Há uma semana diziam-me da escola onde dou aulas para não ir. Os meus meninos do 10ºB não teriam aulas de cozinha. Nem os outros – nada. Por prevenção, todos em casa! A escola é privada e não havia indicações para tal. Achei bem, responsável e corajoso. Haveria de ver muitos mais actos de coragem mas ainda não sabia.
Aconteceu durante uma reunião em que preparava um grande jantar, na minha terra, no meu Minho. Seria uma celebração da vida, da gastronomia, da cultura toda. Sentia a energia da primavera e o cheiro do mar na praia norte a correrem soltos por todas as minhas células. Tudo o que ia acontecer entre Março e Abril – Abrantes e a Ordem, a Porto Food Week, encontros e jantares privados com pessoas que amo (sim, AMO) nesta nossa actividade de doidos enquanto me preparava para “O Grande Projeto”. Tudo me alimentava de energia vital.
Depois…
De terça a sexta já nem me lembro. Desapareceu tudo menos a essência. Efeito do muro no nariz que levamos todos. Reforço – todos. E o exercício mudou. Um diário? E o que tenho andado eu a fazer? Percebo agora o que tenho feito nestes quatro dias alucinantes (só passaram quatro dias, pasmo). Tentar perceber e perceber-me, manter-me inteira, ouvir, apoiar, ajudar, dar força quando preciso de força. Repensar tudo. Sentir os outros.
(O O.C. está tão quieto… Está na merda, de certeza. Ele, a força motriz em pessoa. Telefonema. Nada. Mensagem finalmente. Confirma-se.; O P. “fechou”. Estará a recentrar-se e vai reagir e tirar um coelho da cartola… AJ. o P.C., o Gui, tantos. As pessoas…)
Assisto a todo o tipo de reações. Adoro umas , detesto outras, pasmo com muitas. Calma. São todos pessoas. Eu também. Cada um com o seu inferno. Merda!
Ao terceiro dia alguma lucidez. União. Entendimento. Respeito. Cooperação.
Unem-se, acalmam-se mutuamente. Apoiam-se. Gosto. Gosto tanto, porra!
E o que vai ser agora? Agora não – depois. Eu só sei que será tudo novo. Nós também. É o que sei. Só passaram quatro dias. Serenemos agora. Atuaremos todos juntos como e quando pudermos. No fim celebraremos. Mas ainda não. Por agora resistimos.
O jantar que preparámos (o J., a R, o P. e eu) tem nome.
“HaBemos de Sentir Biana”
E habemos, carai, habemos!
