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	<title>Margarida Rego, Autor em Etaste</title>
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	<title>Margarida Rego, Autor em Etaste</title>
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		<title>#resistir Margarida Rego: Movimento para dentro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2020 08:58:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na verdade eu não defino a minha cozinha - é ela que me define. Não me inspiro - sou inspirada. E não sei criar. Os produtos falam, pedem-me coisas. Dizem-me como querem ser apresentados. E mudam. Mudam de sabor, de textura, de forma e de vontade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Este período tem-me obrigado a pensar, ou permitido. Principalmente pensar de uma forma, a um ritmo e por um motivo diferente. Dou por mim a pensar que nem penso. Faço-o de uma forma que desconhecia. Deixo-me ir. Passaram-se dias a fio no fim dos quais me pareceu que não tinha chegado a lado nenhum. Dias inteiros a pensar e não pensava nada.<br>Estava enganada.</p>



<p>Tem acontecido assim. Dezenas de pensamentos em simultâneo, sem ordem ou objectivo definido. E eu a deixar ir. Frequentemente me parecia que os pensamentos que mais se sobrepunham não eram os prioritários. E não seriam até há 26 dias. </p>



<p>Mas houve um movimento importante, para dentro. A tentar pensar nos próximos movimentos chego novamente ao “para dentro”. Já lá vou. Obrigo-me agora a alguma ordem.</p>



<p>É primavera. Estação maravilhosa para se ser cozinheiro em Portugal. São todas boas as estações aqui no paraíso, mas a primavera a seguir ao inverno é encantatória. Transforma-me numa criança aos pulos.</p>



<p>É primavera e não há a quem servir sargos, ervilhas de quebrar, favas do cedo, espargos, ouriços, anho, lampreia, navalheiras e todos os tesouros a que temos acesso.<br>Sou cozinheira e adoro. Não saberia ser outra coisa.</p>



<p>Em que estação estaremos quando voltar a cozinhar e servir?</p>



<p>Voltam os pensamentos com vontade própria e levam-me das perguntas que me faço às que costumam (costumavam) fazer. Como defino a minha cozinha? Como me inspiro? Que processo uso para criar? Criar?</p>



<p>Fico sempre à rasca. Não sei responder. Esquivo-me. Aperfeiçoei a técnica de responder sem responder. Não por desrespeito à pergunta ou a quem a faz mas por não saber. Na verdade eu não defino a minha cozinha &#8211; é ela que me define. Não me inspiro &#8211; sou inspirada. E não sei criar. Os produtos falam, pedem-me coisas. Dizem-me como querem ser apresentados. E mudam. Mudam de sabor, de textura, de forma e de vontade. Sou a mais feliz das criaturas quando vou a um campo de ervilhas nesta altura. E nunca estão sozinhas. No mesmo momento, estão em toda a sua glória um conjunto de produtos. Todos magníficos. E fazem sempre sentido juntos. Naturalmente. Levo-os comigo ou chegam-me à cozinha. Quando chegam viajo eu até ao lugar, cores, cheiros, caminhos e pessoas que permitiram a maravilha. A maior parte das pessoas a quem tenho a sorte de poder servir estas coisas não tem a sorte de saber, com os sentidos todos, tudo isto. Impressionantemente, mesmo assim vibram. E eu fico feliz. Por tudo e por todos.</p>



<p>Não, eu não sei criar. Nem preciso. Ainda bem.</p>



<p>A tentar pensar no próximo movimento volto a pensar em movimento e em tudo o que se passa agora em mim. E em tudo o que se passa agora nos campos, hortas e pomares, na serra, nos rios, no mar… E no que se passa nas outras pessoas. Será ainda primavera quando voltar a servir?</p>



<p>Com a falta de consumo e consequentemente colheita haverão ainda estes produtos? E em que estado de maturação estarão. Princípio do verão?</p>



<p>Sem produtos não sei fazer. Primeiro vejo, cheiro e provo. E agora não sei.</p>



<p>Mas sei que também terá havido mudanças nas pessoas &#8211; todas &#8211; e nas condições e expectativas com que se dirigirão novamente aos restaurantes. E serão os nossos, os portugueses. Portanto teremos Portugal, por portugueses para portugueses. Depois de um movimento para dentro faremos outro movimento para dentro. Estaremos todos com vontade de chorar e celebrar. De simplificar. Do essencial. E o essencial é ser feliz. Simples. Eu sou tão feliz a servir Portugal num prato. Ou em cinco. Ou o que nos apetecer. </p>



<p>Como será a minha próxima carta? Não sei. Não sou eu quem manda nela. É a natureza e a natureza das minhas pessoas. Nem sei se será uma carta. Sei que quero muito ver sorrisos. Verdadeiramente são os sorrisos que me alimentam. Os dos outros e o meu.</p>



<p>Vamos com (c)alma!</p>
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		<title>#resistir Margarida Bessa Rego: Os invisíveis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2020 10:23:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quantos portugueses não terão acesso a qualquer apoio, a qualquer uma das medidas excepcionais que se vão encontrando para apoiar a continuidade, para sustentar a espera, para diminui o impacto e evitar o descalabro completo?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Tudo aquilo que o homem ignora, não existe para ele. Por isso o universo de cada um, se resume no tamanho de seu saber.”</p>



<p><em>Albert Einstein</em></p>



<p>Não é o depois que me preocupa agora. Preocupa-me o enquanto.</p>



<p>Sabemos que isto vai ser longo, muito longo.&nbsp;</p>



<p>Preocupa-me como uma parte da Comunidade, que apenas intuo significativa porque desconheço números, vai poder resistir.</p>



<p>Que parte do país vive de uma economia diária, frágil e sem direitos?</p>



<p>Basta ter o pagamento de um crédito em atraso, basta não ter conseguido pagar as contribuições e impostos no último mês ou trimestre, basta não ter contabilidade, a renda (sempre) atrasada&#8230;</p>



<p>Muitos nunca recuperaram da última crise. Dependendo da situação em que se encontravam quando ela aconteceu e quando se deu a “retoma” adaptaram-se, reconstruíram-se e reorganizaram-se ou viram-se atirados para um beco sem saída, ou sem reentrada no mercado “normal” de trabalho. Inventaram uma forma nova de ir levando a vida. São artesãos, biscateiros, vendedores de tudo e de nada, mulheres-a-dias, pescadores, nano-agricultores, pau-para-toda-a-colher em restaurantes e cafés ao fim-de-semana ou quando e só se o trabalho aperta e alguém da equipa falta. São o que conseguiram ser. Sobrevivem.</p>



<p>Continuam a ser pessoas, famílias inteiras. Quem sabe minimamente o que é trabalhar por conta própria, seja em que formato for, poderá ter uma ideia do que seja viver “normalmente” sem um salário ou qualquer outra forma de rendimento mais ou menos fixa e segura. Agora imaginemos fazê-lo nestas circunstâncias.&nbsp;</p>



<p>O futuro? Ainda não chegou e não sabemos. Mas e o enquanto?&nbsp;</p>



<p>Quantos portugueses não terão acesso a qualquer apoio, a qualquer uma das medidas excepcionais que se vão encontrando para apoiar a continuidade, para sustentar a espera, para diminui o impacto e evitar o descalabro completo?</p>



<p>Estas pessoas terão esgotado por estes dias os recursos de que dispunham. Se nas zonas rurais o acesso a comida vinda da solidariedade normal entre vizinhos poderá atenuar um pouco a necessidade, o mesmo não se passará nos centros urbanos, maiores ou menores.</p>



<p>Chamemos os bois pelo nome &#8211; quantas pessoas estarão neste momento a chegar ao ponto de não terem comida nem dinheiro para a comprarem e a saberem que não terão nos próximos tempos. E “tempos” poderá querer dizer um mês ou mais.</p>



<p>Não há maior medo do que o que provoca a ideia de fome, sabemos (sabemos?).</p>



<p>E então, que comportamentos podem acontecer?&nbsp;</p>



<p>É isto que me preocupa por estes dias.&nbsp;</p>



<p>O desespero de alimentar os filhos. A rede familiar que tantos não têm. Sozinhos.</p>



<p>Os invisíveis!</p>



<p>Não podemos ser selectivamente cegos.</p>



<p>Custa-me imaginar assaltos a supermercados. Mas imagino.</p>
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		<title>#resistir Margarida Rego: Diário de uma cozinheira no Porto #6</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2020 16:39:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Afinal tomamos muitas decisões sem percebermos que o estamos a fazer. Parece que decidi olhar para trás apenas para ir buscar “reservas de felicidade”.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O camião não pode voltar vazio</p>



<p>Nunca não trabalhar me ocupou tanto e de forma tão produtiva.<br><br>Ontem, 25 de Março, acordei às 6.30h, preparei e dei aulas por vídeo-conferência (sim, aulas de cozinha fora da cozinha, algo que sempre quis fazer mas nunca imaginei desta forma), “engatei” imediatamente num webinar do sector primário espanhol a que vi juntarem-se pessoas de todo o mundo. À hora de jantar estava cansada e apeteceu-me que alguém cozinhasse para mim — uma novidade. Telefonemas, bons, sempre bons. A sorte de ter estas pessoas na minha vida chega a comover-me. Parei, cozinhei, jantei com o meu filho e embrenhei-me na leitura de coisas que já eram importantes mas passaram a ser urgentes sem que sequer tivesse percebido ou me preocupasse muito com isso. Deixo acontecer e acontece.</p>



<p>Uffa, que bom! Tudo “casadinho”, tudo a fazer sentido. Os assuntos a encadearem-se naturalmente. As reflexões e consequentes decisões a acontecerem de forma fácil, fluída.</p>



<p>Por volta da meia noite abro o Facebook e é-me apresentada uma “memória”. Os percebes magníficos a que tive acesso tantas vezes, pelas mãos do Pedro Magalhães, pessoa grande, que faz pesca e caça submarina na zona de Viana do Castelo, um parceiro que é um tesouro. E tenho tantos como ele. E outra vez sou atingida pela certeza de que sou uma privilegiada. Estranho não sentir saudades, não ficar melancólica, nem triste nem preocupada. Nada a não ser alegria. </p>



<p>Afinal tomamos muitas decisões sem percebermos que o estamos a fazer. Parece que decidi olhar para trás apenas para ir buscar “reservas de felicidade” e entender que pessoa sou. (“Reserva de felicidade” era a expressão que usava quando os meus filhos eram pequeninos e, naturalmente, estavam em fase de aprenderem a lidar com os seus sentimentos — e estamos sempre. Tentei passar-lhes a ideia de que tudo faz parte da vida. Pretendia que eles entendessem que não deveriam considerar momentos maus como o normal e os bons como excepções. Queria que prestassem muita atenção aos momentos felizes para que os pudessem guardar e transformar nessa dita reserva, a que voltamos para nos lembrarmos do que queremos que seja o normal e ganharmos resistência, força e clareza mas acima de tudo vontade para sair do momento mau)</p>



<p>Ontem percebi que tenho uma enorme reserva de felicidade.<br><br>O camião não pode voltar vazio.<br><br>A ouvir os homens e mulheres da agricultura e pecuária retive uma frase, no meio de tantas coisas importantes — o camião não pode voltar vazio.<br>Um agricultor dizia que temos de cuidar uns dos outros. Que se preocupa muito com o sector dos transportes, por exemplo. O sector primário está a fazer a parte que lhes toca mas precisa de todos os outros a funcionarem bem e a conseguirem sair disto também bem. O camião tão necessário para levar horto-frutícolas do campo à cidade, de um país ao outro não pode voltar vazio. Se acontecer vai falir. Portanto temos que cuidar também da actividade de transformação para que na volta carreguem, por exemplo, papel, e a sua empresa se mantenha acima da linha de água. Salto mental imediato para a restauração e hotelaria. Serviços. Dependentes de tudo e de todos. Se pensarmos e atuarmos sozinhos não pensamos nada nem chegamos a lado nenhum. O que podemos fazer? Começar por ajudar os nossos clientes e os nossos parceiros para que eles fiquem bem e acima da linha. Depois será depois e o camião voltará com carga.</p>



<p>Fiz muitas coisas menos cozinhar. E estou bem com isso. Satisfeita mesmo. Quem me diria isto há uns dias apenas?</p>



<p>E pronto. Fecho o dia, já num outro dia, segundo o relógio e o calendário, satisfeita. Como decidi não decidir, as coisas vão acontecendo em mim e no mundo. Estou satisfeita por ter conseguido viver um dia AGORA e em que o passado é só isso,  uma base mas não um lugar de regresso.</p>



<p>Se vai correr bem? Claro que vai. O “bem” é que mudou. E nós também. </p>



<p>P.S. O Pedro Magalhães, como tantos outros no sector primário, paga as suas contas com o que vende. E continua a ir ao mar. Entrega em casa. Ele e os outros. E precisamos deles assim e bem, agora e depois. Telefonem. A ele e aos outros. AGORA.</p>
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		<title>#resistir Margarida Rego: Diário de uma cozinheira no Porto #5</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2020 12:18:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Foi-me dada a oportunidade de parar, olhar em volta e olhar para dentro de mim. Surgiu uma vontade ainda maior de viver.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/resistir-margarida-rego-diario-de-uma-cozinheira-no-porto-5/">#resistir Margarida Rego: Diário de uma cozinheira no Porto #5</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não quero morrer.</p>



<p>Não quero que ninguém me morra.</p>



<p>Um dia, a propósito de amores e desamores, um irmigo (amigo-irmão) disse-me que eu sou demasiado intensa. Talvez seja. É o que sou, para o bom e para o mau. Vivo intensamente, sim.</p>



<p>Tenho uma profissão que junta amor e paixão, dois filhos que, além de amar, admiro e um bom punhado destes irmigos. Um tesouro, portanto. Foi-me dada a oportunidade de parar, olhar em volta e olhar para dentro de mim. Surgiu uma vontade ainda maior de viver. Tenho tanto por fazer e agora com energia e consciência renovadas, agigantadas. É nascer de novo mas já adulta.&nbsp;</p>



<p>Não, não quero morrer e estou tão curiosa!</p>



<p>O que terá mudado em mim este intervalo forçado?&nbsp;</p>



<p>Que cozinha farei agora, depois?</p>



<p>E as outras pessoas como se sentirão, como sentirão a vida, os sabores, os cheiros e os sorrisos? Renasceram também, tenho a certeza. Que farão e como farão?</p>



<p>Lá fora o jasmim carregado de flores brancas, perfeitas. Gosto tanto da primavera.</p>



<p>Tenho pressa!&nbsp;</p>



<p>Agora que finalmente abrandamos tenho pressa.</p>



<p>Não faz sentido cozinhar se não for para alguém. E eu amo cozinhar. Preciso de cozinhar.</p>



<p>Sabemos que nos vão morrer pessoas. Sabemos que podemos morrer e nós somos também pessoas de alguém. E como se lida com isto?</p>



<p>Se morrermos o mundo segue. Pouco ou nada muda. Ah lição práctica, caraças&#8230;</p>



<p>Eu sei que não quero morrer e sei que tenho pressa.</p>



<p>Quero voltar a mergulhar, ver ovelhas nascer, fazer manteiga e assar pão. Quero provar o vinho novo e assar castanhas. Quero ver o sol nascer depois de uma noite presa a um livro. Quero cozinhar e amar.</p>



<p>Quero provocar sorrisos e memórias boas (obrigada Tiago!)</p>



<p>Se me safar vou morrer mas feliz, a cozinhar, viajar e abraçar tudo e todos, até à última gota, grata.</p>



<p>Até lá podem ficar todos em casa, por favor? Vão fazer-me muita falta.</p>
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		<title>#resistir Margarida Rego: Diário de uma cozinheira no Porto #4</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Mar 2020 17:16:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>As cabeças, os corações, as mãos e as almas acordaram e meteram as mãos na massa. É disso que se trata esta coisa quase irracional de ir a correr fazer pão como se disso dependesse a sobrevivência. E depende.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/resistir-margarida-rego-diario-de-uma-cozinheira-no-porto-4/">#resistir Margarida Rego: Diário de uma cozinheira no Porto #4</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A minha mãe fez pão.</p>



<p>Hoje (ainda) é dia 20. Ontem falei com a minha mãe. Está segura e nada lhe falta. Prometeu não sair mais de casa e eu preciso de acreditar que não sairá. Pode ter pão fresco todos os dias. O meu irmão vive a cinco minutos (a pé) da sua casa e a meio caminho está a padaria. Quase no fim diz-me, com um sorriso rasgado na voz: — &#8220;Hoje fiz pão! Muito. Há tanto tempo que não fazia&#8230;&#8221;</p>



<p>Respirei. Quis tanto estar lá! E consegui dormir.</p>



<p>Hoje eu fiz pão.</p>



<p>Que disparate! Tenho tanto pão bom acabado de comprar e já a congelar.</p>



<p>Mas fiz pão. E tomei decisões para o futuro.&nbsp;</p>



<p>Abro o Facebook depois de horas e horas ao telefone.</p>



<p>Muitos cozinheiros estão em casa. Fizeram pão.</p>



<p>Eis o sinal de que tudo vai ficar bem!</p>



<p>As cabeças, os corações, as mãos e as almas acordaram e meteram as mãos na massa. É disso que se trata esta coisa quase irracional de ir a correr fazer pão como se disso dependesse a sobrevivência. E depende. É uma acção do que somos na alma. Fazemos o nosso próprio pão, alimento da alma, com a alma. E seguimos.</p>



<p>Resistimos. Agimos. Sabemos.</p>



<p>Sabemos sempre mais quando desligamos o neurónio e ligamos aquilo a que costumo chamar “fígado” (não sei porquê mas é onde imagino o meu “centro”, uma coisa quase animal, a essência, sei lá). </p>



<p>É por isto que vai correr tudo bem — voltamos a ser pessoas.</p>



<p>São estas as — TODAS — que vão recomeçar. Reconstruíram-se e estão mortinhas por começar a construir porque reconstruir já não é possível. Tudo é novo e elas também. E tudo o que farão daqui para a frente será melhor.</p>



<p>Eu sei, com a mesma alma, que todos eles quiseram dividir o pão que fizeram quando o tiraram do forno.</p>



<p>Tudo é maior e melhor quando partilhado e essa é a essência de ser cozinheiro.</p>



<p>Siga a vida, que temos pressa!</p>
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		<title>#resistir Margarida Rego: Diário de uma cozinheira no Porto #3</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2020 18:26:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lidamos com a nossa humanidade de formas tão diferentes. É este o momento em que mais próximos estamos e logo por esta razão.</p>
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<p>Ok. Então é isto: Somos um país de pessoas extraordinárias.</p>



<p>Menos de uma semana depois do anúncio da calamidade, saímos do buraco e reagimos. Por todo o lado exemplos de civismo, de decência, de coragem.</p>



<p>As pessoas maravilham-me. E é nisto que acredito. É por isto que acredito.</p>



<p>Incluo-me num grupo profissional que está a passar um inferno. Não tanto pelo momento presente, exigente mental e emocionalmente, mas mais pelo que sabemos que vai ser, não sabendo nada. E aí está o problema maior &#8211; não saber. Não sabendo, não conseguimos começar a preparar o regresso. Estamos habituados a prever cenários, a liderar, a preparar soluções, a agir. E agora estamos parados. Não podemos nada. Quase nada.</p>



<p>E queremos fazer coisas. Queremos ajudar. Queremos tanto participar na alteração disto. É o que nos mata mais.</p>



<p>Lidamos com a nossa humanidade de formas tão diferentes. É este o momento em que mais próximos estamos e logo por esta razão. Bolas. Percebemos e respeitamos as diferenças e entendemos que todos estão a viver o momento mais difícil das suas carreiras. Somos patrões, empregados, independentes. Cada um com o seu desafio mas começamos a estar juntos. Que bom!</p>



<p>Somos agora mais pessoas e melhores do que éramos há uma semana.<br>E confessamo-nos uns aos outros assustados, frágeis. Humanos.</p>



<p>Mas vemos mais. Olhamos o resto da “nossa rua”. Os nossos parceiros e fornecedores, o barbeiro, a cabeleireira, o agente de seguros, a peixeira. Pessoas. O país todo. O mundo.<br>Ainda virá a América do Sul e a África. Pois… caraças!</p>



<p>Mas hoje…&nbsp;</p>



<p>Hoje fui ao supermercado. As pessoas quase todas civilizadíssimas, simpáticas, empáticas. Inúmeras demonstrações de que somos fantásticos e vamos dar a volta a isto.</p>



<p>Mas hoje….</p>



<p>“Hoje é-me mais difícil ser optimista do que ontem. Mas porquê se vejo as pessoas mais serenas e unidas?” Pensava há pouco.</p>



<p>E veio um telefonema. E percebi.</p>



<p>Desta vez fui eu quem recebeu apoio, do nada. Soube tão bem. Estava mesmo a precisar. Estou cansada.</p>



<p>Não é isto maravilhoso?</p>



<p>Continuo sem saber o que vai ser ou o que fazer. Sei que vai ser difícil.</p>



<p>Mas é tudo novo e vai correr bem.<br></p>



<p>P.S. Já disse hoje que estou muito orgulhosa destas novas pessoas?</p>
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		<title>#resistir Margarida Rego: Diário de uma cozinheira no Porto #2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2020 12:04:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Será que é desta que percebemos não só da justiça moral mas também da necessidade da melhor distribuição de recursos? Quero dizer a nível mundial, extrapolando do que nos toca mais directamente - a nossa família, a comunidade, a cidade, o país, o continente.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A força do elo mais fraco.<br>Os agricultores.<br>O eu, o nós, o eu em nós e o nós em mim.<br>O momento das pessoas serem Pessoas.<br>O abrir de olhos. O escancarar de caracteres, de fundos.<br>O Facebook e os egos.</p>



<p>As pessoas, porra, as pessoas!</p>



<p>Será que é desta que percebemos não só da justiça moral mas também da necessidade da melhor distribuição de recursos? Quero dizer a nível mundial, extrapolando do que nos toca mais directamente &#8211; a nossa família, a comunidade, a cidade, o país, o continente.</p>



<p>A força de uma corrente. O elo mais fraco. O acesso a condições de saúde e recursos médicos e hospitalares pelo mundo todo, em todos os países e como nos afecta.<br>PUM!<br>De repente, do nada, tudo mais claro do que água cristalina em ribeiro de montanha pouco visitada por humanos.</p>



<p>A consciência da inter-dependência. Tudo e todos.<br>O medo da fome &#8211; o maior de todos.</p>



<p>Um grupo de micro-cervejeiros portugueses reuniu 100.000 litros de ácido peracético e quer entregar onde fizer falta. E faz. Precisam de embalagens.<br>Há fábricas de têxteis a produzir máscaras.</p>



<p>Os prédios, os bairros, as freguesias organizaram-se para entregar bens a quem precisa e não tem.</p>



<p>Nada voltará a ser como era. Ainda bem.<br>Sairemos melhores pessoas de tudo isto.&nbsp;</p>



<p>Passamos a ver mais e melhor. Não é só o tempo que temos, de repente. É a consciência. </p>



<p>E ainda bem que os agricultores não precisam nem podem passear os seus egos pelo Facebook. Estão ocupados. A vida segue.<br>A primavera chegou mais cedo. “que se #%## o calendário”, disse. E veio.<br>Para nós será mais tarde, mas estaremos em condições de ver, fazer e sentir a festa.<br>SIGA!</p>
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		<title>#resistir Margarida Rego: Diário de uma cozinheira no Porto #1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2020 16:29:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há uma semana diziam-me da escola onde dou aulas para não ir. Os meus meninos do 10ºB não teriam aulas de cozinha. Nem os outros - nada. Por prevenção, todos em casa!</p>
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<p>Há uma semana diziam-me da escola onde dou aulas para não ir. Os meus meninos do 10ºB não teriam aulas de cozinha. Nem os outros &#8211; nada. Por prevenção, todos em casa! A escola é privada e não havia indicações para tal. Achei bem, responsável e corajoso. Haveria de ver muitos mais actos de coragem mas ainda não sabia.</p>



<p>Aconteceu durante uma reunião em que preparava um grande jantar, na minha terra, no meu Minho. Seria uma celebração da vida, da gastronomia, da cultura toda. Sentia a energia da primavera e o cheiro do mar na praia norte a correrem soltos por todas as minhas células. Tudo o que ia acontecer entre Março e Abril &#8211; Abrantes e a Ordem, a Porto Food Week, encontros e jantares privados com pessoas que amo (sim, AMO) nesta nossa actividade de doidos enquanto me preparava para “O Grande Projeto”. Tudo me alimentava de energia vital.</p>



<p>Depois…<br><br>De terça a sexta já nem me lembro. Desapareceu tudo menos a essência. Efeito do muro no nariz que levamos todos. Reforço &#8211; todos. E o exercício mudou. Um diário? E o que tenho andado eu a fazer? Percebo agora o que tenho feito nestes quatro dias alucinantes (só passaram quatro dias, pasmo). Tentar perceber e perceber-me, manter-me inteira, ouvir, apoiar, ajudar, dar força quando preciso de força. Repensar tudo. Sentir os outros.<br>(O O.C. está tão quieto… Está na merda, de certeza. Ele, a força motriz em pessoa. Telefonema. Nada. Mensagem finalmente. Confirma-se.; O P. “fechou”. Estará a recentrar-se e vai reagir e tirar um coelho da cartola… AJ. o P.C., o Gui, tantos. As pessoas…)</p>



<p>Assisto a todo o tipo de reações. Adoro umas , detesto outras, pasmo com muitas. Calma. São todos pessoas. Eu também. Cada um com o seu inferno. Merda!</p>



<p>Ao terceiro dia alguma lucidez. União. Entendimento. Respeito. Cooperação.<br>Unem-se, acalmam-se mutuamente. Apoiam-se. Gosto. Gosto tanto, porra!<br>E o que vai ser agora? Agora não &#8211; depois. Eu só sei que será tudo novo. Nós também. É o que sei. Só passaram quatro dias. Serenemos agora. Atuaremos todos juntos como e quando pudermos. No fim celebraremos. Mas ainda não. Por agora resistimos.</p>



<p>O jantar que preparámos (o J., a R, o P. e eu) tem nome.<br>“HaBemos de Sentir Biana”<br>E habemos, carai, habemos!</p>
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