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	<title>Armando Fernandes, Autor em Etaste</title>
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	<description>Um portal para todos os amantes e profissionais de gastronomia</description>
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	<title>Armando Fernandes, Autor em Etaste</title>
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		<title>Armando Fernandes: Cozinha dos pobres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Dec 2020 11:52:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história da alimentação Ocidental é robusta, rica e substanciosa no tocante ao engenho da «multiplicação dos pães» entenda-se dos produtos desconsiderados na génese matricial da nona arte – a gastronomia – só passíveis de atenção pelas donas de casa onde é dada ampla validade ao conhecido anexim – a necessidade aguça o engenho.</p>
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<p>A história da alimentação Ocidental é robusta, rica e substanciosa no tocante ao engenho da «multiplicação dos pães» entenda-se dos produtos desconsiderados na génese matricial da nona arte – a gastronomia – só passíveis de atenção pelas donas de casa onde é dada ampla validade ao conhecido anexim – a necessidade aguça o engenho. </p>



<p>As notícias referentes ao quadro social suscitado pela pandemia informa o crescente aumento da população caída em circularidades de amarga penúria, a mastigarem o pão que o Diabo amassou, a ser obrigada a solicitar ajuda alimentar em géneros e refeições fornecidas por Instituições díspares quantas vezes confeccionadas à <em>Lá Diable</em>, não por malvadez. Sim porque a falta de formação, a míngua de conhecimentos culinários e o conformismo com o – deixa andar – resulta em comeres monótonos. Repetitivos e sensaborões.</p>



<p>Como alguns sabem o tema <em>Pobreza</em> tem inspirado incisivos e bem fundamentadas obras, algumas dela de matriz portuguesa. Pois bem, os grandes cataclismos motivaram e podem motivar profundas alteridades no que tange a alimentos e práticas culinárias a todos os níveis, pensemos na invasão dos bárbaros, na saga dos descobrimentos e achamentos, na Revolução Francesa, na descolonização e mais recentemente na globalização. Pois bem, em época de todos chorarmos sobre o Mundo, sobre os mortos vítimas da pandemia, em época de aguçado retraimento na frequência de restaurantes e casas de comeres, sobra tempo para cozinheiros e estudiosos da História da alimentação ajustarem os olhares sobre a cozinha das <em>dificuldades</em> não só no binómio restauração/hotelaria bem como no cada vez maior nicho da forçada penúria com a finalidade de os produtos de menor relevo virem a enriquecer os receituários reabilitando-os abandonando o estigma de «rascas», dos pobres de pedir, para das cozinhas de solidariedade ascenderem às cozinhas contemporâneas num duplo objectivo: rejuvenescimento das cartas gastronómicas e embaratecimento das refeições com consequente aumento de procura. Os <em>chefes </em>Óscar Gonçalves e Rodrigo Castelo exemplificam o sucesso dessa opção.</p>
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		<title>Armando Fernandes: Tacos de bacalhau e vinhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Nov 2020 12:12:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Armando Fernandes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na altura, qual pavão de penas verdadeiras, provava e voltava a provar, na tentativa de ascender à categoria de honesto opinante crítico de vinhos, sobrou o propósito da honestidade, algumas particularidades gustativas, no que tange à sageza crítica aos costumes digo nada.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há dias, uma pessoa que muito estimo, enviou-me via vídeo com imagens de promoção de vinhos, contendo vários elementos relativos à cultura deste marco civilizacional a todos os títulos, até no âmago da lucidez, a contrariar as infindáveis jocosidades deslizantes das consequências de excessiva ingestão dos néctares gerados nas vinhas. A pessoa pedia a minha opinião ante o visto, perscrutado e observado. Anui à simpática solicitação, no entanto, no tocante aos tem-te em pé comestíveis, coadjuvantes das provas, escrevi que gosta de ter visto, salientes e <em>altaneiros</em>, tacos de bacalhau.</p>



<p>Porquê tacos de bacalhau cru? Porque há um carro de anos tive a possibilidade de conviver com um experimentado provador/comprador de vinhos finos, o qual nas suas andanças pelo Douro reservado aos que sabem onde encontrar os tais vinhos finos, generosos, antes de entrarem no circuito comercial, se fazia acompanhar por pequenos tacos de bacalhau azulado a exibirem minúsculos cristais reluzentes que após a prova de um vinho licoroso ou colheita tardia, resulta num contraste a enunciar virtudes e pecados da colheita objecto de apreciação.</p>



<p>Na altura, qual pavão de penas verdadeiras, provava e voltava a provar, na tentativa de ascender à categoria de honesto opinante crítico de vinhos, sobrou o propósito da honestidade, algumas particularidades gustativas, no que tange à sageza crítica aos costumes digo nada.</p>



<p>Os conselhos do peregrino vinhateiro não caíram em saco roto, tenho procurado leva-los à prova, sempre que tenho possibilidades ensaio o contraste bacalhau/vinhos sejam fortificados ou não, o exercício concede-me satisfação, por isso mesmo, atrevo-me a escrever a boa qualidade das colheitas tardias da chancela TEJO e dos licorosos que degusto sensatamente porque o desvio da norma adicionado ao aumento de graduação dos vinho destas categorias originam as mofinas aleivosias contra o vinho, pagando o justo (o vinho) pelo pecador (shots) tiros de bebedeira repentina a par de beberagens de semelhante teor.</p>
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		<title>Armando Fernandes: Confrarias. Que futuro?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2020 20:52:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Armando Fernandes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O momento é mau, análise profunda e ponderada do universo das confrarias impõe-se. Se assim não acontecer ficarão meia dúzia ao modo de animais a preservar em território ou reserva de exposição museológica de um Mundo que nós perdemos!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O futuro pós pandemia está bem guardado na sacola dos Deuses do Olimpo. Por assim ser, e é, estamos ante rotunda asneira de dispersão dos remates falsos tal qual as amêijoas vendidas como cristãs quando apenas são maliciosas no tamanho e secas ao modo de seios dependurados desprovidos de turgidez assemelhando-se a espigas de milho sem bagos. Tudo isto para escrever: as Confrarias gastronómicas no seu todo correm o sério risco de a maioria soçobrarem no rio repleto de poços fundos, traiçoeiros porque aparentam quietude de águas mansas, quando no âmago estão impregnadas de vírus ameaçadores da vida de grande parte dos confrades na justa medida de carregarem nos ombros dezenas e dezenas de anos, no corpo todo patologias a aumentarem a sua situação de risco, daí a profilaxia e normativos sanitários recomendarem confinamento quais bonzos em oração silenciosa, nada de beijos e abraços, distanciamento respiratório, mãos caídas até ao fim das mãos lavadas previamente, a todo o tempo, sendo terminantemente interdito meter o indicador nos bolos e nas compotas.</p>



<p>Maioritariamente idosos e idosas, tremendo de medo, angustiados por não se vislumbrarem antídotos fiáveis a curto prazo, o cordão umbilical das Confrarias – os denominados capítulos e mais esparsamente os congressos – cujas traves mestras assentam na convivialidade exuberante e na partilha de comeres e beberes estão maculados para todo o sempre, não há volta a dar-lhe, parafraseando o saudoso jornalista, homem de cultura, refinado gourmet, profundo conhecedor da cozinha italiana, Victor Cunha Rego «a causa das coisas» o vírus está e vai atrapalhar o nosso quotidiano e dias nomeados tal como a invasão dos bárbaros ruiu o império romano.</p>



<p>Perante tão fragorosa realidade deixo interrogações. O que vai fazer a Federação das Confrarias? Um Congresso virtual a fim de ser discutida a escalavrada realidade? Um inquérito junto das Confrarias indagador do que pensa cada uma das federadas? Encolher os ombros e deixar correr o marfim.</p>



<p>O momento é mau, análise profunda e ponderada do universo das confrarias impõe-se. Se assim não acontecer ficarão meia dúzia ao modo de animais a preservar em território ou reserva de exposição museológica de um Mundo que nós perdemos!</p>
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		<title>Armando Fernandes: O futuro da convivialidade gastronómica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2020 15:55:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O surto pandémico para lá do cortejo de vítimas, no tocante ao acto de comer fora do ambiente familiar trouxe importantes transformações a todos os níveis em geral, e nos restaurantes e casas de comer em particular.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/opiniao/armando-fernandes-o-futuro-da-convivialidade-gastronomica/">Armando Fernandes: O futuro da convivialidade gastronómica</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não sendo <em>chefe </em>sem ou com toque, não sendo especialista em artes culinárias, muito menos perito em gestão hoteleira ou de restauração, orgulho-me de na condição de apreciador de comeres escorados em bons produtos e cozinhados a preceito – com conta, peso e medida – dedicar tempo e fazenda a estudar as mutações na e da cozinha nas suas múltiplas vertentes desde as bem sustentadas até às tão excêntricas, tão estapafúrdias que não acredito nas mesmas como o malogrado Santi Santamaria não acreditava na denominada cozinha científica. O cozinheiro catalão esteve no Festival Nacional de Gastronomia e, penitencio-me, por não ter gravado as suas palavras respeitantes ao tema: a gastronomia.</p>



<p>O surto pandémico para lá do cortejo de vítimas, no tocante ao acto de comer fora do ambiente familiar trouxe importantes transformações a todos os níveis em geral, e nos restaurantes e casas de comer em particular. O futuro do universo culinário implica ou toca no da convivialidade à mesa das refeições, porque essa mesa é sinónimo de civilização.</p>



<p>Da expansividade teatral (até excessiva) do tomar «o caldo» e comer o pão amassado com o suor do rosto, passando por milhares de gerações a acabar na referida exuberância gestual e gutural nos restaurantes, os convívios deram azo a códigos de maneiras, linguagens eivadas de vocábulos saídos dos fogões e tachos, numa constante aprendizagem ora em risco de ser submersa na voragem das regras sanitárias.</p>



<p>A máscara de disfarce passou a filtro de segurança, escondendo expressividades denunciadoras de alegria, tristeza, amor, ódio e tutti-quanti em matéria de emoções. Pode-se argumentar que não comemos com a máscara colocada na boca. É verdade. Só que todo o conjunto de operações retira espontaneidade e franqueza possibilitando o escamotear de sinceridades, mesmo de halitoses a carecerem de salsa moída utilizada no passado pelas meninas casadoiras. Numa celebrada telenovela brasileira uma personagem era o Bafo de Onça.</p>



<p>Se no espaço à volta da mesa vamos dedicar tempo às máscaras, aos seus contornos estéticos e coreográficos nas salas dos restaurantes estaremos debaixo de colectiva suspeição, imagino zangas, recriminações, redobrados afastamentos, esgares de nojo, palavras sibilinas e grosseiras porque <em>diz a mãe à filha: não fiques aí porque na mesa ao lado está um velho. Diz o neto à avó: não me beijes, temos de estar longe um do outro. E, por aí fora…</em></p>



<p>A suspeição cresce como o arroz no momento de ser cozinhado, não por acaso os normativos apontam cotas de pessoas para este ou para aquele acontecimento. Os restaurantes vão acolher centenas de clientes ao mesmo tempo. Como? Sim, há o controlo de temperaturas, o gel, no entanto os convidados vindos de ali e acolá, mesmo conhecendo-se de Conrado guardam prudente afastamento cumprimentando-se de longe. A transgressão das regras já originou contaminações, sofrimento e morte. Apesar de terem acontecido há pouco tempo pergunto: lembram-se?</p>



<p>Convenções, congressos, e demais actividades do género e respectivos banquetes aumentam as inquietações dos profissionais da hotelaria e restauração, consequentemente os custos a pagar as cautelas, muito boa gente já se desprendeu de almoçar e jantar por causa das sociabilidades e, volto a perguntar: os badalados <em>especialistas</em> estão em condições de apresentar modos de solucionar este tipo de problemas sem custos exorbitantes?</p>



<p>Como muitos leitores sabem os críticos elaboram grelhas de apreciação, há grelhas para todos os gostos, no Mundo ocidental na generalidade afinam pela mesma diapasão, porém as mesmas terão de incluir as novas realidades, dispenso-me de as enumerar, os <em>especialistas </em>o farão, mas por favor não copiem. Sejam inovadores. Londres voltou aos tempos da <em>pérfida Albion</em>, Nova Iorque vive tempos aflitivos e os restaurantes estudam e testam modelos de protecção do pessoal e uso de atoalhados de tecido ou de outros materiais absolutamente seguros.</p>



<p>A peste desencadeou uma enorme tormenta no universo da gastronomia, voltarei ao tema. Os leitores amantes da Nona Arte façam o favor de pensar no futuro das Confrarias gastronómicas. O das Academias afigura-se-me mais risonho.</p>
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		<title>Armando Fernandes: O Pirolito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2020 12:19:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A maior parte da geração nascida nos anos sessenta, do marcante Maio de 68, não sabe, mas já provou uma bebida açucarada elaborada à base de xarope, açúcar e gás carbónico.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A maior parte da geração nascida nos anos sessenta, do marcante Maio de 68, não sabe, mas já provou uma bebida açucarada elaborada à base de xarope, açúcar e gás carbónico. A Internet conta a história toda e, também refere a existência de um palhaço brasileiro assim chamado, bem como restaurantes e casas de comeres, para além de outras criações baptizadas da mesma forma.</p>



<p>O que a Internet não refere é o facto de, o termo a designar a então popular bebida nas camadas populares porque além de adoçar os paladares, fosse na fórmula simples, fosse na sua junção a outras bebidas – vinho, cerveja, anis, e outros licores –, a garrafa era fechada com um berlinde de vidro maciço muito disputado pelos meninos nos jogos de precisão de entrarem em reduzidos poços escavados na terra e buracos de caixas e cestas de escassa circularidade, caso da boca do sapo. O sapo de metal tem a boca aberta e os jogadores tentam enfiar-lhe a moeda ou ficha a conceder-lhe prémio de várias expressões, normalmente, comeres e beberes.</p>



<p>O termo pirolito mercê do labor do povo na acção de deturpar o significado inicial da palavra, um reputado pedagogo dizia: «quem faz a língua são os grandes escritores, poetas, filósofos, pedagogos e teólogos, o povo deturpa-a e diversifica-a» de bebida o pirolito amontoou significações como acima referi, preferindo não aludir às pejorativas estilo: és um pirolito de merda! Não passas de um pirolito no palco da vida, vales tanto quanto um pirolito, e outras do mesmo género, além das obscenas e depreciativas de crianças e mulheres. No período áureo dos pirolitos e das festas e feiras onde as pessoas comiam sobre uma manta estendida no chão ou em tabernas improvisadas no Nordeste transmontano o epíteto de pirolito por vezes dava azo a desordens avinhadas e impropérios femininos. Sempre que ouço o vocábulo associo-o a uma zaragata tendo como génese um berlinde disputado no início do arraial da festa em honra de Nossa Senhora dos Remédios em Tuizelo, sendo tamanino e onde ajudei a servir líquidos e sólidos debaixo da vigilância de uma prima em plena floração e o irmão dela, especialista na trapalhice.</p>



<p>Seria surpreendente não ter conhecido homens apodados de pirolito e mulheres pirolitas objecto de facécias derivadas da alcunha. O perigo de chamarmos pirolito a um menino é ele nunca mais perder o chamiço.</p>



<p>A bebida continua a vender-se, ora desprovida de berlindes, emigraram todos – pequenos, grandes, reboludos, anafados, coloridos, maciços e ocos – para o esquisito mundo da comida igual em todos os lados, niveladora por baixo, digna de ser acompanhada por …pirolitos.</p>
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		<title>Armando Fernandes: Comer a sós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2020 13:25:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O título desta crónica enuncia a pulsão negativa do acto de comer, dos misantropos insociáveis, do contrário da convivialidade consubstanciada em refeições de todo o género, primacialmente símbolo de boas e/ ou estreitamento de relações.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O título desta crónica enuncia a pulsão negativa do acto de comer, dos misantropos insociáveis, do contrário da convivialidade consubstanciada em refeições de todo o género, primacialmente símbolo de boas e/ ou estreitamento de relações. E, no entanto, também eu gosto de comer sozinho, especialmente quando vou a uma casa de comeres – restaurante, pensão e hotel onde servem comida, casas de pasto (termo indiciador de pastagens…) tabernas, locandas, fast-food e correlativas –, pela primeira vez, no intuito de observar, ouvir, ver, perscrutar e cheirar as componentes do estabelecimento no qual se praticam duas obras de misericórdia: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, o vocábulo dar significa pagar.</p>



<p>Uma refeição deve ser reflectida, apurada nos detalhes, sentida e, quantas vezes sofrida, a originar fúrias estilo Bourdain, o que em comunidade não é possível a depuração, no sentido rigoroso da palavra apreciação (exame, análise, radiografia) do degustado.</p>



<p>Se tomarmos como pontos de referência um restaurante discreto, um fast-food e uma taberna popular, não é necessário deglutir aulas na Universidade Gregoriana para percebermos as gritantes diferenças. No entanto, se apertarmos as malhas dos cinco sentidos no que tange a escrutinar a comparação (odiosas diz um provérbio inglês) entre restaurantes da mesma bitola impõe-se a soledade na procura dessas mesmas diferenças.</p>



<p>Sei e tenho visto críticos a fumarem nos intervalos de substituição dos pratos e talheres, tenho observado críticos em alegre e opinativa galhofeira no decorrer de refeições posteriormente publicadas na imprensa, o que me causa negativa impressão. Aprecio pessoas que não se atribuam a si mesmo grande importância, porém defendo seriedade escorada em bons procedimentos no juízo referente ao degustado. Como muitos leitores sabem há críticos exímios a situarem o restaurante e/ou casa de comeres, a enunciarem as particularidades do soalho e do ranger de portas, «esquecendo» o essencial – a comida no que à mesma interessa – elemento principal, acompanhamentos e condimentos –, refugiando-se na mascarada da linguagem de todas as tonalidades. Muitos de nós sabem da existência de um cavalheiro perito na roupagem inglesa de especiarias e outros condimentos a fim de criar obstáculos e fingir de cosmopolita perito na arte de bem cozinhar. Perante a pandemia falaciosa aconselho tomar, de vez em quando, refeições em solitário. Porque fingir, mesmo nas artes culinárias, é fingir.</p>
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		<title>Armando Fernandes: O caviar e o rio Tejo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2020 15:54:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Segundo os especialistas o melhor caviar é dos esturjões do mar Cáspio e das espécies Beluga, Ostetra e Seviruga cujas ovas salgadas provocam intensas e inolvidáveis sensações de prazer, por isso mesmo o caviar atinge custo só acessível a nababos sejam donos disto tudo ou não.</p>
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<p>Segundo os especialistas o melhor caviar é dos esturjões do mar Cáspio e das espécies Beluga, Ostetra e Seviruga cujas ovas salgadas provocam intensas e inolvidáveis sensações de prazer, por isso mesmo o caviar atinge custo só acessível a nababos sejam donos disto tudo ou não. A última vez que deliciei o palato degustando caviar foi dádiva de uma senhora ucraniana acompanhado por «champanhe» da Crimeia. O caviar chega tarde ao cenáculo do gosto gastronómico de então – Paris – pelo esforço de dois irmãos russos que ficaram escandalizados ao verificarem o desconhecimento dos gastrónomos franceses acerca desta preciosa delicadeza estomacal. A falha era tal que no de correr da Exposição Universal de Paris em 1925, os organizadores de uma prova de várias espécies das suculentas ovas, foram aconselhados a colocarem cuspideiras ao longo das mesas no temor de os provadores cuspirem as provas.</p>



<p>O rio Tejo foi pródigo em esturjões, os pescadores de Valada do Ribatejo ofereceram ao rei Lavrador um soberbo esturjão, por seu turno o rei Dom João III foi obsequiado com um cujo peso atingiu os 275 quilos. O espanto provocado levou o rei a instruir o cronista a redigir um documento a atestar o acontecimento e depositá-lo na Torre do Tombo.</p>



<p>Agora, o rio deixou de ter esturjões para nosso pesar e prejuízo das papilas gustativas, no entanto, o cozinheiro escalabitano Rodrigo Castelo tem-se esforçado (com muito êxito) na reabilitação culinária de várias espécies ainda a viverem naquela auto-estrada civilizatória, caso da fataça ou mugem (existe uma localidade chamada Porto de Muge, do lúcio, dos linguadinhos, minúsculos camarões e ervas de tempero. Porque a pandemia tal como o Diabo tem sempre uma coisa boa, diminuíram os índices de poluição no rio, esperemos o reaparecimento pelo menos das enguias denominadas irozes já que os esturjões deixaram de se verem há séculos.</p>



<p>PS. Os sequiosos de ovas vermelhas experimentem provar as da Cantábria. E, mais não digo!</p>
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		<title>Armando Fernandes: Elitismo gastronómico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2020 10:59:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A pandemia está a provocar profundas mutações nas nossas vidas, nada escapa à virulência do cujo, no domínio das restauração para lá dos enormes prejuízos económicos veio ao de cima a normalização alimentar escorada no regresso a fórmulas muito mais simples na preparação das matérias-primas e, só no restrito âmbito das embaixadas e palácios de nababos.</p>
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<p>A pandemia está a provocar profundas mutações nas nossas vidas, nada escapa à virulência do cujo, no domínio das restauração para lá dos enormes prejuízos económicos veio ao de cima a normalização alimentar escorada no regresso a fórmulas muito mais simples na preparação das matérias-primas e, só no restrito âmbito das embaixadas e palácios de nababos. Sim, sabemos que o elitismo culinário não desapareceu das vulgatas dos chefes, no entanto, a forçada ausência de clientes e o alto custo das preparações dos pratos a apresentar leva a confinar as representações elitistas aos nichos acima referidos. O corte é muito mais profundo (até pelas circunstâncias) do que o ocorrido na sequência do triunfo da Revolução Francesa quando centenas de cozinheiros ficaram desempregados por que os patrões ou foram guilhotinados ou emigraram desprovidos das posses de outrora.</p>



<p>Muitos dos cozinheiros sem trabalho estão na origem dos restaurantes (restaurar forças) génese dos actuais e do elitismo embrulhado na citada designação <em>alta cozinha</em> origem do nacionalismo gastronómico francês que apesar de enormes progressos das cozinhas de outros países perdura (?) apesar de a França também estar a ser duramente golpeada devido ao repelente micróbio.</p>



<p>Mas o que se entende por elitismo gastronómico? Distintos pensadores; Lévi-Strauss, Goody, Harris, Jean-François Revel (limito-me a nomear quatro) de uma forma mais ou menos explicita arrumam a interrogação escrevendo o óbvio: só existe comida boa e comida má. Comida bem-feita, agradável, que nos concede prazer, além disso são fantasias. E, são, porém inúmeras fantasias a que chamo delicadezas gastronómicas nasceram de um desejo do diferente, da exquisitez de uma celebridade, da extravagância de quem pode. Exemplos destas categorias enchem dicionários, o carpaccio é exemplo acabado do triunfo gastronómico da languidez da aristocrata e do talento do fatiador da carne de vitela.</p>



<p>O carpaccio irradiou pelas cinco partes do Mundo em numerosas versões. As subsequentes versões podem-se incluir no naipe do elitismo culinário? Deixo a interrogação. Há anos um advogado especialista em direito marítimo meteu empenhos e conseguiu lugar e almoçar ao agora encerrado restaurante de Ferran Adrià. Estávamos no auge da cozinha molecular agora no sepulcro dos modismos culinários. Perguntei ao advogado experiente gourmet qual a sua opinião sobre o degustado, ele torceu-se na cadeira do restaurante onde almoçávamos, ficou-se nos lugares comuns, acabou a lastimar a pipa de dinheiro gasto. Gostava de saber quem é o crítico capaz de explicar cabalmente a especificidade gustativa da cozinha molecular? Ora, o elitismo gastronómico insolente, analfabeto envernizado, recheado citações proselitistas passeia-se em jornais bebedores do fino em língua inglesa. Se os elitistas quiserem ensaiar técnicas sugiro a leitura do manifesto futurista do fascista Marinetti.</p>



<p>Os restaurantes vão afinar práticas de modo a ultrapassarem a crise. Assim o desejo!</p>
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		<title>#resistir Armando Fernandes: Como na Fuzeta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2020 14:08:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
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		<category><![CDATA[Opinião #resistir]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na última vez que estive na Fuzeta a maré estava baixa, ensaiei uns passos nos rochedos escorregadios dada a presença de limos, nas concavidades das rochas nadavam satisfeitos pequeninos peixes.</p>
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<p>Na última vez que estive na Fuzeta a maré estava baixa, ensaiei uns passos nos rochedos escorregadios dada a presença de limos, nas concavidades das rochas nadavam satisfeitos pequeninos peixes, as minúsculas lapas suavizaram o amplexo a essas mesmas rochas, fiz o percurso inversos tendo almoçado nas imediações do areal, ovas de polvo, amêijoas cristãs e lulinhas fritas. Uma delícia refeiçoeira apimentada por conversa recheada de condimentos referentes aos algarvios onde não faltou a gozada frase: «és da Fuzeta, comes com o prato na gaveta!».</p>



<p>A astúcia nesta prática permitia aos donos das casas estarem ao abrigo de um inoportuno visitante surgir na hora das refeições e parecer mal não o convidar na maioria das vezes à parca comida dada a forçada frugalidade assentar na penúria, especialmente no Inverno, por um lado a braveza do mar impedia a pesca, por outro o mau estado dos caminhos e a acrimónia do tempo impediam a chegada de víveres à então pitoresca localidade. Os habitantes da Fuzeta carregam esta fama solerte, no entanto, os antepassados apenas partilhavam comida quando muito bem entendiam.</p>



<p>Ora, a pandemia trouxe com ela tremendas dificuldades debaixo de todos os aspectos, mormente no plano das convivialidades no patamar das degustações de comeres e beberes pois o vírus gosta de ajuntamentos de pessoas de todas as idades em geral, dos idosos em particular. Tão trágica evidência obrigará a engenhos e tomada de medidas no propósito de serem minimizados os efeitos da crueldade dos transmissores da peste, daí esta referência às mesas com gavetas usadas na Fuzeta. Os engenheiros e engenhocas depressa concebem um modelo de mesa capaz de responder às necessidades do tempo presente no tocante ao modo de futuramente refeiçoarmos em conjunto. Uma coisa é certa: o universo da hotelaria e restauração, forçosamente, terá de alterar usanças no modo de apresentar a comida, da Idade Média vem o conceito de pôr a mesa, de entender o limpo e o sujo, o quente e o frio, do mesmo modo a preparação dos alimentos porque surgiram novas realidades a exigirem reavaliação de tempos entre o conceber e chegar à mesa. E, como vai ser no respeitante a ágapes e festins colectivos: casamentos, baptizados, convenções e cerimónias correlativas. Lembro: na inauguração da ponte Vasco da Gama a celebração da obra ocupou todo o dorso suspenso da ligação entre as duas margens. Agora, seria impossível!</p>



<p>Estou ansioso em ler as propostas dos cozinheiros consultores portugueses relativamente à concepção de ratoeiras destinadas a aprisionarem as manifestações da pandemia, a prudência aconselha a levar ao extremo o aforismo: «casa roubada, trancas à porta» porque não devemos esquecer o facto de o Diabo ter disparado com…uma tranca. A da protecção? Não sei!</p>
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		<title>#resistir Armando Fernandes: Cautela!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2020 14:14:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ora, a pandemia exige-nos cautela redobrada em todas as andanças mesmo as do Demónio tal como as contidas nos dois volumes de Jorge de Sena que num País culto seriam lidas nas Escolas e Bibliotecas em virtude da qualidade da escrita e notável engenho no conteúdo.</p>
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<p>Neste tempo de tenebrosa pandemia aumentou a acuidade da frase: «cautela e caldos de galinha nunca fizerem mal a ninguém». Há quem diga e escreva – cautelas –, e o rigoroso jornalista Afonso Praça irado acrescentava: «e se as cautelas estiverem brancas?». O Afonso além de ser admirável cultor do bem falar, legou-nos obras de teor diverso, entre os quais o Novo Dicionário de Calão. Na sua Biblioteca recheada de obras autografadas e valiosos Dicionários que destruíam dúvidas e escoravam termos fora do comum empregues por ele. Oxalá estejam a recato de tentações. Toda a cautela é exígua.</p>



<p>Ora, a pandemia exige-nos cautela redobrada em todas as andanças mesmo as do Demónio tal como as contidas nos dois volumes de Jorge de Sena – Andanças e Novas Andanças do Demónio – que num País culto seriam lidas nas Escolas e Bibliotecas em virtude da qualidade da escrita e notável engenho no conteúdo. Porém, Portugal está longe de ser culto, daí a preferência à comida fast-food e não aos caldos refulgentes em odores provenientes de bons produtos e melhores cozeduras. Os receituários da cozinha popular, burguesa e nobilitada estão prenhos de receitas relativas a caldos e sopas, ou não fossem tais preparações expressões do talento dos nossos ancestrais após o Homem ter aprendido a criar e domesticar o fogo, o melhor invento desde sempre na História da Humanidade.</p>



<p>O caldos grosseiros e todas as suas derivações permitiram ao longo dos milénios sustentarem a vida dos famintos e dos deserdados da sorte, também aplacarem os distúrbios cuja causa resulta do excesso, do desvario, da extravagância dos possidentes, nababos e glutões. Não por acaso o ínclito Bartolomeo Scappi na sua monumental Obra inclui um livro onde ensina a tratar os doentes ministrando-lhe caldos, ou não tivesse sido cozinheiro de papas e cardeais. Os caldos de galinha e a cautela dietética revigoravam e revigoram os doentes de tudo, até da descrença em viver.</p>



<p>A história da alimentação está polvilhada de episódios insólitos cujo fundo encerra aforismos e reflexões morais. O autocrata Dionísio, tirano de Siracusa sabedor dos hábitos colectivos dos Espartanos que incluíam caldos servidos a todos quantos estivessem enquadrados entre os sete e os setenta anos, mandou vir para a sua corte um cozinheiro de Esparta e após a sua chegada pediu-lhe um caldo. Foi-lhe servido provocando-lhe um explosão de desagrado dado ser um composto líquido de gorduras e de sangue. Chamado o espartano à sua presença este disse-lhe: ao caldo falta-lhe tempero, falta-lhe fadiga, fome e sede!</p>
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