A Axa Millésimes, empresa multinacional baseada em França, dona em Portugal da Quinta do Noval, anunciou a compra da Quinta do Passadouro, por um valor não revelado. Ambas as quintas têm as vinhas divididas em parcelas no vale do rio Pinhão e nas encostas do Roncão.

A Quinta do Passadouro foi comprada em 1991 por Dieter Bohrmann e gerida como um negócio familiar desde então. Ans Bohrmann, a filha mais velha de Dieter e administradora e co-proprietária da Quinta do Passadouro afirmou em comunicado:

“Nós estamos encantados por ter encontrado um novo e forte proprietário para a Quinta do Passadouro, que subscreve a nossa filosofia de vinhos e que, a longo prazo, garantirá o futuro desta magnifica propriedade.”

O Passadouro tem 36 hectares de vinha, que se juntam assim aos 145 hectares do Noval. Christian Seely, administrador da Axa Millésimes e da Quinta do Noval, declarou:

“Desejamos manter a marca Quinta do Passadouro, que tem vindo a produzir vinhos impressionantes – vinhos do Porto e vinhos tintos do Douro – sob a gerência da família Bohrmann.”

Apesar de o comunicado afirmar que a equipa do Passadouro se manterá, Jorge Serôdio Borges, que foi durante 20 anos o principal enólogo, vendeu a sua participação de 5%, para que a Noval pudesse comprar a totalidade do capital do Passadouro. Borges declarou que deixou todos os vinhos de 2017 já engarrafados, e 31 de Julho foi o seu último dia de trabalho na Quinta do Passadouro. “Agora é a altura de dedicar a minha atenção ao negócio de família, a Wine&Soul, e os vinhos Pintas.”

Ans Bohrmann deixou uma despedida emocionada às pessoas que contribuíram para o crescimento e sucesso do Passadouro por mais de 25 anos: “A família teve a sorte de trabalhar com algumas das mais talentosas e dedicadas pessoas na região.” Os Bohrmann continuarão no negócio do vinho, com o seu projecto na Borgonha: Domaine Bohrmann.

António Agrellos, durante décadas director de enologia da Noval e hoje seu consultor, comentou o negócio: “Estamos muito contentes, porque os Bohrmanns tinham as vinhas muito bem cuidadas, perfeitas. Conhecemos bem o terroir, visto que as vinhas deles são literalmente a continuação das nossas e eles estão, como nós, focados na qualidade. Esta é uma grande oportunidade para a Noval, porque os estilos de vinhos encaixam perfeitamente nos nossos. Tenho a certeza de que a empresa fará o melhor com estas novas parcelas e marcas que, de qualquer forma, implicarão numa vindima maior e mais complexa. A Noval também arrendou outros 10 hectares de vinhas junto ao Ferrão, com adega própria, por isso teremos três centros de vinificação diferentes este ano.”