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	<title>Vinhos Arquivos - Etaste</title>
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	<title>Vinhos Arquivos - Etaste</title>
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		<title>Associação Portuguesa de Enoturismo apresentada online a 9 de julho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Catarina Amado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2020 17:18:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bar]]></category>
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		<category><![CDATA[Associação Portuguesa de Enoturismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Afirma ser a primeira associação em Portugal totalmente dedicada ao enoturismo e propõe-se a defender os interesses do setor. A sua apresentação realiza-se dia 9 de julho, online, através do site do projeto.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/bebidas/associacao-portuguesa-de-enoturismo-apresentada-online-a-9-de-julho/">Associação Portuguesa de Enoturismo apresentada online a 9 de julho</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p><strong>Afirma ser a primeira associação em Portugal totalmente dedicada ao enoturismo e propõe-se a defender os interesses do setor. A sua apresentação realiza-se dia 9 de julho, online, através do site do projeto.</strong></p>



<p>A recém-criada associação pretende dar expressão ao enoturismo em Portugal, afirmando-o como um setor de relevo na economia portuguesa, fomentando a sua internacionalização. Quem o afirma é Maria João de Almeida, presidente da Associação Portuguesa de Enoturismo (APENO). A <em>wine writer</em> e consultora de vinhos de profissão foi a responsável por reunir um grupo de profissionais das mais diversas áreas (financeira, legal, novas tecnologias, comunicação e marketing) para criar este projeto a fim de &#8220;apoiar os enoturismos nacionais a darem respostas eficazes a vários obstáculos que impedem o setor de evoluir&#8221;.</p>



<p>&#8220;Com esta associação queremos organizar e construir um setor, regulamentar a atividade e orientar quem se quer dedicar a esta área, porque, na verdade, o setor não está formalizado, nem em Portugal nem lá fora. Por essa razão encaro este cargo de presidente da APENO com um forte sentido de missão, sinto que podemos fazer um trabalho que inspire outros países a fazer o mesmo&#8221;, refere Maria João de Almeida.</p>



<p>Uma das primeiras ações da APENO será a realização de um estudo sobre a realidade do enoturismo em Portugal pós COVID-19, o &#8220;que permitirá perceber o cenário atual das dificuldades vividas pelo setor&#8221;. </p>



<p>Futuramente, a associação investirá na realização de <em>wine talks</em> e em formações em enoturismo, bem como, na criação de uma bolsa de emprego e de um clube dedicado aos enoturistas.</p>



<p>A apresentação do projeto será realizada online, no dia 9 de julho, quinta-feira, às 18h, e contará com a presença de Nuno Russo (Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural), Lídia Monteiro (Diretora Coordenadora do Turismo de Portugal), Bernardo Gouvêa (Presidente do IVV) e ainda Frederico Falcão (Presidente da ViniPortugal). Para assistir, é necessário inscrição prévia através do link <a href="https://enoturismodeportugal.pt/inscricoes/">enoturismodeportugal.pt/inscricoes</a>.</p>
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		<title>Sozinho em casa com Kopke Tinto Cão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2020 08:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bebidas]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos]]></category>
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		<category><![CDATA[Kopke Winemaker’s Collection Tinto Cão Douro Rosé 2019]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O vinho, que na verdade merecia todos os elogios, mostrou uma pálida cor salmão muito bonita, grande elegância nos aromas florais e de suaves frutos vermelhos, muito equilíbrio na boca entre a estrutura, a acidez, o corpo harmonioso e os taninos muito finos.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/bebidas/vinhos/sozinho-em-casa-com-kopke-tinto-cao/">Sozinho em casa com Kopke Tinto Cão</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>Dia 23 de Abril, às 11h30, a equipa da Kopke (que, fundada em 1638, disputa o título de casa mais antiga de vinho do Porto) reuniu-se virtualmente em torno das suas engenhocas electrónicas, vulgo gadgets. Previamente tinha sido convocada uma vasta assembleia de especialistas, desde jornalistas e críticos até escanções e compradores de vinhos. O objectivo , em dias de confinamento e isolamento, era proceder com o business as usual, havia um novo vinho para lançar, um vinho especial que merecia esta fanfarra: o Kopke Winemaker’s Collection Tinto Cão Douro Rosé 2019­. É apenas a segunda edição do Winemaker’s Collection, o primeiro foi um Grande Reserva branco, feito com Arinto e Rabigato, lançado em Outubro de 2019. Agora, tempos de Covid, temos um bem-vindo rosé que chega a tempo de nos desconfinarmos em soalheiras esplanadas, bem distanciados uns dos outros.</p>



<p>A plataforma utilizada foi o Zoom, e a certa altura contei 78 participantes a emitir e receber áudio e vídeo, numa sessão que deu para matar algumas saudades do tempo em que falar com as pessoas era uma coisa banal. Tecnologicamente, correu tudo muito bem. Os responsáveis da Kopke explicaram o projecto Winemaker’s Collection, liderado pelo enólogo Ricardo Macedo, que tem como mote a experimentação e a liberdade em torno dos diferentes micro-terroirs no Douro e da criatividade focada na vinificação e estágio, para criar vinhos únicos. Pena que são só 2541 garrafas, mas as experiências são mesmo assim. Correndo bem, haverá mais no futuro, talvez um vinho a lançar com mais frequência e em maior quantidade.</p>



<p>Para o vídeo-lançamento, as garrafas foram antecipadamente enviadas, e os participantes puderam refrescá-las e degustá-las nas devidas condições, em particular, acompanhando uma interessante conserva de cavala em azeite, proposta para emparelhar com o vinho, demonstrando assim a sua versatilidade. Convocados os provadores, eles não se fizeram rogados a descrever o vinho com os usuais descritores, disputando entre si a criatividade de descobrir mais um, de preferência exótico q.b. O vinho, que na verdade merecia todos os elogios, mostrou uma pálida cor salmão muito bonita, grande elegância nos aromas florais e de suaves frutos vermelhos, muito equilíbrio na boca entre a estrutura, a acidez, o corpo harmonioso e os taninos muito finos, e um final feito de delicadeza e fragrância, a confortar a alma e acender as papilas gustativas. O trabalho com a madeira foi exemplar, a dar um fumado muito discreto que valoriza o vinho sem pesar. Com um preço ao público em torno dos 20€, é um rosé ambicioso, mas mostra pergaminhos para justificar a ambição. A singularidade de ser um Tinto Cão estreme também é de louvar. A Tinto Cão é uma das 5 castas-estrela para o vinho do Porto (junto com Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz), tem virtudes que complementam as outras mas raramente aparece a solo. Com apresentação ousada, a roçar o overkill, este é um rosé para brilhar à mesa, acompanhando entradas e pratos de verão, mas também não desdenha ser bebido só por si, em clima de festa, porque a vida não espera.</p>
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		<title>Ramos-Pinto lança Duas Quintas Branco de 2019</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2020 16:48:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Este vinho é histórico no Douro, e foi tecido pela primeira vez em 1992 (o branco, o tinto é de 1990) pela mão de João Nicolau de Almeida, o famoso enólogo que está entre os pioneiros que definiram o moderno vinho do vale dourado.</p>
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<p>Este vinho é histórico no Douro, e foi tecido pela primeira vez em 1992 (o branco, o tinto é de 1990) pela mão de João Nicolau de Almeida, o famoso enólogo que está entre os pioneiros que definiram o moderno vinho do vale dourado. Duas quintas, convém contar a história, são a Quinta da Ervamoira, situada a 150m de altitude junto do rio Douro, no seu afluente Côa, e a Quinta dos Bons Ares, num raro enclave de granito em terra de xisto, a 600m de altitude junto a Sebadelhe. Entre a concentração da uvas de baixa altitude e a acidez e vivacidade das uvas da alta vem o equilíbrio procurado, por João e pelo seu tio José Ramos-Pinto Rosas, outro genial pioneiro do vinho Douro, e ambos guardiães do Vinho do Porto. Beber um Duas Quintas é honrar a história do Douro, e um prazer só suplantado pela nostalgia de visitar estes sítios mágicos.</p>



<p>Este 2019 mostra um nariz muito puro, com os minerais em primeiro lugar, depois frutas amarelas suaves, bem equilibradas por notas minerais. Na boca está cremoso, cristalino, com boa acidez e muito sabor, encorpado e cheio, final longo e envolvente.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://etaste.pt/wp-content/uploads/2020/04/Duas-Quintas-branco-2019-512x1024.jpg" alt="" class="wp-image-25189" width="227" height="454" srcset="https://etaste.pt/wp-content/uploads/2020/04/Duas-Quintas-branco-2019-12x24.jpg 12w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2020/04/Duas-Quintas-branco-2019-18x36.jpg 18w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2020/04/Duas-Quintas-branco-2019-24x48.jpg 24w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2020/04/Duas-Quintas-branco-2019-150x300.jpg 150w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2020/04/Duas-Quintas-branco-2019-200x400.jpg 200w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2020/04/Duas-Quintas-branco-2019-400x800.jpg 400w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2020/04/Duas-Quintas-branco-2019-512x1024.jpg 512w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2020/04/Duas-Quintas-branco-2019-600x1200.jpg 600w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2020/04/Duas-Quintas-branco-2019.jpg 700w" sizes="(max-width: 227px) 100vw, 227px" /></figure></div>



<p><br><br><strong>Ficha técnica:</strong></p>



<p><strong>Nome do vinho: </strong>Duas Quintas <br><strong>Região:</strong> Douro<br><strong>Tipo de vinho: </strong>Branco <br><strong>Ano: </strong>2019<br><strong>Castas: </strong>Rabigato, Viosinho, Arinto, Gouveio, Côdega<br><strong>Teor alcoólico:</strong> 13.5%<br><strong>Preço:</strong> 11.90€<br><br>Mais informações<strong> <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.ramospinto.pt/" target="_blank">aqui</a></strong>.</p>



<p><br><br></p>
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		<title>André Ribeirinho: &#8220;[As pessoas] estão a perceber que existem muitas vantagens em escolher vinhos na internet e em recebê-los em casa.&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Catarina Amado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2020 11:46:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em apenas dez dias e em plena quarentena, a equipa Adegga, encabeçada por André Ribeirinho, André Cid e Daniel Matos, fez nascer um evento digital — Portugal Wine Week — onde alguns produtores portugueses puderam apresentar, ao vivo, os seus vinhos a uma audiência profissional internacional de mais de 1.000 pessoas. Mais recentemente, criou a Adegga Market Place, uma loja online onde é possível comprar vinhos de mais de 80 produtores nacionais.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Em apenas dez dias e em plena quarentena, a equipa <a rel="noreferrer noopener" href="https://adegga.com" target="_blank">Adegga</a>, encabeçada por André Ribeirinho, André Cid e Daniel Matos, fez nascer um evento digital — <a rel="noreferrer noopener" href="https://portugalwineweek.com/" target="_blank">Portugal Wine Week</a> — onde alguns produtores portugueses puderam apresentar, ao vivo, os seus vinhos a uma audiência profissional internacional de mais de 1.000 pessoas. Mais recentemente, criou a <a rel="noreferrer noopener" href="https://adegga.com/shop/" target="_blank">Adegga Market Place</a>, uma loja online onde é possível comprar vinhos de 80 produtores nacionais.</strong></p>



<p><strong>Falámos com André Ribeirinho sobre novas opções de negócio em tempo de confinamento, os projetos do Adegga e o futuro do setor do vinho em Portugal após o fim da pandemia.</strong><br></p>



<p><strong>Quase um mês depois de ter sido declarado Estado de Emergência em Portugal, como vês o setor do vinho? Qual foi o efeito que o novo coronavírus teve imediatamente na área?</strong></p>



<p>A nível nacional, a ativação do Estado de Emergência e o consequente fecho de hotéis, bares e restaurantes teve um impacto imediato nas vendas daquele que tem sido um dos melhores canais de venda do setor do vinho. Ao mesmo tempo, a incerteza sobre o futuro daquele canal e os efeitos da diminuição do turismo empurraram o setor para o reforço de outros canais de venda já existentes (como a grande distribuição), assim como a procura de canais de vendas alternativos, como é o caso do digital.&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>O Marketplace Adegga, lançado há dias pela tua equipa, é um exemplo do que um canal alternativo e digital pode ser. Qual o conceito e como surgiu a ideia?</strong></p>



<p>O Adegga MarketPlace é uma plataforma digital que agrega lojas de vinhos de diferentes produtores, e um canal de acesso privilegiado à audiência do Adegga. Como plataforma tecnológica, o Adegga é responsável pelo marketing digital, gestão de vendas online e planeamento de logística.&nbsp;</p>



<p>Tendo surgido como ideia ainda em 2005, é com satisfação que o trazemos à luz do dia numa altura em que o mercado reúne as condições ideais para o acolher, com 80 lojas de produtor e mais de 600 vinhos.</p>



<p><strong>Das conversas que tens com produtores e gente da área, como se está a reagir a esta nova situação no setor?</strong></p>



<p>De forma muito positiva, especialmente em comparação com outros setores. Ao nível das vendas, houve uma procura imediata por canais alternativos como o digital. Simultaneamente, ao nível de comunicação, as facilidades oferecidas pelas plataformas digitais permitiram a muitos produtores começar a comunicar mais ativamente as suas marcas junto do consumidor através de provas ao vivo, packs com oferta de provas com o produtor e outras soluções inovadoras. Ainda não é possível medir o impacto nas marcas do modelo de provas ao vivo, mas a taxa de adoção dos novos meios de comunicação nunca foi tão elevada e, no geral, isso só pode ser visto como positivo dentro de um setor considerado frequentemente como conservador.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Já em tempo de confinamento, a Adegga criou o Portugal Wine Week, um evento digital que serviu de apoio aos produtores de vinho portugueses. Como surgiu a ideia?</strong></p>



<p>A Portugal Wine Week surgiu como resposta ao cancelamento da ProWein, a maior feira profissional de vinhos do mundo e local onde os produtores portugueses fazem uma boa parte dos seus contactos e vendas internacionais.&nbsp;</p>



<p>Em apenas dez dias, a equipa Adegga montou um evento digital onde foi possível aos produtores apresentarem ao vivo os seus vinhos a uma audiência profissional internacional de mais de 1.000 pessoas. Simultaneamente, a plataforma permitiu marcar e realizar mais de 100 reuniões B2B com importadores, sommeliers e outros profissionais internacionais.&nbsp;</p>



<p>O caráter pioneiro da iniciativa e a rapidez com que foi implementada em resposta a um desafio concreto fez da Portugal Wine Week um <em>case study</em> a nível global, posicionando o mercado de vinho português como um dos que mais rápida e eficazmente reagiu à pandemia e aos desafios por esta trazidos.          </p>



<p><strong>Como é que uma empresa se pode reinventar num tempo como este em que vivemos?</strong></p>



<p>O autor norte-americano Seth Godin diz que a coisa mais arriscada que podemos fazer é jogar pelo seguro. Os mercados estão cada vez mais dinâmicos. O aparecimento das novas tecnologias trouxe algumas das mudanças mais dramáticas dos últimos 20 anos, alterando a forma como comunicamos, como consumimos e como vivemos. Os desastres naturais e as alterações climáticas são realidades incertas com as quais temos de lidar todos os dias. Neste contexto, a única forma de agirmos “à prova de mudança” é sermos parte dela. Para isso precisamos de criar e gerir equipas com capacidade e liberdade para criar, partilhar e inovar. Em muitos casos, essas equipas poderão pôr em causa a forma como as empresas veem os próprios mercados onde estão inseridas. É certamente disruptivo e desafiante, mas poderá significar sobrevivência a longo prazo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Acreditas que o que estamos a passar atualmente vai ter alguma influência no setor dos vinhos no futuro?</strong></p>



<p>O mundo mudou para sempre e o setor do vinho não é exceção. A transformação digital foi acelerada a vários níveis. Muitas pessoas que nunca tinham experimentado as compras online estão agora na posição de perceber que existem muitas vantagens em escolher vinhos na internet e em recebê-los confortavelmente em casa. A comunicação digital passou a ser o meio preferido para todas as comunicações, com enormes vantagens ao nível da eficiência e da mensurabilidade do seu impacto. Os eventos de vinho, as lojas de vinho, o enoturismo e a restauração farão parte de um novo mundo, com uma nova forma de fazer negócio, motivada por um dos maiores acontecimentos da história da humanidade.</p>
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		<title>Castas mal amadas, vícios antigos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2020 16:45:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bebidas]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já conhecia e recomendo muito os brancos e rosés da casa [Quinta do Ventozelo], e então provei dois novos tintos estremes: um de Tinta Roriz (ou Aragonez, ou Tempranillo) e outro de Tinta Amarela (ou Trincadeira). Ambas são castas fora de moda, algo mal-amadas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Já conhecia e recomendo muito os brancos e rosés da casa [Quinta do Ventozelo], e então provei dois novos tintos estremes: um de Tinta Roriz (ou Aragonez, ou Tempranillo) e outro de Tinta Amarela (ou Trincadeira). Ambas são castas fora de moda, algo mal-amadas.</strong></p>
<p>Gosto muito do trabalho que a Porto Gran Cruz está a fazer na Quinta do Ventozelo. Falo de dois gigantes adormecidos. A Porto Cruz é uma das Big-5 do Vinho do Porto (junto com a Sogrape, a Symington, a Fladgate e a Sogevinus. Um minuto de Google mostra que as marcas destes produtores são as mais prestigiadas e entusiasmantes no universo da Porto DOC). Mas a Gran Cruz, pertença da multinacional francesa La Martiniquaise, não tem marcas do estatuto dos outros quatro, tendo baseado a sua dimensão no que foi durante muitos anos o maior mercado para Vinho do Porto: a França, um mercado de grande volume mas preços médios baixos. O trabalho de Jorge Dias à frente da Porto Cruz tem por isso mais mérito. Desde 2009, Dias tem vindo a fazer crescer a empresa em termos do valor das suas vendas, principalmente através de um importante aumento da integração vertical, com a compra de quintas, marcas e construção de adegas modernas no Vale do Douro (a montante em termos de produção), mas também com o desenvolvimento de uma frente turística na cidade do Porto, impressionando os clientes finais e turistas pela modernidade e bom gosto, e assim dando mais sustentabilidade ao prestígio aumentado das marcas (além da Porto Cruz tem a Dalva e a Vale de S. Martinho). Além disto, é notória a melhoria de qualidade e aumento da ambição dos vinhos da casa.</p>
<p>A compra da Quinta do Ventozelo em 2015 foi um desses movimentos estratégicos. Com 400 hectares situados junto ao Pinhão, é uma das quintas emblemáticas do Douro que tardava em mostrar o seu potencial, tendo inclusive sido notícia por uma venda abortada há alguns anos. Parte dos 200 hectares de vinhas da quinta estão a uma altitude que chega a 600 metros, o que as torna mais adaptadas para vinhos DOC Douro, já que a altitude oferece um amadurecimento mais lento que preserva os preciosos ácidos naturais da fruta e dá mais equilíbrio e leveza aos vinhos. O elegante design dos rótulos desta marca adiciona à extraordinária renovação das suas velhas vinhas. Parecem agora um magnífico jardim, oferecendo ao passante na mítica estrada EN222, aqui entre as Bateiras e a Ervedosa um espectáculo de bom-gosto e amor pela tradição e pela Natureza.</p>
<p>Já conhecia e recomendo muito os brancos e rosés da casa, e então provei dois novos tintos estremes: um de Tinta Roriz (ou Aragonez, ou Tempranillo) e outro de Tinta Amarela (ou Trincadeira). Ambas são castas fora de moda, algo mal-amadas. A Roriz mostra-se muitas vezes rija e taninosa, difícil de amadurecer na vinha e facilmente caindo em excessos pouco apreciados pelos enólogos. A Amarela também é complicada, apodrece na vinha com facilidade e quando o não faz é muitas vezes levada pelo escaldão do clima tórrido, deixando pouco para contar em termos de vinho. São por isso muito bem-vindas estas apostas da Quinta de Ventozelo, que permitem ao apreciador explorar castas que usualmente têm apenas pequenos papéis em lotes com mais varietais.</p>
<p>E esta Roriz de 2017 mostrou a maciez, elegância e textura que eu esperava do seu local de origem, com um volume bonito, taninos lustrosos e boa firmeza ácida. Um canto do olho deitado ao rótulo mal me deixou acreditar nos 15% de volume alcoólico. Uma pena pelos parâmetros objectivos, mas confesso que na degustação o vinho não sai prejudicado, se acompanhado por comida forte. Meio grau abaixo, a Tinta Amarela mostrava menos equilíbrio, apesar de bons pergaminhos também. Tinha apenas um pouco menos daquele “grip” que nos agarra a boca e faz mastigar o líquido. Frutos vermelhos, maduros, elegância e fragrância, sempre para comida, que aqui pode ser mais suave. 2017 no Douro começa a mostrar as suas qualidades e estes vinhos podem ser já degustados ou guardados um bom par de anos, uma vez que vão melhorar e tornar-se mais complexos em garrafa. Já o velho álcool excessivo, que por vezes regressa para nos assombrar, ainda se vai render pouco a pouco às novas tendências de produção e de consumo. Para podermos beber mais um copo, não menos.</p>
<p>*O autor não escreve ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico</p>
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		<title>Comissão Vitivinícola do Algarve apresenta nova imagem e estratégia para os Vinhos do Algarve</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Catarina Amado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2020 13:06:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão Vitivinícola do Algarve apresentou recentemente a nova imagem e estratégia para os vinhos do Algarve que culminou com o almoço preparado pelos chefes Nóelia Jerónimo, Rui Silvestre e Bertílio Gomes.</p>
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<p><strong>A Comissão Vitivinícola do Algarve apresentou recentemente a nova imagem e estratégia para os Vinhos do Algarve, num almoço de homenagem à região, preparado pelos chefes Noélia Jerónimo, Rui Silvestre e Bertílio Gomes — todos com ligação ao Algarve. </strong><br><br>Pode ser pouco comum associar a região algarvia ao tema dos vinhos mas o certo é que a procura pelas suas referências tem crescido significativamente e é a Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) quem o confirma, com uma evolução “bastante positiva” ao nível do número de produtores, área de vinha, produção e qualidade dos  vinhos.<br><br>Tal como explica Sara Silva, presidente da CVA, no Algarve existem quatro Denominações de Origem (Lagoa, Lagos, Portimão e Tavira) apesar de se produzirem vinhos noutras cidades, como Faro, Silves ou Albufeira. Em termos de castas, além das tradicionais, como as tintas Castelão e Negra Mole — a “casta autóctone” da região — e  as brancas Arinto e Síria, são trabalhadas ainda muitas outras, tais como as variedades Touriga Nacional e as internacionais Chardonnay ou Syrah. <br><br>Neste momento, a CVR trabalha diretamente com 45 produtores que no ano passado, comercializaram aproximadamente 1.300.000 garrafas. Cerca de 10% desse número representam vendas internacionais feitas aos mercados europeus e norte-americano. <br><br>Com a finalidade de reforçar essa imagem da região como destino vínico e produtor de referências de qualidade, parte da estratégia anunciada da entidade responsável passa por uma &#8220;maior aposta&#8221; no mercado nacional e regional. “A restauração e hotelaria do Algarve são parceiros incontornáveis dos vinhos da região, que podem oferecer mais  autenticidade com uma experiência gastronómica enriquecedora e única,  aliando os excelentes vinhos da região à excelente gastronomia algarvia”, acrescenta Sara Silva. <br><br>A nova imagem dos Vinhos do Algarve vem no sentido de “dar união à diversidade do Algarve”, explica Patrícia Conde, da Nuts, a agência de publicidade responsável pelo novo logótipo que pretende retratar aqueles que são “os principais ícones” da região: sol, gastronomia,  férias, património, tradições e praia. <br><br>Num recente almoço realizado no Espaço Espelho de Água, em Lisboa, foram apresentadas algumas referências algarvias que  harmonizaram as sugestões dos chefes Noélia Jerónimo (chefe e proprietária do restaurante Noélia, em Cabanas de Tavira), Rui Silvestre (chefe do Michelin Vistas, em Vila Nova de Cacela) e Bertílio Gomes (chefe da Taberna Albricoque, um restaurante de comida algarvia em Lisboa). Gaspacho com muxama, Canja de lingueirão e Xerém de conquilhas foram alguns dos pratos acompanhados pelos vinhos Morgado do Quintão (Palhete rosado, 2018), Marcha Légua (Malvasia Fina 2016) e Quinta do Francês (Branco 2018), respetivamente.</p>



<p>Mais informações <a rel="noreferrer noopener" aria-label="aqui (opens in a new tab)" href="https://www.vinhosdoalgarve.pt" target="_blank">aqui</a>.</p>
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		<title>Evento ‘simplesmente…. Vinho’ de volta à Invicta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Catarina Amado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Feb 2020 14:00:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nos próximos dias 21 e 22 de fevereiro, a 8ª edição do evento ‘simplesmente... Vinho’ vai juntar no Cais Novo, no Porto, 101 produtores de vinhos nacionais e internacionais. Arte, música e petiscos também estão incluídos na programação.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong>Nos próximos dias 21 e 22 de fevereiro, a 8ª edição do evento ‘simplesmente&#8230; Vinho’ vai juntar no Cais Novo, no Porto, 101 produtores de vinhos nacionais e internacionais. Arte, música e petiscos também estão incluídos na programação.</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
<div style="padding: 10px; background: #F3F3F3; width: 50%; float: right; margin-left: 20px; margin-bottom: 20px;">
<p style="color: #00c6a5;"><strong>+ info<a href="http://simplesmentevinho.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><br />simplesmente&#8230; Vinho</a></strong></p>
<p><strong>Morada: </strong><span class="LrzXr">Cais Novo. Rua de Monchique, 120. Porto.</span><br /><strong>Datas/Horário: </strong><span class="LrzXr zdqRlf kno-fv">21 e 22 de fevereiro das 16h às 21h30. </span><a href="http://simplesmentevinho.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><br /></a><strong>Preço: </strong>20€ com direito a copo de prova. Para quem quiser petiscar ou beber vinho a copo no bar à responsabilidade d’Os Goliardos, há senhas de 3€ e 5€ a serem vendidas no local.</p>
</div>
<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A ideia de organizar o primeiro salão <em>off</em> do Porto — mostra de produtores de vinho alternativa dedicada a referências mais exclusivas, unidas por um tema (como a região, o modo de trabalhar ou o tipo de vinho) — surgiu numa viagem a França, em 2013, enquanto João Roseira, idealizador do &#8216;simplesmente&#8230; Vinho’ e o produtor de vinhos Mateus Nicolau de Almeida estavam a participar no reconhecido <em>Haut Les Vins</em>. “Pensámos que teria piada fazer o mesmo em Portugal. O Mateus sugeriu logo um espaço, a cave da Skrei, um atelier de arquitetura orgânica, na Ribeira. Acabei por visitá-la e foi o clique”, começa por explicar João. Duas semanas depois, com a colaboração de 16 produtores ou <em>vignerons</em> [produtor artesanal, muitas vezes biológico ou biodinâmico, que faz de tudo: na vinha, na adega, no marketing e comercialização, dando a cara pelos seus vinhos], organizaram uma bem-sucedida primeira edição daquilo que seria o ‘simplesmente&#8230; Vinho”, ao qual se seguiram mais seis.<br /><!-- /wp:paragraph --></p>

<!-- wp:paragraph -->
<p>A lógica é sempre a mesma, todos os anos são convidados vários produtores (este ano são 101)  que fazem da barrica a sua montra de produto. E, tal como um verdadeiro<em> vigneron</em>, dão a cara pelos seus vinhos, num clima descontraído e de celebração. O que difere de ano para ano é, além dos produtores presentes, o país convidado que este ano é os Estados Unidos. Ao longo dos dois dias, além dos visitantes terem a oportunidade de provar vinhos desse país — com a presença de Joe Swick, um produtor de vinhos oriundo de Portland, Oregon e que usa uvas nacionais em alguns dos seus vinhos — vai ser possível conhecer também uma seleção de rótulos provenientes de Portugal, Espanha e França.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Desde o seu início que este é também evento que abraça outras causas e artes como a música, com concertos dos Thee Magnets (dia 21) e dos The VineRoots Jam Session (dia 22); a pintura e a escultura com exposições por parte cinco de artistas com a curadoria de Nuno Pinto Leite da galeria Ela Vai Nua; e, claro está, a gastronomia. Ao longo do evento, a acompanhar a bebida na zona de restauração vão estar propostas dos restaurantes Delicatum (Braga), Carvão (Vila Nova de Gaia) e Oficina dos Rissóis (Porto). Ligado ao ‘simplesmente&#8230;Vinho’ vai ainda acontecer um jantar a quatro mãos, com Leopoldo Garcia Calhau (Taberna do Calhau, Lisboa) e Luís Américo, na Typographia Progresso, dia 21, às 22h. O menu será acompanhado por 12 vinhos. O custo por pessoa é de 65€.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>“Apreciar vinhos e petiscos vai muito para além dos sabores, aromas, texturas. Há muita emoção. No &#8216;simplesmente&#8230; Vinho&#8217; pretendemos dinamizar as emoções. Um bom quadro, uma boa fotografia ou escultura, enfim, uma peça de arte e uma boa canção podem sublimar um vinho”, afirma João Roseira.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Durante a iniciativa, decorre ainda a apresentação do livro &#8216;The Dirty Guide to Wine: Following Flavor from Ground to Glass&#8217; com a presença da co-autora, Pascaline Lepeltier, a única mulher MOF (<em>Meilleur Ouvrier de France</em>) na categoria sommelier.</p>
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		<title>Legado 2014: a memória viva de Fernando Guedes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Nov 2019 12:25:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Sogrape lançou o seu mais recente topo de gama para o mercado onde as as ligações semânticas são múltiplas e trazem todas apelo sentimental.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A palavra e o conceito de legado têm um apelo imediato que é muito fácil justificar no mundo dos vinhos. No caso do mais recente topo de gama da Sogrape, lançado para o mercado pela primeira vez na colheita de 2008, as ligações semânticas são múltiplas e trazem todas apelo sentimental.  </p>



<p>O Douro tinto Legado foi idealizado por Fernando Guedes, filho de Fernando van Zeller Guedes (fundador da Sogrape) e pai de Fernando Cunha Guedes, actual presidente do grupo. O seu criador, enólogo de formação e trabalhador incansável até ao último dia da sua vida, que terminou recentemente, observou uma das mais antigas vinhas da Sogrape, a vinha velha da Quinta do Caêdo, perto de Ervedosa, e o seu espírito irrequieto e criativo não pôde deixar de se interrogar se aquelas uvas estariam a cumprir o papel nobre que mereciam. As vinhas velhas oferecem uma concentração e estrutura extraordinárias aos vinhos, com a vantagem adicional que são mais estáveis face a anos bons e anos maus. Também são, nas palavras do enólogo Luís Sottomayor, mais geniosas: em cada ano o vinho sai como a natureza o pensou, ainda por cima se a filosofia for a de intervenção mínima, como é o caso.  </p>



<p>O
primeiro significado de legado é assim esta extraordinária herança
que uma vinha velha representa: de património genético, mas também
de práticas culturais milenares e que encerram em si mesmas
sabedorias antigas que pouco a pouco a ciência e a técnica vão
confirmando. 
</p>



<p>O segundo significado vem do exemplo de Fernando Guedes e da sua vida, entre 1930 e 2018. Começando na empresa fundada por seu pai (1942) por baixo, como ajudante de tanoeiro, haveria de passar por quase todos os papéis possíveis na empresa, haveria de estudar enologia em França, e depois subir a pulso na empresa que liderou e fez crescer. Foi ainda depois de passar esse legado que tinha recebido do seu pai ao seu filho Salvador que continuou a trabalhar diariamente na empresa, sempre exigente, criativo, jovial e incansável. Foi um privilégio conhecer este grande senhor do Douro e do vinho português. E com ele perceber essa noção profunda de legado que ele abraçou e marcou com o seu cunho e um vinho com esse nome e que representa todo esse significado. Fernando Guedes recebeu, cuidou, ofereceu, encarando sempre a sua empresa e os seus múltiplos e notáveis projectos (Mateus, Barca Velha, Sandeman, Ferreira, só para listar alguns dos emblemáticos) como uma responsabilidade da qual cuidava com gosto. Como no anúncio da Patek Philippe, para simplificar a mensagem: “You never actually own a Patek Philippe. You merely look after it for the next generation.”</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img decoding="async" width="600" height="400" src="https://etaste.pt/wp-content/uploads/2019/10/sogrape2.jpg" alt="" class="wp-image-22025" srcset="https://etaste.pt/wp-content/uploads/2019/10/sogrape2-24x16.jpg 24w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2019/10/sogrape2-36x24.jpg 36w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2019/10/sogrape2-48x32.jpg 48w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2019/10/sogrape2-200x133.jpg 200w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2019/10/sogrape2-300x200.jpg 300w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2019/10/sogrape2-400x267.jpg 400w, https://etaste.pt/wp-content/uploads/2019/10/sogrape2.jpg 600w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><figcaption>O Douro tinto Legado foi idealizado por Fernando Guedes (na foto), filho de Fernando van Zeller Guedes, fundador da Sogrape. A colheita do vinho de 2014 lançada recentemente foi a primeiro após o seu desaparecimento em 2018. Foto: DR </figcaption></figure></div>



<p>E no momento em que mais uma vez a família Guedes se juntou à crítica especializada para lançar a nova colheita do Legado, a de 2014, ficou claro mais um significado profundo da palavra. Foi em 2019 a primeira vez que o Douro tinto Legado foi lançado sem a presença do seu criador, desaparecido em 2018. A família juntou-se emocionada ao grupo de jornalistas, amigos e funcionários da empresa, para homenagear o seu criador e conhecer o novo vinho que mais uma vez fez jus ao olho sábio que Fernando Guedes deitou para as vinhas velhas da Quinta do Caêdo. E em conjunto todos perceberam que este momento de rara comunhão entre profissionais do vinho que construíram ao longo dos anos um trajecto de respeito e admiração mútuos, este momento foi mais uma das heranças, mais um legado que Fernando Guedes idealizou, com o vinho Legado a celebrá-lo com a maior das distinções.  </p>



<p>O Legado 2014 mostrou-se bem à altura desta data, num jantar preparado pelo chefe de cozinha Vincent Farges. Refinado, fresco, elegante, mostrando a suavidade de um ano onde o clima foi moderado e a vindima complicada, o que originou um vinho de álcool contido, profundidade e complexidade marcadas, mas sempre muito afável e bem-disposto, um grande senhor que se mostra acessível e cheio de bonomia, sem em altura nenhuma perder a noção da sua grandeza e responsabilidade. Como o seu criador, Sr. Fernando Guedes, cuja memória aqui saudosamente honro.</p>



<p>*o autor não escreve ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico</p>
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		<title>Quinta do Noval compra a Quinta do Passadouro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2019 17:16:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Axa Millésimes, empresa multinacional baseada em França, dona em Portugal da Quinta do Noval, anunciou a compra da Quinta do Passadouro, por um valor não revelado. Ambas as quintas têm as vinhas divididas em parcelas no vale do rio Pinhão e nas encostas do Roncão.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Axa Millésimes, empresa multinacional baseada em França, dona em Portugal da Quinta do Noval, anunciou a compra da Quinta do Passadouro, por um valor não revelado. Ambas as quintas têm as vinhas divididas em parcelas no vale do rio Pinhão e nas encostas do Roncão. </p>



<p>A Quinta do Passadouro foi comprada em 1991 por Dieter Bohrmann e gerida como um negócio familiar desde então. Ans Bohrmann, a filha mais velha de Dieter e administradora e co-proprietária da Quinta do Passadouro afirmou em comunicado:</p>



<p>“Nós estamos encantados por ter encontrado um novo e forte proprietário para a Quinta do Passadouro, que subscreve a nossa filosofia de vinhos e que, a longo prazo, garantirá o futuro desta magnifica propriedade.”</p>



<p>O Passadouro tem 36 hectares de vinha, que se juntam assim aos 145 hectares do Noval. Christian Seely, administrador da Axa Millésimes e da Quinta do Noval, declarou: </p>



<p>“Desejamos manter a marca Quinta do Passadouro, que tem vindo a produzir vinhos impressionantes – vinhos do Porto e vinhos tintos do Douro – sob a gerência da família Bohrmann.”</p>



<p>Apesar de o comunicado afirmar que a equipa do Passadouro se manterá, Jorge Serôdio Borges, que foi durante 20 anos o principal enólogo, vendeu a sua participação de 5%, para que a Noval pudesse comprar a totalidade do capital do Passadouro. Borges declarou que deixou todos os vinhos de 2017 já engarrafados, e 31 de Julho foi o seu último dia de trabalho na Quinta do Passadouro. “Agora é a altura de dedicar a minha atenção ao negócio de família, a Wine&amp;Soul, e os vinhos Pintas.”</p>



<p>Ans Bohrmann deixou uma despedida emocionada às pessoas que contribuíram para o crescimento e sucesso do Passadouro por mais de 25 anos: “A família teve a sorte de trabalhar com algumas das mais talentosas e dedicadas pessoas na região.” Os Bohrmann continuarão no negócio do vinho, com o seu projecto na Borgonha: Domaine Bohrmann. </p>



<p>António Agrellos, durante décadas director de enologia da Noval e hoje seu consultor, comentou o negócio: “Estamos muito contentes, porque os Bohrmanns tinham as vinhas muito bem cuidadas, perfeitas. Conhecemos bem o terroir, visto que as vinhas deles são literalmente a continuação das nossas e eles estão, como nós, focados na qualidade. Esta é uma grande oportunidade para a Noval, porque os estilos de vinhos encaixam perfeitamente nos nossos. Tenho a certeza de que a empresa fará o melhor com estas novas parcelas e marcas que, de qualquer forma, implicarão numa vindima maior e mais complexa. A Noval também arrendou outros 10 hectares de vinhas junto ao Ferrão, com adega própria, por isso teremos três centros de vinificação diferentes este ano.”</p>
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		<title>A Cadeira Vazia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 May 2019 14:44:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bebidas]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de vinhos]]></category>
		<category><![CDATA[robert m. parker jr.]]></category>
		<category><![CDATA[robert parker]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reformou-se ­Robert M. Parker Jr., o mais influente crítico de vinhos da história. E agora?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Reformou-se ­Robert M. Parker Jr., o mais influente crítico de vinhos da história. E agora?</strong></p>



<p>A história de Robert Parker é bem conhecida, vejamos um rápido resumo. Parker é um americano de Philadelphia, que se apaixonou pelo vinho em 1967 quando visitou a sua namorada, que estudava em França. Tirou o curso de direito enquanto se envolvia cada vez mais na prova profissional de vinhos, no aumento dos seus conhecimentos e na divulgação das suas opiniões. Parker ficou famoso quando provou a colheita de 1982 de Bordeaux, considerada na altura demasiado madura pela maior parte dos críticos. Parker louvou-a e o tempo provou que ele tinha razão, ainda hoje é considerada uma das melhores de sempre. Em 1984, Parker já vivia apenas dos proventos da sua <em>newsletter</em>, The Wine Advocate.</p>



<p>Lembremo-nos
que a crítica era uma actividade considerada vulnerável à
influência dos poderosos produtores de vinho. Havia histórias de
provadores que visitavam as adegas deixando a mala do carro aberta,
para que as generosas ofertas pudessem nela ser colocadas, amostras
“para provar mais tarde.” Havia ainda um clima generalizado de
não dizer mal de um vinho, destacar apenas os vinhos bons, não
tomando as dores do consumidor na sua espinhosa missão de separar o
trigo do joio. Vinhos de prestígio e alto preço que não entregavam
a qualidade à altura dos seus pergaminhos navegavam neste mar de
hipocrisia sem que ninguém dissesse o “rei vai nu.”</p>



<p>Parker,
com a sua adopção da escala de 50 a 100 pontos, tirada do seu
próprio percurso escolar, e a sua atitude desempoeirada e directa,
quase iconoclasta, veio mudar o mundo da crítica de vinhos e
inaugurar uma nova era. O seu obvio entusiasmo ajudou a introduzir
muitos novos consumidores no mundo do vinho de qualidade, e a sua
exigência também ajudou a que muitos produtores melhorassem as suas
práticas vitícolas e enológicas, para almejar a vinhos de grande
qualidade e ambição.</p>



<p>Ao
longo da vida, Robert Parker teve antagonistas e detractores. Houve
polémicas com produtores da Borgonha, que argumentavam que ele não
entendia os vinhos mais elegantes e delicados. Nasceu o termo “vinho
parkerizado” ou seja, um vinho feito ao gosto de Parker e desenhado
para receber altas pontuações na sua escala, o que muitas vezes
significava um aumento de notoriedade, de preço, de quantidade
vendida, de lucros. Os seus detractores acusaram Parker de ser
demasiado influente, de tornar todos os vinhos muito maduros e
concentrados, cheios de madeira e álcool, muito óbvios para os
consumidores. 
</p>



<p>Mas
quem lesse as suas críticas com atenção (e não apenas as suas
pontuações, ou ainda pior, os resumos que a imprensa e os
publicitários faziam delas) notava que essas acusações eram
injustas. Nem Parker teria a capacidade de exercer tamanha
influência, em tantos milhares de produtores em todo o mundo, nem de
facto o tentava. Parker sempre preferiu vinhos equilibrados,
complexos, elegantes e profundos. A sua única vinha, em sociedade
com um cunhado, e onde nunca teve qualquer acção executiva ou de
promoção, era de Pinot Noir (Beaux Frères, no Oregon), uma casta
que dá vinhos leves e elegantes, e o seu vinho preferido era o
Château Haut-Brion, um Premier Cru de Bordeaux reconhecido pela sua
elegância e equilíbrio.</p>



<p>Eventualmente,
como tantos outros críticos, Parker pontuava bem vinhos poderosos e
concentrados, mas isso não é um pecado seu, antes uma consequência
de uma enologia mais moderna, de um aquecimento global que vai
aumentando as maturações das uvas, de um alargamento da base de
consumidores de vinho que vão tendo paladares menos treinados e
portanto procuram sabores mais óbvios e fáceis de decifrar.</p>



<p>Apesar
da polémica, a integridade e competência de Parker nunca esteve em
causa, e pouco a pouco tornou-se o crítico de vinhos mais influente
da história do planeta. A sua escala foi adoptada por muitos outros,
e o seu estilo de escrita entusiástico foi copiado. Além do boletim
em papel, Parker criou um conjunto de meios de comunicação on-line,
incluindo fóruns, repositórios e aplicações. Pouco a pouco foi
contratando outros críticos para o ajudarem a cobrir regiões
específicas, num mundo do vinho que crescia em amplitude e
influência nas nossas vidas. Parker foi-se focando nas regiões da
sua predilecção, em particular Bordeaux, Rhône, Califórnia,
Austrália.</p>



<p>Em
2012, já com uma carreira longa de décadas, Parker anunciou que
vendia a sua The Wine Advocate a um consórcio de investidores
asiáticos, tendo a direcção editorial passado para Lisa
Perrotti-Brown. Mais tarde, em 2017, a Michelin comprou 40% do
negócio. Gradualmente, Parker foi-se afastando da crítica, deixando
o trabalho mais duro para colaboradores que tinham já sido
escolhidos por si. Lisa Perrotti-Brown anunciou agora que Robert
Parker se retira da actividade aos 71 anos. Quem provou com ele
recorda um super-provador, dotado de grandes capacidades perceptivas
e de uma extraordinária memória sensorial. Provar mais de 10 mil
vinhos por ano ao longo de décadas é uma façanha extraordinária.
Fazê-lo com critério, coerência e dedicação, transformando a
indústria do vinho, alargando a audiência e a clientela, mudando
para sempre a própria actividade de crítico de vinhos, provocando
admiração e fascínio em todo um sector, é um feito notável.
Retira-se Parker, deixando vaga uma cadeira que ninguém tem a
capacidade ou sequer a ambição de ocupar. Hoje a crítica mudou,
cada crítico procura encontrar os seus leitores e as suas próprias
descobertas, muitas vezes com uma especificidade que fragmenta a
cobertura, também por causa do enorme aumento do número de marcas,
estilos, tipos, regiões. 
</p>



<p>Fica
vazia a cadeira. Um brinde a Robert M. Parker Jr. e ao seu legado.</p>
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