É o arrumar das cadeiras. O arrastar das mesas. O som de tudo. O olhar para as mesas sem nada. Um lugar que decorado de uma esperança é tecido de incerteza. Não, melhor. De não certezas. É o esperar. Somente. Um restaurante é um lugar de emoções. Não podemos despir isso do lugar. Se fosse só para comer que se ia a um restaurante, nenhum era único. Por isso, preparar este novo tempo é preparar a não desistência das coisas que fazem de cada restaurante um lugar especial. Volto a pensar que tenho que comprar azeitonas. Daquelas que há no Rabaçal, curadas ao natural. Galegas. Pequenas. Retalhadas, como lhes chamam e sempre me encantou a expressão. Diziam-me sempre que não há sempre. Aquelas que eu gostava não havia sempre. E não há. Porque é mesmo assim. Há coisas que nos habituámos a ter em constante presença mas que o tempo e o modo das coisas dizem que não é bem assim. É como a ideia de que voltaremos ao restaurantes e estes serão os mesmos lugares que deixámos. Não serão. Será novamente reinventados. E com isso, trazemos um novo começo. Nisto há uma beleza infinita. Quer dizer que conseguimos atravessar isto. E nos refizemos. Todos. Agora é só mesmo, como as azeitonas, perceber que cada época é composta por uma essência própria. Um sabor único. É assim e assim sempre foi. Estávamos era habituados a uma contínua igualdade que nos toldava o pensamento. Resta agora, recomeçar. E ser novo. De novo. E ainda bem…