Apesar do estado de calamidade que estamos a viver, destacam-se alguns aspetos positivos, apesar de tudo. Um deles foi ver a aproximação do cozinheiro com o produto/produtor. Agora, mais do que nunca, precisamos desse sentido de proximidade. Eu gosto de visitar a quinta de onde vêm os produtos que utilizo na minha cozinha porque, acima de tudo, penso que é importante sabermos os processos todos e os tratamentos do produto do início até ao fim. E a meu ver, só conseguimos isso com a proximidade máxima a quem produz os nossos ingredientes. Só desta forma é que é possível uma maior valorização e respeito pelo mesmo, não esquecendo que com essa proximidade, conseguimos respeitar a 100% a sazonalidade. Há uma comunicação muito regular para eu saber que daqui a duas semanas tenho aquele produto ou se daqui a uma semana acaba outro e isto é um ponto crucial para a sazonalidade e para uma maior sustentabilidade do planeta. Se antes desta epidemia, falávamos e lutávamos para valorização de produtos nacionais e sazonalidade, este flagelo demonstrou que é este o caminho que temos de percorrer: ajudar os produtores locais e valorizar os nossos produtos, para que desta forma seja possível contemplar os nossos clientes dando-lhes algo “nosso” todos os dias.