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	<title>Diários #resistir Arquivos - Etaste</title>
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	<title>Diários #resistir Arquivos - Etaste</title>
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		<title>#resistir Wilson Costa: Incertezas do futuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wilson Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2020 09:49:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nos primeiros dias, achava que esta situação apenas duraria meia dúzia de dias e que em breve voltaria tudo à normalidade. Mas logo percebi que iria durar bem mais do que todos queríamos.</p>
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<p>Nos primeiros dias, achava que esta situação apenas duraria meia dúzia de dias e que em breve voltaria tudo à normalidade. Mas logo percebi que iria durar bem mais do que todos queríamos. Custou-me muito mudar toda a minha rotina diária da noite para o dia, foram dias muito difíceis e estranhos.</p>



<p>Com o passar do tempo em casa, tive de me agarrar aos tachos, reescrever as minhas receitas, pôr as séries e os filmes de cozinha em dia, tudo para me abstrair do que estaria a acontecer lá fora e também para manter a mente sã.<br><br>São inúmeros os pensamentos de como e quando será o primeiro dia de trabalho e o regresso da Hotelaria. Não acho que seja uma simples reabertura ou início de época, como tem sido costume nos últimos anos pelo Algarve. Será um novo começar do zero, uma nova forma de trabalhar e de servir os clientes no dia-a-dia. E como podemos reinventar o serviço agora?<br><br>O ano de 2020 estava lançado para ser um grande ano de muito trabalho. As expectativas sobre o crescimento da hotelaria e dos novos conceitos de cozinha eram elevados e, para mim, seria um ano de confirmação na chefia do Vale d&#8217; Oliveiras Quinta Resort &amp; Spa, aproveitando o facto de ter sido finalista do CCA, em 2019, e de assim existir uma maior exposição além Algarve de quem sou, de onde venho e do que faço.<br><br>São inúmeros os pensamentos diários que tenho de como recuperar o ritmo de uma cozinha em ascensão, de como motivar uma equipa jovem e cheia de ambições. As ideias eram muitas e as preocupações eram redobradas, agora as preocupações serão outras. Como estarão todos preparados para recomeçar? Como vão resistir aos momentos? Há que manter a coesão da equipa, falando e trocando ideias entre todos do que poderemos fazer na nossa cozinha.</p>



<p>São inúmeros os pensamentos diários mas o maior deles todos será de como iremos conseguir manter o nível e a qualidade a que habituámos os nossos clientes com esta &#8220;distância&#8221;.<br><br>Será que o pós-Covid19 nos trará a resistência necessária para voltarmos ao topo? Penso, acredito e resistirei para que a minha (e nossa) cozinha seja ainda melhor.</p>
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		<title>#resistir Hugo Santana: Produto e produtor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hugo Santana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2020 17:40:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar do estado de calamidade que estamos a viver, notaram-se aspetos positivos, apesar de tudo. Um deles foi a aproximação do cozinheiro com o produto/produtor.</p>
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<p>Apesar do estado de calamidade que estamos a viver, destacam-se alguns aspetos positivos, apesar de tudo. Um deles foi ver a aproximação do cozinheiro com o produto/produtor. Agora, mais do que nunca, precisamos desse sentido de proximidade. Eu gosto de visitar a quinta de onde vêm os produtos que utilizo na minha cozinha porque, acima de tudo, penso que é importante sabermos os processos todos e os tratamentos do produto do início até ao fim. E a meu ver, só conseguimos isso com a proximidade máxima a quem produz os nossos ingredientes. Só desta forma é que é possível uma maior valorização e respeito pelo mesmo, não esquecendo que com essa proximidade, conseguimos respeitar a 100% a sazonalidade. Há uma comunicação muito regular para eu saber que daqui a duas semanas tenho aquele produto ou se daqui a uma semana acaba outro e isto é um ponto crucial para a sazonalidade e para uma maior sustentabilidade do planeta. Se antes desta epidemia, falávamos e lutávamos para valorização de produtos nacionais e sazonalidade, este flagelo demonstrou que é este o caminho que temos de percorrer: ajudar os produtores locais e valorizar os nossos produtos, para que desta forma seja possível contemplar os nossos clientes dando-lhes algo “nosso” todos os dias.</p>
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		<title>#resistir Olga Cavaleiro: Palavras com sabor a Portugal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Olga Cavaleiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2020 11:04:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Tal como aos outros a vida chama por mim e é tempo de cada um de nós seguir o seu ritmo. Apaixonada pelo meu país continuarei a ir ao encontro dos pequenos tesouros que nos encantam ao mesmo tempo que nos saciam a fome.</p>
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<p>Em cada dia daquela espécie de mundo ao contrário que vivemos nasceu, dentro da minha cabeça, uma história feita de palavras amassadas quase sempre ao fim do dia. A partir da minha janela, nasceram palavras, às vezes fluídas e discretas, outras vezes sólidas e garridas, mas sempre tendo como horizonte os dias que estávamos a viver, felizes apesar de tudo. Nas folhas do meu diário eram palavras proibidas as que nos levavam para o cinzento dos dias e o princípio era não falar do menos bom, pois que as palavras têm força. Quase, quase no fim de um tempo de clausura, fui surpreendida pelo imprevisto e a dor fechou os meus dias mais cedo do que gostaria e limitou a minha escrita. Ainda só com uma mão, não consigo resistir e saem umas linhas mesmo à beira de um importante momento para todos nós. Amanhã, vamos continuar valentes e ousados a olhar o futuro sem ponta de dúvida do que queremos. As incertezas moram longe e o desafio faz subir a adrenalina. A pele transparece a emoção e eu lembro as palavras de todos, as iniciativas em rede, a convicção de que tudo iria passar. E agora o futuro está aí. E cada um de nós ao seu ritmo vai estar preparado. Podemos não saber como vai correr, mas temos a certeza de que o mundo quer a nossa presença, o sabor da nossa comida. O resto vai-se construindo.</p>



<p>Tal como aos outros a vida chama por mim e é tempo de cada um de nós seguir o seu ritmo. Apaixonada pelo meu país continuarei a ir ao encontro dos pequenos tesouros que nos encantam ao mesmo tempo que nos saciam a fome. O meu compromisso é ir atrás da cor, do som, do sabor, do falar, do cantar e entender os instantes que compõem as várias camadas do nosso gosto. O momento em que começámos a olhar o arroz como um acompanhamento perfeito, aquele em que deixámos o tomate entrar na panela, o que nos fez perceber porque o limão é um espécie de protagonista discreto da boa cozinha, o que nos disse que o marmelo poderia ser doce depois de cozinhado, o que trouxe o milho de maçaroca até ao nosso lindo Minho e o encheu de espigueiros, o que fez das várias raças bovinas uma maravilhosa expressão da paisagem, aquele que nos contou como o açúcar foi o mote de uma história doce, e o que nos deu as frutas que ninguém esperava como o melão Casca de Carvalho, essa fruta só percebida por quem vive as dores da sua produção.</p>



<p>Muito me espera, muito tenho para descobrir. Em cada descoberta uma emoção, o sabor será sempre o resultado desse instante em que eu me enterneço com as razões, às vezes, tão simples para aquele gosto. Guardo todos os sabores pelas pessoas que descobri com eles. A mão rodopia pelo teclado e tenta acompanhar o pensamento sempre fugidio, sempre a voar mais do que devia. Mas vale a pena expressar a paixão e o compromisso pelo gosto da nossa geografia que se multiplica em tantos gostos de tantas geografias.&nbsp;</p>



<p>A vida chama por mim e eu, como sempre, vou atrás dela. Na minha procura, as palavras vão ter sabor a mar salgado, a planalto quente, a céu azul, a olhar amigo, a rio que flui e que atravesso com a certeza do que levo de uma margem para a outra. As palavras vão ter sabor a Portugal.   </p>



<p>*Este texto foi escrito dia 17 de maio, antes da reabertura dos restaurantes a 18 de maio</p>
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		<title>#resistir Olga Cavaleiro:  Futuro vestido de amanhã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Olga Cavaleiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2020 16:47:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando ouço o tom de reclamação perante a mudança vem-me imediatamente à cabeça as teclas encravadas nas antigas máquinas de escrever e os discos riscados onde a agulha do leitor ficava presa numa repetição sem fim.</p>
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<p>Mal vai o mundo se em vez de olharmos as oportunidades ficarmos presos nas dificuldades. Quando ouço o tom de reclamação perante a mudança vem-me imediatamente à cabeça as teclas encravadas nas antigas máquinas de escrever e os discos riscados onde a agulha do leitor ficava presa numa repetição sem fim. Sem paciência para esse ruído, prefiro e admiro quem já está ver a próxima cena do filme. E felizmente temos muitos protagonistas.</p>



<p>Numa nova fase que começa para todo o setor da hotelaria, os restaurantes e pastelarias estão claramente na linha da frente pelo protagonismo que ganharam durante o Estado de Emergência. A capacidade de adaptação que demonstraram logo após a ordem de encerramento e a autorização apenas para venda para fora foi surpreendente. Enquanto alguns lançavam ao mundo as suas dores como se mais ninguém sofresse, outros de imediato pensaram no dia seguinte e como poderiam estar junto do cliente. É que parece que já foi há muito tempo, mas naqueles dias em que o frio afastava a Primavera das nossas vidas, sentia-se um calafrio de solidão e desnorte. E era recíproco. Na incerteza das ruas vazias era preciso encontrar uma réstia de normalidade e de rotina. E soube tão bem aquela Páscoa com sabor a folar e cabrito para além das portas fechadas e dos cafés bebidos à pressa à entrada das pastelarias. Não deixámos de estar juntos e foi bom receber o sorriso.</p>



<p>Agora temos novo desafio, grande mesmo. Até porque ninguém sabe como tudo vai correr. Alimentar o negócio com as restrições de lugares sentados mais todos os custos que temos que acrescentar ao rol de despesas, não nos permite garantir nada. Mas impossível mesmo é desistir. Talvez seja altura de simplificar o negócio, os procedimentos. Talvez seja importante esquecer os modelos anteriores e perceber as expetativas dos clientes. O mundo inteiro quer sair da redoma em que viveu nos últimos meses, quer encontrar gente nas ruas, sentir o sol, o prazer de estar num espaço de alimentação e sentir o mesmo conforto de sempre. Mais do que nunca é preciso perceber que não existem modelos gravados na pedra e que estamos a tempo de mudar. Pode ser o momento certo para fazer mudanças que têm sabor a ousadia e vão ao encontro da vontade dos clientes. E estes querem tudo. Do conforto da cozinha de sempre às novidades e tendências, da cozinha de tacho à de autor, do prato cheio à elegância da arte no prato, da sandes e do hambúrguer ao legume requintado, da simplicidade ao excesso alimentar, do saudável ao devaneio gastronómico. Os clientes querem tudinho e tudo é sabor.&nbsp;</p>



<p>Talvez o drama não sejam as dificuldades, mas a incapacidade para gerir a mudança de atitudes e de expetativas. Se há frase que me incomoda é a que ouço frequentemente de que nada vai ser igual no futuro. É claro que não, mas a questão é a seguinte: será que perante a necessidade de segurança sanitária nós quereríamos que o serviço fosse feito como antigamente? Temos que mudar, pelos outros, por nós.&nbsp;</p>



<p>Talvez seja de aceitar que não temos respostas porque não existem respostas. O futuro é mesmo uma pergunta cuja resposta ainda não existe. Construímos bocados dessa resposta todos os dias quando arregaçamos as mangas, quando paramos para pensar, quando saltamos sobre as impossibilidades e quando dormimos sobre o assunto. Somos nós que fazemos as respostas que, subitamente, surgem como certezas que parecem ter estado sempre ali. O sabor é o que nos chama. O resto vem atrás. Força, vai correr tudo bem.&nbsp;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #63</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João d'Eça Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2020 15:42:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Reabertura. Para muitos. Para outros, o começo da preparação. Para outros ainda o arrumar de uma vida. Tantas opções diferentes. Tantas decisões únicas. Para mim, este é o último dia que escrevo neste diário de quarentena.</p>
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<p>Reabertura. Para muitos. Para outros, o começo da preparação. Para outros ainda o arrumar de uma vida. Tantas opções diferentes. Tantas decisões únicas. Para mim, este é o último dia que escrevo neste diário de quarentena. Foram dois meses a escrever todos os dias sobre o pensava, sentia, desenhava em pensamento, intuía. O meu obrigado pelo desafio. Porque foi também isso. Um desafio. Um cozinheiro não tem palavra. Muitas vezes. Fala com sabores. É essa a beleza do seu ofício. Mas durante estes dias foram as palavras aquilo que deu sabor aos dias. Por isso, o meu obrigado. Agora, é o futuro. Sem sabermos o que é isso ao certo. Por isso, não há decisões boas ou más, certas ou erradas. Eu que tenho um escritor favorito, Tolstoi, só me apetece citar: “Podemos, apenas dizer que um homem é mais vezes bom que mau, mais vezes inteligente que estúpido, mais vezes enérgico que apático, ou o contrário; mas classificar um homem, como sempre fazemos, de bom ou inteligente e um outro de mau ou estúpido é um erro. Também os rios, todos de água, são umas vezes mais estreitos, outros rápidos, outros largos ou calmos, transparentes ou frios, caudalosos ou tépidos. Ora, os homens são como os rios.” Assim são e serão também as nossas decisões no futuro e tudo o que iremos fazer para manter os nossos restaurantes a funcionar. Porque a vida é esse rio onde agora seguimos sem saber bem onde vamos desaguar. Uns no sucesso, outros no fim de um caminho, outros no mar. Não importa. Não importa mesmo nada porque estamos em águas nunca antes navegadas. Sabemos a luta, a dificuldade, o exagero deste tempo. Mas somos nós, ali, ao abrir a porta, ao colocar o lume a arder, que comandamos o sonho. Mesmo que seja só isso. A ilusão do sonho continuar. Mas não importa. Não importa mesmo. Dizem que os generais romanos em face de uma batalha que julgavam impossível de vencer desejavam aos soldados: sorte, sucesso e fortuna. Eu, pequeno cozinheiro de um restaurante perdido no meio de uma serra, do Espinhal, em Penela, desejo o mesmo. A todos/as os que vão enfrentar o futuro. E haver hipótese de termos futuro foi o nosso maior triunfo, que sejam capazes de nunca esquecer o sonho. Aquele que nos dá força, fome e vontade. Porque é isso que agora precisamos. Vida. E que bom será voltar a ver tudo isso acontecer&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #63</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João d'Eça Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 19:49:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quase a fechar estes diários. Amanhã escrevo o último de sessenta e quatro pequenos pedaços de pensamento. Vou precisar do tempo que agora aqui passo para preparar tudo. A carta, a vida, o refazer.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-63/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #63</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>Quase a fechar estes diários. Amanhã escrevo o último de sessenta e quatro pequenos pedaços de pensamento. Vou precisar do tempo que agora aqui passo para preparar tudo. A carta, a vida, o refazer. E será preciso até este tempo. No ultimar de tudo sabemos que cada pedacinho conta. Cada momento. Por isso, voltarei, quem sabe, aqui, num outro contexto. Percebo quem amanhã abrirá portas. Percebo, quem, como eu, adiará esse momento um pouco mais. A verdade é que nenhum de nós sabe o que nos espera. Passo nas ruas e o que vejo é um novo amanhã. Mas todos já atravessámos novos amanhã. Agora é mesmo só fazer o melhor que se sabe e pode e esperar para que seja possível atravessar isto. Isto que foi um tempo único. Absurdo. Impossível. Incompreensível. A verdade é que dizia muitas vezes à equipa que foi preciso uma pandemia para parar o projecto que todos diziam impossível. Ainda me lembro de me dizerem que eu não ia aguentar muitos meses a fazer o caminho dos mercados e produtos, muitas vezes de viagem da Figueira da Foz a Coimbra e de Coimbra a Penela só para ir buscar tudo, escolhendo tudo. Vai quase fazer o primeiro ano e espero que nessa altura seja possível estar de portas abertas a fazer o que diziam ser impossível. Este é um tempo assim. Mais duro ainda. Cada um dos restaurantes tem agora que fazer só uma coisa. Pedir ajuda. Não custa porque não é uma ajuda de esforço. É uma ajuda de prazer. Pedir aos seus clientes, a quem tinha curiosidade, a quem desejava conhecer, que reserve uma mesa. E vá. Vá sem medo porque nós estamos mesmo a preparar tudo para minimizar os risco, aliás, como sempre o fizemos. Pedir que voltem. Que regressem. Não uma mas muitas vezes ao longo deste tempo em que tudo será muito difícil. As lutas de quem gere são travadas noutro nível. Mas sem clientes nenhuma luta valerá a pena. Por isso, fica o meu pedido. Reserve uma mesa. Vá. Desfrute do melhor que cada restaurante tem. Não importa qual é. Vá e ajude. Nesta fase não está a dar lucro ou a fazer mais do que isso. Está a ajudar a manter uma ideia, um negócio, um sonho. Vá. Vá a um restaurante. Só tem que fazer isso para que muitos possam continuar a dar o melhor que sabem por si. Para si. E para poderem continuar o sonho que um dia os fez abrir portas. Tal como o farão, amanhã&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #62</title>
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		<pubDate>Sat, 16 May 2020 19:46:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É o arrumar das cadeiras. O arrastar das mesas. O som de tudo. O olhar para as mesas sem nada. Um lugar que decorado de uma esperança é tecido de incerteza. Não, melhor. De não certezas.</p>
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<p>É o arrumar das cadeiras. O arrastar das mesas. O som de tudo. O olhar para as mesas sem nada. Um lugar que decorado de uma esperança é tecido de incerteza. Não, melhor. De não certezas. É o esperar. Somente. Um restaurante é um lugar de emoções. Não podemos despir isso do lugar. Se fosse só para comer que se ia a um restaurante, nenhum era único. Por isso, preparar este novo tempo é preparar a não desistência das coisas que fazem de cada restaurante um lugar especial. Volto a pensar que tenho que comprar azeitonas. Daquelas que há no Rabaçal, curadas ao natural. Galegas. Pequenas. Retalhadas, como lhes chamam e sempre me encantou a expressão. Diziam-me sempre que não há sempre. Aquelas que eu gostava não havia sempre. E não há. Porque é mesmo assim. Há coisas que nos habituámos a ter em constante presença mas que o tempo e o modo das coisas dizem que não é bem assim. É como a ideia de que voltaremos ao restaurantes e estes serão os mesmos lugares que deixámos. Não serão. Será novamente reinventados. E com isso, trazemos um novo começo. Nisto há uma beleza infinita. Quer dizer que conseguimos atravessar isto. E nos refizemos. Todos. Agora é só mesmo, como as azeitonas, perceber que cada época é composta por uma essência própria. Um sabor único. É assim e assim sempre foi. Estávamos era habituados a uma contínua igualdade que nos toldava o pensamento. Resta agora, recomeçar. E ser novo. De novo. E ainda bem&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #61</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João d'Eça Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2020 17:54:28 +0000</pubDate>
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<p>Estamos a chegar ao fim. Ao fim de um tempo. De um modo de fazer as coisas. De uma forma de estar. Parte disto ficará. Outra, vai diluir-se com o fim do medo. Recordo a visita a um mosteiro, perdido no meio do monte em Sintra e resgato a imagem de um confessionário. De outros tempos surge esse momento de distância como se fosse salvação. Ficou. Depois de uma época passar. Nos restaurantes vamos iniciar uma nova forma de trabalhar. Quer o tempo que assim seja. Não de distância mas de renovação. Entretanto fomos tomando e enchendo o mercado de takeaways e comida em caixinhas. Sobrevivemos. Outros não o fizeram. Agora quem nos visitar espera muito mais do que aquilo que lhe chegava a casa. Cansado de soluções simples como pizzas e outras que tais, quer encontrar no restaurante algo de único. Algo que faça revitalizar a esperança. Que seja um escape destes tempos e dias de medo. Há um tempo que me recordo de uma pirâmide de profiteroles recheados com chantily e tangerina e cobertos com chocolate e ameixa seca que uma vez fiz a quatro mãos com uma senhora pasteleira. Ao chegar à mesa, o espanto. É daquelas coisas que ficam na memória. Ou o “mero” de muitos quilos que só a cabeça, mostrada na sala depois de assada no forno era um espectáculo digno das arábias. Desaprendemos este lugar de espanto mas este lugar de espanto será a nossa salvação. Nas coisas mais simples, tal como em todas as outras que teremos oportunidade de criar. Agora que estamos a regressar, pensemos em salvar o que resta. Se essa é a nossa urgência no negócio, é-o também na essência do que fazemos e somos enquanto restaurantes. Já passaram dois meses e continuo a acreditar no mesmo que acreditava antes de encerrar a porta. Quem vai a um restaurante espera um momento único, particular e delicioso. Hoje, mais do que nunca, tem que ser esse o caminho. E não há outra forma possível. Se todos temos que nos adaptar, ter a coragem de vender bifanas se isso for o que é preciso para aguentar o nosso barco a flutuar, então que sejam as melhores do mundo. Se tivermos que cozinhar lagostas de não sei onde a baixa temperatura, servidas com uma espuma de não sei quê, que seja a melhor do mundo. Porque desta vez, será tudo muito mais do que uma refeição. Ou mais uma refeição. É um regresso. Um reencontro. E quem nos visita espera a alegria em cada um dos momentos vindouros como água depois de uma imensa travessia num deserto de ausência. Que estejamos à altura disto, de tão preocupados que estamos com a limpeza&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #60</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João d'Eça Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2020 15:22:01 +0000</pubDate>
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<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-59-2/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #60</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>Fazem hoje sessenta dias que escrevo aqui. Todos os dias. Tiro um pouco de tempo para estes textos que me ajudam a arrumar ideias. Começo a pensar em recomeçar e no que vai sendo feito. A pressa é inimiga de tudo. Todos nós vamos movendo sem nos verem. Seja nas limpezas dos espaços, seja na preparação das salas, seja no afinar de pratos e ementas que precisam de ajuste a novos tempos e novos modos de estar e viver os restaurantes. Só me consigo lembrar das conversas com tanta gente que conheci desde que comecei a atravessar este mundo da cozinha. Não sou de cá. Vim cá parar. E há uns anos fiz uma viagem pelo país. De Montalegre a Vila Real de Santo António. De casa às costas fui registando terras, gentes e sabores. Conversas e principalmente sensações que cada lugar foi deixando gravado em mim. Fecho os olhos por instantes e vou até Tibães. A uma marmelada com nozes comprada num mercado local. Serviu de pequeno-almoço por uns dias. O pão, o queijo, a marmelada, o café de cafeteira. Essas coisas que contam outros tempos em que tudo era muito mais difícil do que este tempo por muito que este tempo seja difícil. Talvez seja mais único, mais duro, mais abrupto. Este tempo. E recomeçar, como todos agora temos que fazer, exige essa força esquecida das batalhas que se perdem mais do que se ganham. Andávamos era esquecidos disso. Porque tudo era disfarçado para parecer melhor. Agora é um tempo de regresso. A um tempo de luta, batalha, inesperado e incerto cansaço que virá. Poderá chegar aquele lugar cheio de gente e de encontros que todos desejamos. E poderá ser só o vazio a meio, a meio de tudo, até a meio da esperança completa, que nos vai consumir o tempo e as forças por mais um pouco. Não importa o que será. Será novo. É por isso que será importante rever os sabores que vamos servir. Tenho tanto batalhado nisto. Porque mais do que nunca a satisfação chega pela fuga simples e singela a esta realidade confinada em que nos metemos. E servir um sabor único, que pode ser tão simples como uma fatia de pão com marmelada de nozes e queijo de cabra amanteigado, pode criar aquela fuga, aquele instante, aquela salvação do correr absurdo dos dias fechados sobre si mesmos que dará razão a um futuro melhor para nós, na restauração. Que este seja o tempo para pensarmos todos nisto e não ir a correr abrir portas para dar só mais um dia de vida normal a todos nós, neste momento, em que precisamos de sonhar e sentir o impossível&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #59</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João d'Eça Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2020 13:40:25 +0000</pubDate>
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<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-59/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #59</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>Acabado de registar umas ideias para uma nova carta de Verão. Há quase um ano fazia a mesma coisa. Ainda me lembro que coloquei nas entradas uma coisa que fez sucesso pelo espanto e/ou delícia. As perninhas de rã. Ou coxas, como me relembravam alguns. Fritas, acompanhados de um molho de mostarda e limão. Havia sempre quem dizia que eu era louco por colocar uma coisa dessas na carta, ali, onde ninguém iria aceitar tal coisa. Foi o nosso top de vendas. Vinha de uma memória que tenho da Ericeira. Os percebes e as pernas de rã. Eram de lá. Não sei se o contei alguma vez. Quando era pequeno o meu pai levava-me a passear em terras saloias. A praia das Maçãs era paragem por causa de uma casa pequena que vendia o melhor pão do chouriço do mundo e na Ericeira, num restaurante que já nem me recordo onde ficava, havia um balcão corrido e lá serviam essas coisas. Essas coisas que para mim eram outras coisas. Eram o ritual de viagem e o prazer de estar. As perninhas de rã. Foi das primeiras coisas que decidi. Depois vieram os cogumelos com alheira de caça. Mas nem os cogumelos nem a alheira eram uns quaisquer. Andei a percorrer caminhos para encontrar produtores locais e sabia de uma pequena fábrica em Foz de Arouce que fazia (e faz) as melhores alheiras de caça que conheço ali na região. Agora que desenho ideias enquanto caminho, sem saber muito bem se chegarão a ganhar todas vida, penso nos desafio que superei e nas conquistas que fiz num cantinho que toda a gente dizia impossível. Agora acho que sou eu que digo a mim mesmo, muitas vezes, que será impossível. Mas não é. Como não era, servir ali aqueles cogumelos sempre frescos ou as perninhas de rã que vinham de Lisboa e chegavam sempre em caixas e caixas que saíam que nem pipocas. O que custa mais pensar neste momento é naquele tempo e naquelas forças que são precisas para recuperar e aguentar. Como foram no início. Nas primeiras semanas e nos primeiros dias de salas vazias e a pensar: não sei como isto vai ser. Mas depois, depois lá se foram enchendo. Lá foi tudo ganhando forma. As forças foram gastas, recuperadas e gastas e recuperadas. Dia após dia. Até conseguir. Agora é só a mesma coisa. Mais difícil porque não se sabem as regras. As certezas que bastava o produto ser bom, cozinhado bem e cada cliente ser tratado como único que as coisas se compunham, não chega. É preciso uma força extra que vem de enfrentar o incerto, o invisível e a dúvida. Mas no fim, sabemos que sempre foi assim. Vamos agora pensar nos bolinhas de arroz com perdiz pois o encanto e o espanto serão sempre lugares de salvação face ao incerto&#8230;</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-59/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #59</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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