomia que lá se serve.  </p>
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		<title>Sal e Brasas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Russell-Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Aug 2019 10:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crítica Gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[carnes grelhadas em lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[critica gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[restaurantes]]></category>
		<category><![CDATA[restaurantes carne lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[restaurantes de carne]]></category>
		<category><![CDATA[restaurantes de carne em lisboa baratos]]></category>
		<category><![CDATA[sal e brasas]]></category>
		<category><![CDATA[sal e brasas lisboa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paulo Russel-Pinto voltou à capital para encontrar um inesperado paraíso de carne no restaurante Sal e Brasas, a prova viva de que ainda existem locais genuínos de comida simples, com alma e que passam ao lado dos preços exagerados.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/critica-gastronomica/critica-gastronomica-sal-e-brasas/">Sal e Brasas</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Paulo Russel-Pinto voltou à capital para encontrar um inesperado paraíso de carne no restaurante Sal e Brasas, a prova viva de que ainda existem locais genuínos de comida simples, com alma e que passam ao lado dos preços exagerados.</strong></p>


<div style="padding: 10px;background: #F3F3F3;width: 50%;float: right;margin-left: 20px;margin-bottom: 20px">
<p style="color: #00c6a5"><strong>Contactos:</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.facebook.com/salebrasasrestaurante" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Sal e Brasas</a> </strong><br>
<strong>Morada: </strong> <span class="LrzXr">Rua de Campolide, 372E, Campolide, Lisboa.</span><br>
<strong>Telefone:</strong> 917 505 313<br>
<strong>Horário: </strong> Aberto de segunda a sábado, do 12h às 15h e das 19h20 às 23h.</p>
</div>
<div></div>


<p>Que bom sair para jantar e não sentir o pretensiosismo pelas coisas da moda, mas sim o lado genuíno de uma refeição preparada por gente que parece fazer por paixão aquilo que outros querem muito conseguir através de um esforço plástico e preços exagerados.&nbsp;</p>



<p>Para minha grande felicidade, aconteceu encontrar um local assim simples e cheio de alma na cozinha em Lisboa.</p>



<p>O Sal e Brasas, em Campolide, propõe-nos uma extensa lista de carne maturada (e outras), sem parangonas, atitudes finórias e sem nunca se anunciar até nos sentarmos à mesa e pedirmos o menu. É um restaurante de carnes grelhadas, sem nomes estrangeiros e é assim que quer ser!&nbsp;</p>



<p>Com cortes portugueses, brasileiros e internacionais, a carne maturada é um segredo que acaba mal se entra no espaço amplo e luminoso, de decoração tradicional, de paredes brancas grandes vidraças para o exterior: há uma câmara frigorífica que está à porta com magníficas peças de carne à espera de serem escolhidas pelos clientes. Ao me deter a observar as peças e as suas cores, logo me apercebo que entrei numa casa de onde posso sair muito feliz.&nbsp;</p>



<p>Nas entradas, a <strong>linguiça</strong> anunciada como alentejana podia ser de qualquer lado. Tem alguma personalidade no sabor e no picante, mas morre na boca como uma salsicha de rodízio. Já a <strong>bolinha de carne</strong> era feita de uma pasta densa e com bom sabor a carne. A <strong>chamuça</strong> era crocante como se exige e especiada como se deseja. Também veio um <strong>queijinho de cabra</strong> cremoso e com algum amargor e bom de sal. Uma boa escolha.</p>



<p>Nas carnes, <strong>a Fraldinha</strong> chegou no ponto pedido. As fibras afastadas, a carne maturada com final seco e doce.&nbsp; É um corte aristocrático, elegante, e sente-se bem a maturação, com as ervas secas e cogumelos a surgirem-nos naturalmente na boca. <strong>A</strong> <strong>Posta</strong>, peça mais intensa com mais saborosos veios de gordura e portugalidade, apresentou-se também no ponto, no seu perfeito tempero de sal, gosto intenso e persistente. A<strong> Costeleta,</strong> grande, cinza por fora e vermelha por dentro, densa e com um sabor a especiarias doces, tinha um sabor bem equilibrado entre a grelha e a maturação curta, mas presente. A<strong> Picanha</strong>, de grande qualidade e densa na textura, vem com os clássicos acompanhamentos que nos remetem para o Brasil. O<strong> Black Angus</strong>, escuro e com gordura cheia de sabor maturado, parecia na boca uma floresta saborosa, um prado, mais uma vez com a quantidade de sal apenas necessária para trazer personalidade ao corte! Ainda houve tempo para um <strong>Secreto</strong>: sabor equilibrado a limão do tempero e à carne do porco com alguma gordura raiada, resultando num sabor bem equilibrado. Um notável destaque para as <strong>batatas fritas</strong> muito finas, secas e estaladiças que acompanham os pratos, que nunca desiludiram em nenhuma das visitas. Boa opção é também a escolha a partir da <strong>lista de arrozes</strong> para acompanhamento, que ali estão mais para satisfazer a vontade do cliente do que pela necessidade de harmonizar as comidas.&nbsp; <br><br>Resumindo: no Sal e Brasas há carnes bem escolhidas e preocupação com a matéria prima que entra na casa e como ela é tratada, no estágio e na cozinha, até ser servida ao cliente. Há uma boa lista de vinhos e um serviço informal e um lado discreto de quem nos quer servir bem enquanto gosta do que está a fazer.</p>
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		<item>
		<title>Ignácio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Russell-Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 20:29:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crítica Gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[braga]]></category>
		<category><![CDATA[ignacio]]></category>
		<category><![CDATA[paulo russel-pinto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paulo Russel-Pinto visitou o restaurante Ignácio e felizmente, deu de caras com um novo espaço onde a comida tradicional minhota continua a ser respeitada.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Paulo Russel-Pinto visitou Braga e o restaurante Ignácio, que agora conta com Paula Peliteiro na chefia. Felizmente, deu de caras com um novo espaço onde a comida tradicional minhota continua a ser respeitada, com um fôlego de contemporaneidade à mistura.</strong></p>



<p>O Campo das Hortas, em Braga, aos pés do arco da porta nova, é um daqueles locais onde qualquer gourmet sente um certo respeito quando passa. Para além de ser um dos emblemáticos locais da gastronomia Bracarense e um dos <em>hotspots</em> de receitas do bacalhau à Narcisa, de onde deriva o Bacalhau à Braga, este jardim é um local reinventado onde hoje se pode ir comer a restaurantes emblemáticos, clássicos, tabernas modernas e bares de gin.</p>



<p>Nesta dinâmica, à chef Paula Peliteiro foi-lhe proposto trazer à vida um velho moribundo que se arrastava numa das esquinas do Campo das Hortas e a quem já tinham anunciado a sua morte: O Ignácio.</p>



<p>Num espaço familiar, composto por duas salas, rústico, de paredes de granito e móveis de casa senhorial, o Ignácio aposta num suave balanço entre a manutenção de uma comida tradicional minhota e uma assinatura diferenciadora. E assim acontece.</p>



<p>Nas entradas, as opções centraram-se nas <strong>pataniscas</strong>:<strong> </strong>crocantes, cremosas, quentes, cheias de sabor a bacalhau e acompanhadas por uma tapenade de azeitona verde muito fresca. Os <strong>bolinhos de bacalhau</strong> mantiveram o registo, mostrando-se mais densos e mais leves que as pataniscas, a saber ao dito. Também experimentámos as papas de sarrabulho à avó, com o porco bem desfiado, cominhos no ponto, sangue fresco e tempero sério e intenso. O <strong>presunto</strong> veio cortado grosso, mas bem cortado. A peça era boa, com pouco sal e muito umami. As <strong>amêijoas à Bulhão Pato</strong> eram boas e grandes, servidas com pão grosso, a mais para um prato de entrada. Serviria para encher a barriga se não tivéssemos mais nada para comer e não para abrir o palato para o resto da refeição. As tostas do couvert servem muito bem para quem quiser acompanhar as amêijoas e atacar o molho.</p>



<p>Dos pratos principais, a dúvida esteve sempre na decisão entre o peixe e a carne. Há uma enorme vontade em querer comer tudo e quando assim é há sempre coisas que ficam por provar. Não podíamos escapar ao <strong>bacalhau à Ignácio</strong>, o clássico “à Braga”, enorme e com uma imagem apreciável. A grandiosidade da peça (lombo e asas) pode trazer risco à confeção do prato, com partes no ponto e outras demolhadas demais. As batatas fritas às rodelas estavam espetaculares,: grandes, crocantes e secas, a cebola cortada grossa e dois molhos a complementarem a abordagem clássica ao prato. Na <strong>caldeirada de bivalves com filete do peixe da lota,</strong> a empurrar para a costa, os ditos foram amêijoa e mexilhão e uma dourada com tomilho. &nbsp;Os moluscos eram saborosos, mas alguns, infelizmente, tinham grãos de areia. A cebola abundante ajudou a dar consistência a um caldo muito bom. O <strong>arroz de tamboril,</strong> intenso, tinha como base um caldo de tomate e pimento. A acompanhar o tamboril surgiram umas gambas grandes e saborosas. Ainda nos peixes, a surpresa recaiu sobre o <strong>polvo com batata recheada</strong>. Quando esperávamos por outro clássico tipo lagareiro, eis que ele se apresenta fatiado grosso, seco, panado e com uma batata recheada com cubinhos de batata e creme, a fazer lembrar um bacalhau com natas sem bacalhau. Esta batata e o seu recheio revelaram-se um grande acompanhamento ao polvo. </p>



<p>Aqui se compreende como Paula Peliteiro pode puxar a cozinha tradicional para um campo mais elegante e inovador sem abdicar da tradição. </p>



<p>Nas carnes, o <strong>pernil de porco fumado no forno,</strong> afiambrado e húmido, acompanhado com arroz terminado no forno e batata a murro, estava cheio de sabor e revelou um final prolongado. <strong>O ossobuco com pasta fresca</strong>, que começa com uma peça de um corte pouco habitual em Portugal, foi bem temperado e estufado. Veio acompanhado à italiana, com o esparguete à parte e não misturado no molho, como supunha quando pedi. Um prato fora do baralho, consentâneo com o gosto português.</p>



<p>As sobremesas piscam todas o olho ao receituário tradicional. Recomendam-se as <strong>cornucópias conventuais</strong> pela intensidade e o <strong>aveludado de frutas</strong> pelo conforto. O serviço é calmo e elegante e está sempre presente quando precisamos dele. </p>



<p>O Ignácio voltou à vida e em bom tempo. Ganha Braga porque adiciona à sua oferta um restaurante clássico, calmo e elegante e ganhamos nós, clientes, com o trabalho de uma chef que sabe o rumo quer dar à sua comida e à sua interpretação do tradicional. </p>
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		<item>
		<title>A Cevicheria</title>
		<link>https://etaste.pt/critica-gastronomica/critica-gastronomica-a-cevicheria/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=critica-gastronomica-a-cevicheria</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Russell-Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Mar 2019 11:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crítica Gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[ceviche]]></category>
		<category><![CDATA[cevicheria]]></category>
		<category><![CDATA[Chefe]]></category>
		<category><![CDATA[comer o mundo]]></category>
		<category><![CDATA[critica gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[Kiko Martins]]></category>
		<category><![CDATA[Peruano]]></category>
		<category><![CDATA[pisco]]></category>
		<category><![CDATA[restaurante]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paulo Russel Pinto visitou A Cevicheria de Kiko Martins e teve pena de encontrar mais estrangeiros do que portugueses na fila do Pisco Sour.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/critica-gastronomica/critica-gastronomica-a-cevicheria/">A Cevicheria</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Paulo Russel Pinto visitou A Cevicheria de Kiko Martins e teve pena de encontrar mais estrangeiros do que portugueses na fila do Pisco Sour — o cocktail com o qual escolheu começar a sua viagem ao Peru no Príncipe Real, em Lisboa.</b></p>
<div style="padding: 10px; background: #F3F3F3; width: 50%; float: right; margin-left: 20px; margin-bottom: 20px;">
<p style="color: #00c6a5;"><strong>Contactos:</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.facebook.com/ACevicheriaChefKiko/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">A Cevicheria</a> </strong><br />
<strong>Morada: </strong> <span class="LrzXr">Av. Infante D. Henrique, Armazém B, Lisboa</span><br />
<strong>Telefone:</strong> 218 810 320<br />
<strong>Horário: </strong> Aberto de terça-feira a sábado, do 12h às 15h30 e das 19h às 24h</p>
</div>
<div>
<p>Não consigo perceber porque é que não encontro portugueses no Cevicheria. De todas as vezes que o visitei, a minha mesa era quase sempre a única de portugueses. Digo-vos já que é uma pena. Eu sei que o <i>tuga</i> não gosta de esperar e faz-se fino quando o assunto é reservas em restaurantes, mas acomodamo-nos a tanta coisa que esta não nos faria mal nenhum. É verdade que o restaurante não aceita reservas e que a distribuição de mesas é feita por ordem de chegada, mas os estrangeiros que enchem A Cevicheria esperam, bebem, petiscam, conversam com amigos, divertem-se e, depois, almoçam ou jantam. Só nós é que não fazemos isso!</p>
<p>Só nós é que não aproveitamos o tempo de espera para provar o Pisco Sour, cocktail da casa que é uma referência peruana no mundo dos cocktails e alguns petiscos que se podem comer nas mesas altas à porta enquanto conversamos e nos divertimos antes da refeição. É o caso do <b>ceviche do dia</b>, que naquele tinha peixe branco, cebola roxa, um leche de tigre muito leve e malagueta fresca a marcar bem o picante do prato. Para acalmar, um puré de batata doce. As algas estavam a mais e pareceram não fazer parte do conjunto, embora não incomodassem.</p>
<p>À mesa (ou ao balcão), o conceito do Cevicheria é 3 para 2, ou seja, doses grandes em que é possível partilhar e comer bem. A lista é curta, mas faz jus ao canto do mundo de onde vem a inspiração: Peru. No <b>ceviche de atum</b>, onde a matéria prima é excelente, o trabalho é feito com beterraba e lichia, equilibrando o prato numa harmonia imprevisível mas duradoura na boca. O de<b> salmão</b> não é tão bom: precisava de ser uma peça mais firme, mas concedo que tenha sido o peixe daquele dia. É um ceviche delicado, com um intenso leche de tigre, cubos de coco jovem e esferas de tapioca misturadas e pedaços de ananás que trazem uma doçura final ao prato. Na <b>causa de King Crab</b> encontrei um prato com muitos sabores, em dois momentos. Barroco, mas com todos os pormenores da talha dourada, complexo e elegante. Num, o caranguejo sobressaiu delicado sobre o puré com tinta de choco, no outro um conjunto intenso e amariscado, multicolorido, a saber muito mais a mar. &nbsp;Na <b>causa de polvo BBQ </b>(o nome é mesmo assim) as estaladiças pipocas de courato trazem textura mas não contribuem com sabor. Já o polvo estava muito tenro, bem assado e com sabor muito presente. O puré de batata preta e tomates assados, que resultam doces, complementam uma harmonia de sabores que parece ser o perfil da casa.<br />
No que respeita aos quinotos (risotos de quinoa), pratos muito bons e originais para as costas portugueses, provei dois. O <b>do mar</b> era bom, mas destaco o de <b>pato e cogumelos</b>. O caldo era riquíssimo e os cogumelos misturados na quinoa vinham cheios de sabor, ladeados por dois croquetes estaladiços de pato desfiado. Complementavam umas ervilhas de quebrar muito frescas. Sobre estas, tenho de referir um prato que saiu recentemente da carta, que era o <b>quinoto de vieiras e presunto</b>. Foi uma das criações fantásticas deste espaço e devíamos fazer uma petição online para ser recolocado na carta, lugar onde merece estar!</p>
<p>Finalizou-se com um <b>taco de tártaro de novilho</b>, boa carne e bem temperada, que encima com maionese de rábano. Dispensava-se o pó de alga nori, não pelo sabor, mas pelo cheiro que transmite a cada dentada.</p>
<p>Nas sobremesas, destaco a <b>goiaba</b> e queijo de cabra separados por um bolo de milho. Este, delicado e esponjoso, contrastou com a intensidade exuberante do queijo e cremosidade da espuma de goiaba, resultando num interessante Romeu e Julieta tropical.</p>
<p>Há um padrão de complexidade de sabores e texturas que Kiko Martins está a trabalhar muito bem e que os exemplos acima o demonstram. A inspiração é internacional e moderna e o cosmopolitismo que Portugal precisa passa por entender o mundo e interpretá-lo dentro de portas. A Cevicheria é um bom lugar para isso.</p>
<p>O serviço é informal, atencioso e frenético, o espaço é luminoso e minimalista, com o polvo gigante pendurado no teto sempre a olhar para nós. A lista de vinhos é bastante curta e com os preços exagerados, mas tudo se desculpa se for recuperado o tal <b>quinoto de vieiras e presunto</b>, de tão delicioso que é. Assinem!</p>
</div>
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		<title>Epur</title>
		<link>https://etaste.pt/critica-gastronomica/epur/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=epur</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luis Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Nov 2018 16:11:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crítica Gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[Chefe]]></category>
		<category><![CDATA[comida]]></category>
		<category><![CDATA[critica gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[epur]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Antunes]]></category>
		<category><![CDATA[luis antuns]]></category>
		<category><![CDATA[restaurante]]></category>
		<category><![CDATA[vicent farges]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O crítico Luis Antunes celebra o regresso de Vincent Farges a território nacional. Uma celebração esfuziante, sustentada em duas refeições — um almoço e um jantar — com momentos memoráveis.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>O crítico Luis Antunes celebra o regresso de Vincent Farges a território nacional. Uma celebração esfuziante, sustentada em duas refeições — um almoço e um jantar — com momentos memoráveis.</b></p>
<div style="padding: 10px; background: #F3F3F3; width: 50%; float: right; margin-left: 20px; margin-bottom: 20px;">
<p style="color: #00c6a5;"><strong>Contactos:</strong></p>
<p><strong><a href="https://epur.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Epur</a> </strong><br />
<strong>Morada: </strong><span class="LrzXr">Largo da Academia Nacional de Belas Artes, 14.</span><br />
<strong>Telefone:</strong> <span class="LrzXr zdqRlf kno-fv">21</span><span class="LrzXr zdqRlf kno-fv">3 460 519</span><br />
<strong>Horário: </strong>Aberto de terça a sábado, aolmoço, do 12h30 às 15h. Ao jantar, das 19h às 23h.</p>
</div>
<div>
<p>Os regressos são sempre bons augúrios. Neste caso, regressou o português Vincent Farges às lides do fogão, e que saudades tínhamos dele e da sua cozinha luminosa. Lembro-me de conhecer o Vincent aos fogões da Fortaleza do Guincho, e de acompanhar o seu crescimento como cozinheiro, honrando a herança que vinha de Antoine Westerman e Marc Le Ouedec, para levar depois ainda mais longe o amor destes pelos produtos portugueses e o seu respeito pelo classicismo rigoroso da cozinha francesa que incorporaram lentamente num conhecimento progressivamente mais profundo das receitas portuguesas. Tudo para desaguar num entendimento que produziu o estado actual da gastronomia portuguesa, que é território de grande encantamento, ambição, potencial. Todos admitem que a história não começou nem ontem nem anteontem, e todos nós, cozinheiros e clientes, apreciamos, reflectimos, honramos, desfrutamos a história, tanto passada como futura. Assim seja. Daí o “português” que colei ao nome Vincent, português por amor e devoção, como tantos outros que aqui chegaram e que queremos e aceitámos como nossos.</p>
<p>Vincent viajou, pensou, experimentou, e regressou a casa para abrir, após longos meses de preparação, o seu restaurante Epur. A evocação de Galileu, junto com alguma simbologia algébrica, centra-se na gravitação degustativa, no verbo francês épurer, que significa depurar, purificar, refinar. Perguntando um pouco mais, o que poderia ser escusado, bastaria realmente comer, as explicações múltiplas podem tornar-se cansativas ou contraditórias. Na essência, basta-nos saber que a ideia de pureza vem de Vincent se centrar no produto com a máxima autenticidade e exigência de qualidade (incluindo origens, épocas, sustentabilidade, proximidade, justiça), e um mínimo de transformação, para que brilhe por si próprio, sem maquilhagens nem ostentações. A isto eu somaria um pouco da irreverência e descoberta que sempre associamos ao velho génio toscano, já que na cozinha pós-Adrià habituámo-nos a contar sempre com alguma originalidade nas mesas mais ambiciosas.</p>
<p>À chegada ao Epur, temos direito a um acolhimento serenamente caloroso. Passamos brevemente pela cozinha envidraçada, na ante-sala podemo-nos sentar num sofá confortável a esperar por alguém ou enviar uma última mensagem, enquanto procuramos adivinhar onde a parede esconde as portas da casa de banho, depois entramos na sala de decoração moderna, focada, com as janelas a desdobrar-se sobre uma Lisboa cada vez mais bonita, e sobre a qual temos obrigação de parar para apreciar. Mesas de madeira crua, cadeiras confortáveis, equipamentos de mesa de loiça branca, com cada prato a vir na sua construção específica, como numa visita à olaria da Fábrica Moderna. Chique, to say the least. O menu divide-se em “começo”, “seguimento”, “término”, com sub-divisões entre água, horta e terra, mar, campo e recordações, chocolate, pomar e vintage. Tudo muito abstracto, mas ameaçando bons momentos. Para as contas, a ameaça é mais séria, com um menu de almoço a 45€, um petit appétit a 65€ (vinhos 25€), 4 momentos por 90€ (40€), 6 momentos por 125€ (60€) e 8 momentos por 160€ (80€). Nas quartas-feiras a mesa do chefe custa 130€ já com vinho. Eu escolhi o menu de 6 momentos, e, apesar do meu denodo, cheguei ao fim já bastante cansado. Vamos lá então.</p>
<p>Começo com vários entreténs de boca, pequeninos, delicados, provocadores: melão, yuzu e salicórnia, com frescura e suavidade; kombu, milho e orelha de porco, com texturas e sabores contrastantes; tomate, estragão e pão de azeite, formando um dos gaspachos mais incríveis que jamais provei, com todo o sabor num líquido translúcido, onde a falta de cor do líquido chocava com o seu copioso paladar, e o pão de azeite vinha ao lado, fino e estaladiço, pontuado pelos sólidos, onde um concassé de tomate e jalapeños com uma ponta de pimenta dava fogo e espírito.</p>
<p>Para acalmar a alma vem então um tabuleiro de pães feitos na casa com belíssimo azeite de Trás-os-Montes e manteiga Rainha do Pico. A felicidade pode ser apenas pão com manteiga.</p>
<p>Mas a felicidade é um fluido, e convém segurá-la enquanto se pode. O prato seguinte é da secção água e traz xéreu (cru), velouté de pepino, shiso, legumes acidulados e vinagrete de bergamota. Por vezes o nome de um prato é igual à sua receita, aqui neste há poucos verbos, mas este nome forma quase um pequeno poema, que nos fala de nuances, agressividade e delicadeza, texturas, sabores, temperos, uma peça de música moderna, construída como um relógio de precisão.</p>
<p>Seguimos para a terra, com rillette de coelho, mousse de foie, cogumelos e pinhão, puré de pera nashi fumada e brioche. O prato é lindo, parece um quadrinho de uma banda desenhada dos Schtroumpfs, bonecos que me confundem por estarem sempre a mudar de nome. Talvez um nada salgado em excesso, neste prato faltou-me a excitação das texturas, já que todas eram um pouco parecidas, moles.</p>
<p>Bom, mas a horta trazia alcachofras cozinhadas em açafrão português (já um feito por si próprio), anchoïade e aioli. Tudo muito fresco e saboroso, como um intervalo para abrir o apetite, com várias texturas crocantes, sabor intenso sobre um fundo muito aveludado e com acidez cítrica, excitante.</p>
<p>O mar ofereceu então peixe galo com sames de bacalhau, bivalves, nage de bivalves e tomilho-limão. A nage oferecia um fundo rico e saboroso a este quadro onde brilhava o ponto de confecção do peixe galo, a lascar, e os bivalves carnudos. Os suaves pickles que encimavam a tranche de peixe davam mais alegria e enredo a este quadro de subtil beleza e requinte.</p>
<p>As recordações incluíram dois pratos: o cordeiro de Idanha-a-Nova com legumes cozinhados em molho de soja, concassé de pimentos, polenta cremosa e miúdos do cordeiro, e o peito de pombo assado e perna confitada, tartine de fígados, figos e puré de figos fumados, aipo e molho do próprio assado.</p>
<p>Na mesa as opiniões dividiram-se. O pombo exibia-se com pontos perfeitos de confecção, e a riqueza dos figos em várias declinações, num prato que nos falava do Outono que chegava. Mas para o meu gosto a carne tinha um toque algo rústico, sanguíneo, que gostaria de ter visto mais domado. Já o cordeiro, acertou-me com um acorde onde todas notas vibravam. Carne de interior rosado e exterior estaladiço e suculento, legumes a brilhar de sabor, polenta cremosa, com os miúdos cortados grossos mas exibindo na mesma grande delicadeza no paladar e variedade de texturas. Dois grandes pratos, a trazer para a mesa aquela discussão que reabre o apetite que começava a vacilar.</p>
<p>Chegamo-nos ao fim, mas ainda há trabalho pela frente. Na ante-sobremesa (aqui chamada entr’act), morangos, molho de morangos, hibiscos, sorbet de iogurte, granola e financier de mel. Certamente dispensaria nesta fase o financier, que na verdade pouco trazia de lingote e do bolo clássico, os morangos com hibiscos são bem-vindos, mas vá lá, algo mais leve e cítrico seria uma opção mais razoável. Do pomar veio então uma paleta de figos frescos e assados, creme glacée de folha de figueira, coulis de figos verdes e funcho e ainda bolo de melaço. A decadência pura para os apreciadores de figos, e uma sobremesa tout court com grande riqueza e variedade. Para os apreciadores de chocolate, a paleta não era menos variada, com tarte, creme, telha, sorvete, areia, todas as texturas e declinações, rematadas com um molho de caramelo salgado.</p>
<p>Tenho obrigação de recomendar que melhorem o café, que me chegou já algo frio e pouco cremoso. Não vou dizer que é inaceitável, nem que me estraga uma refeição memorável, mas não vejo necessidade de abrir o flanco com um café menos do que perfeito. Já as mignardises e petits fours, que incluíam frutas e bombons de chocolate, são uma boa maneira de nos lembrar, para os mesmo corajosos, que este não era dia para dietas.</p>
<p>Rematando e concluindo. Por um acaso, passados poucos dias voltei ao Epur ao almoço, para constatar a beleza estonteante das suas vistas, e a ligação notável com a beleza das suas propostas gastronómicas. Repeti alguns destes pratos e provei outros, em particular um de coelho com pleurotos, foie gras e gambas, que me deixaram completamente extasiado. Ou seja, temos sítio, temos consistência, temos iluminação e brilho neste regresso de Vincent Farges a Portugal e a Lisboa. Não gosto muito de falar de preços nem de estrelas. Os projectos têm a ambição com que são definidos, e aqui ela está absolutamente em órbita. É um restaurante de preço alto, é evidente, mas a ambição é também elevadíssima, e só lhe posso desejar todo o sucesso que a dedicação e o talento de Vincent e da sua equipa merecem. Eu, por mim, voltarei sempre que puder, em particular quando tiver saudades de um Portugal que se funda no seu território mas já deu a volta ao mundo para voltar para casa. Este é um restaurante excepcional, que vou gostar muito de acompanhar, acarinhar, sonhar também eu com o regresso.</p>
<p>*O autor não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico</p>
</div>
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		<title>A Maria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Sep 2018 15:49:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crítica Gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[a maria]]></category>
		<category><![CDATA[Alandroal]]></category>
		<category><![CDATA[comida tradicional]]></category>
		<category><![CDATA[critica gastronómica]]></category>
		<category><![CDATA[évora]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Antunes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Numa visita ao Alandroal, Luís Antunes passou pel’A Maria, restaurante do qual guarda boas recordações de tempos passados. À medida que relata essas memórias, o crítico aprecia e reflete sobre o tempo presente, à mesa, acompanhado pelos filhos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Numa visita ao Alandroal, Luís Antunes passou pel’A Maria, restaurante do qual guarda boas recordações de tempos passados. À medida que relata essas memórias, o crítico aprecia e reflete sobre o tempo presente, à mesa, acompanhado pelos filhos.</b></p>
<div style="padding: 10px; background: #F3F3F3; width: 50%; float: right; margin-left: 20px; margin-bottom: 20px;">
<p style="color: #00c6a5;"><strong>Contactos:</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.facebook.com/Restaurante-A-Maria-205868269444535/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">A Maria</a> </strong><br />
<strong>Morada: </strong> <span class="LrzXr">Rua João de Deus, 12. Alandroal, Évora.</span><br />
<strong>Telefone:</strong> 268 431 143<br />
<strong>Horário: </strong> Aberto segunda-feira, das 11h às 16h. De terça a domingo, das 11h às 23h</p>
</div>
<div>
<p><span style="font-weight: 400;">Alentejo profundo, na raia de Espanha, e os sítios tornam-se oásis. Viajando numa deriva vagamente controlada, apontei a proa à revisita que já tardava de um dos templos que guardo sempre no coração como fontes de desejo, para reencontrar as referências do que um dia chamei “a refeição da minha vida.” Para acender a memória dos passantes mais neófitos, relembro que esta era uma coluna que o mestre David Lopes Ramos encomendava, como título e tema, a alguns que se sentiam assim honrados, e é ainda honra que sinto quando menciono que fui um deles, mesmo que hoje a gabarolice se meça em likes e followers, e não em memórias ou prosápia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi assim com alguma surpresa que, marcando anonimamente a minha estada n’A Maria, no Alandroal, dou de caras com uma velha página da revista Pública que ostenta a minha carantonha. Conduzo os filhos à volta para não dar bandeira, quero almoçar. Costuma dizer-se que não se deve voltar aos sítios onde se foi feliz, mas eu sou optimista. Se calhar faço-fiz mal, mas e agora? Dias passados, agarro-me ao teclado e ao papel. A cara na parede e os exemplos dos meus mestres aumentam a responsabilidade. </span><span style="font-weight: 400;">Peguemos assim o animal de frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sentámo-nos numa sala que ainda inverte a aldeia, com umbrais e estendais de roupa a lembrar-nos um fora cá dentro, mas lá fora aperta o calor e aqui está-se bem. Vem imediatamente um pequeno pratinho de coelho assado e desfiado com molho à vilão, e a lista para escolhermos. O coelho está primoroso, e o bom pão alentejano, este sem excessos de acidez, oferece o seu miolo denso a este azeite-coentros-vinagre-no-ponto, comigo sempre a fugir da cebola crua, é cá uma coisa minha, que o meu estômago não aguenta. A coisa promete. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Procuro negociar os pratos. Insistem que devo escolher uma galinha assada, que “está uma maravilha.” Eu procuro agarrar-me às memórias, quero o bacalhau dourado, que está no topo da minha vida, e quero os secretos de porco preto estufados com cebola no tacho de barro. Os últimos, nem pensar, que hoje não se fizeram, aliás, é mais prato dos tempos frios. O bacalhau, esse pode-se arranjar. Sou pouco para uma dose e preferia espalhar variedade, já pensando nesta crónica. Mas a flexibilidade da casa é pouca, tal como o carinho não tempera este acolhimento correcto. Galinha para as crianças e bacalhau à tonelada para o pai. Seja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A galinha vem finalmente, e as crianças adoraram. Mas o pai está muito desiludido. Onde esperava um bicho caseiro de bom porte, com a pele estaladiça acabada de sair do forno e um tempero saboroso e clássico a transportar-me para a cozinha da minha avó, apareceram-me antes umas partes do peito e perna desfiadas, e levadas ao forno a reaquecer, inteligentemente salpicadas de cebola laminada para evitar os excessos de secura, e um pouco de coentros por cima. Nem um miligrama de pele estaladiça. D-e-s-i-l-u-s-ã-o. Perguntei se o prato é mesmo assim, se foi acabada de assar ou apenas aquecida, garantiram-me que foi assada e depois acerejada. Bom, juraria que&#8230; As rodelas de batata frita que acompanhavam estavam crocantes e saborosas, mas vinham a nadar em óleo da fritura. Num cilindro no meio do prato, o melhor sabor de todo o almoço, um puré de abóbora (assada?) com laranja e um tempero de especiarias muito elegante e delicado, a provar que na cozinha a Maria da Piedade não perdeu a mão. Perdeu o quê, então?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Veio depois o bacalhau dourado, dose de monta que serviria muito bem de entrada para uma mesa bem maior. Estava bom, mas não à altura das minhas memórias. O bacalhau propriamente dito estava seco e não me parecia da qualidade mais adequada a um prato de primeira água. E mais não digo. A cremosidade do excesso de gemas, traço distintivo de que me lembro bem tantos anos depois, não apareceu. Havia um toque de alho, que não pertence nem à receita original (que segundo a própria Maria me contou há muitos anos viria da Pousada de Elvas, onde já fui de propósito há anos para constatar só banalidade), nem à receita desta casa, é uma inovação da cozinheira que hoje acolitava a Maria. Não era preciso dizer-mo, que de alguma forma o meu coração já sabia que aquele prato de Maria tinha pouco. Depois, faltava finalmente a perfeição do ponto, com os ovos a aparecerem passados em demasia. Falhou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já só queria escapulir-me dali, mas obriguei-me a provar uma sobremesa para tentar salvar o dia. A sericaia (nunca sei como se escreve isto, seria sericá?) estava um pouco seca e algo pobre de doçura, a exigir a ameixa de Elvas e sua calda para se tornar uma opção. Provei uma lasca de uma boa tarte baixinha de amêndoa, com textura de quindim no topo, lembrando parcialmente as brisas do Lis. E o bolo de chocolate de aspecto banal revelou-se afinal um belíssimo émulo do bolo da Sophie Landeau, o que não é dizer nada pouco. Faltava-lhe só o rigoroso refinamento, mas catapultou-se para o topo da refeição, junto com o puré de abóbora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedi para falar com a Maria, apresentei-me, cumprimentei-a, falámos um pouco das dificuldades, já durante a refeição tinha ouvido falar de rivalidades, até de ciumeiras. Senti aqui desânimo, e vi o desânimo transbordar para uma sala que considerei triste. Terei sido apanhado num dia mau, foi só isso. Percorrendo asfalto em direcção a casa, não me deixei desanimar. Senti-me um Gordon “nightmare” Ramsay dos pobres, embora não me atrevesse a sacar do vernáculo e dizer face-a-face o que me ia na alma. A responsabilidade sinto-a, e sinto-a não para condenar este restaurante, que continuo a acarinhar, mas antes para o incentivar. Faço uma crítica que é negativa, assumo-o sem pudores, mas que está fundamentada e é desenhado de forma construtiva. Os restaurantes não se fazem sem clientes e é preciso que os clientes apareçam e sejam exigentes. Muitas vezes li críticas negativas que me levaram a correr para o cinema. Espero que seja o caso aqui. É preciso ir ao Alandroal, duvidar da minha palavra, ser exigente e rigoroso, esperar o céu e encontrá-lo. Não faria este apelo se não tivesse a certeza absoluta que do outro lado está toda a capacidade e até a vontade de me desmentir, provando que eu não tenho razão e que n’A Maria, no Alandroal está uma das melhores mãos para os tachos deste país, com vontade de regressar aos bons tempos.</span></p>
<p>*O autor não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico</p>
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