Ok. Então é isto: Somos um país de pessoas extraordinárias.
Menos de uma semana depois do anúncio da calamidade, saímos do buraco e reagimos. Por todo o lado exemplos de civismo, de decência, de coragem.
As pessoas maravilham-me. E é nisto que acredito. É por isto que acredito.
Incluo-me num grupo profissional que está a passar um inferno. Não tanto pelo momento presente, exigente mental e emocionalmente, mas mais pelo que sabemos que vai ser, não sabendo nada. E aí está o problema maior – não saber. Não sabendo, não conseguimos começar a preparar o regresso. Estamos habituados a prever cenários, a liderar, a preparar soluções, a agir. E agora estamos parados. Não podemos nada. Quase nada.
E queremos fazer coisas. Queremos ajudar. Queremos tanto participar na alteração disto. É o que nos mata mais.
Lidamos com a nossa humanidade de formas tão diferentes. É este o momento em que mais próximos estamos e logo por esta razão. Bolas. Percebemos e respeitamos as diferenças e entendemos que todos estão a viver o momento mais difícil das suas carreiras. Somos patrões, empregados, independentes. Cada um com o seu desafio mas começamos a estar juntos. Que bom!
Somos agora mais pessoas e melhores do que éramos há uma semana.
E confessamo-nos uns aos outros assustados, frágeis. Humanos.
Mas vemos mais. Olhamos o resto da “nossa rua”. Os nossos parceiros e fornecedores, o barbeiro, a cabeleireira, o agente de seguros, a peixeira. Pessoas. O país todo. O mundo.
Ainda virá a América do Sul e a África. Pois… caraças!
Mas hoje…
Hoje fui ao supermercado. As pessoas quase todas civilizadíssimas, simpáticas, empáticas. Inúmeras demonstrações de que somos fantásticos e vamos dar a volta a isto.
Mas hoje….
“Hoje é-me mais difícil ser optimista do que ontem. Mas porquê se vejo as pessoas mais serenas e unidas?” Pensava há pouco.
E veio um telefonema. E percebi.
Desta vez fui eu quem recebeu apoio, do nada. Soube tão bem. Estava mesmo a precisar. Estou cansada.
Não é isto maravilhoso?
Continuo sem saber o que vai ser ou o que fazer. Sei que vai ser difícil.
Mas é tudo novo e vai correr bem.
P.S. Já disse hoje que estou muito orgulhosa destas novas pessoas?
