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	<title>João d&#039;Eça Lima, Autor em Etaste</title>
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		<title>João D&#8217;Eça Lima: A reabertura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João d'Eça Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2020 14:52:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Obrigado por resistirem”. É isso mesmo, é isso que faz sentido e que dá sentido, é isso que nos mantém a acreditar que será possível ainda mais um dia. Só mais um dia.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/opiniao/joao-deca-lima-a-reabertura/">João D&#8217;Eça Lima: A reabertura</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>A primeira coisa: o interruptor da luz. Aquele gesto repetido vezes sem conta a que damos tão pouco sentido. Ilumina-se a cozinha, depois abrem-se as janelas e as portas. Deixa-se o ar entrar, deixa-se o espaço respirar. Olhamos em volta, respiramos, também, mas fundo. Daqueles momentos em que a força vem do ar que se respira. Reabrir as portas, a vida, o restaurar. Porque somos um restaurante, das coisas mais pequenas, dos detalhes. Deixar a vida entrar. Depois recuperamos conversas entre todos na equipa como se tivesse sido tudo ontem, como se não tivessem passado quatro meses e meio de silêncio e de ausência. “Ó chefe, já cortava o cabelo…” Eu nem reparo porque tenho os pensamentos a mil. As primeiras gargalhadas no meio da sala vazia ainda. “Vá, ajudem-me a descarregar as coisas do mercado”. E chegam os cheiros ausentes, a hortelã, o açafrão, as coisas que entram porta dentro como se fossem visita da casa que temos saudade. Arruma-se tudo. Nos lugares com os gestos que foram repetidos mais de mil vezes e só interrompidos por um tempo absurdo. Chego-me ao fogão e acendo o lume, é um gesto que me diz tudo. O tacho, a cebola, o alho, o louro, o javali, as ervas aromáticas quebradas entre os dedos e o aroma libertado que enche a cozinha de memórias, o vinho, o sal que arde nas mãos, os gestos agora com mais de mil cuidados e segurança. E o som, aquele crepitar a lembrar a lenha, aquele som que sabemos que se vai seguir de tantas outras coisas e começa uma dança, de cá para lá, de lá para cá. Primeiro em silêncio, depois em conversas do que foi e do que será. Prova, prova-se, dá-se a provar e refaz-se para melhorar. E o doce de ovos, é preciso fazer o doce de ovos. As coisas que faltam, sempre. Falta sempre alguma coisa. A vida é assim, na falta, luta-se, no inesperado, luta-se. Resistir é isso mesmo. E chega a hora, e entram os primeiros visitantes. Num restaurante há pessoas que visitam, passam para levar sabores e memórias, não são clientes, são visitas. Chegam, são acolhidos. Já quase me tinha esquecido como se fazia mas depois as mãos lembram-se que têm memória própria. E tudo recomeça. Só há uma diferença agora, imensa e enorme. Um dia de cada vez, vive-se um dia de cada vez. São menos as visitas mas não é menos a esperança nem a dedicação. São menos eles que chegam mas são a razão de nós lá continuarmos. Com isso, com o que deixam, pagamos os custos de continuar e de tudo o resto. E o resto está igual. Só queremos sobreviver, já não é viver, é sobreviver. Mas depois, aquele abraço vem em forma de palavras. “Obrigado por resistirem”. Enche-nos a alma. “Obrigado por resistirem”. É isso mesmo, é isso que faz sentido e que dá sentido, é isso que nos mantém a acreditar que será possível ainda mais um dia. Só mais um dia. E já será bom, tão bom&#8230;</p>



<p><em>*João D&#8217;Eça Lima é chefe de cozinha no restaurante Xisto, em Penela, Coimbra.</em></p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #63</title>
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		<pubDate>Mon, 18 May 2020 15:42:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Reabertura. Para muitos. Para outros, o começo da preparação. Para outros ainda o arrumar de uma vida. Tantas opções diferentes. Tantas decisões únicas. Para mim, este é o último dia que escrevo neste diário de quarentena.</p>
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<p>Reabertura. Para muitos. Para outros, o começo da preparação. Para outros ainda o arrumar de uma vida. Tantas opções diferentes. Tantas decisões únicas. Para mim, este é o último dia que escrevo neste diário de quarentena. Foram dois meses a escrever todos os dias sobre o pensava, sentia, desenhava em pensamento, intuía. O meu obrigado pelo desafio. Porque foi também isso. Um desafio. Um cozinheiro não tem palavra. Muitas vezes. Fala com sabores. É essa a beleza do seu ofício. Mas durante estes dias foram as palavras aquilo que deu sabor aos dias. Por isso, o meu obrigado. Agora, é o futuro. Sem sabermos o que é isso ao certo. Por isso, não há decisões boas ou más, certas ou erradas. Eu que tenho um escritor favorito, Tolstoi, só me apetece citar: “Podemos, apenas dizer que um homem é mais vezes bom que mau, mais vezes inteligente que estúpido, mais vezes enérgico que apático, ou o contrário; mas classificar um homem, como sempre fazemos, de bom ou inteligente e um outro de mau ou estúpido é um erro. Também os rios, todos de água, são umas vezes mais estreitos, outros rápidos, outros largos ou calmos, transparentes ou frios, caudalosos ou tépidos. Ora, os homens são como os rios.” Assim são e serão também as nossas decisões no futuro e tudo o que iremos fazer para manter os nossos restaurantes a funcionar. Porque a vida é esse rio onde agora seguimos sem saber bem onde vamos desaguar. Uns no sucesso, outros no fim de um caminho, outros no mar. Não importa. Não importa mesmo nada porque estamos em águas nunca antes navegadas. Sabemos a luta, a dificuldade, o exagero deste tempo. Mas somos nós, ali, ao abrir a porta, ao colocar o lume a arder, que comandamos o sonho. Mesmo que seja só isso. A ilusão do sonho continuar. Mas não importa. Não importa mesmo. Dizem que os generais romanos em face de uma batalha que julgavam impossível de vencer desejavam aos soldados: sorte, sucesso e fortuna. Eu, pequeno cozinheiro de um restaurante perdido no meio de uma serra, do Espinhal, em Penela, desejo o mesmo. A todos/as os que vão enfrentar o futuro. E haver hipótese de termos futuro foi o nosso maior triunfo, que sejam capazes de nunca esquecer o sonho. Aquele que nos dá força, fome e vontade. Porque é isso que agora precisamos. Vida. E que bom será voltar a ver tudo isso acontecer&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #63</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2020 19:49:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quase a fechar estes diários. Amanhã escrevo o último de sessenta e quatro pequenos pedaços de pensamento. Vou precisar do tempo que agora aqui passo para preparar tudo. A carta, a vida, o refazer.</p>
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<p>Quase a fechar estes diários. Amanhã escrevo o último de sessenta e quatro pequenos pedaços de pensamento. Vou precisar do tempo que agora aqui passo para preparar tudo. A carta, a vida, o refazer. E será preciso até este tempo. No ultimar de tudo sabemos que cada pedacinho conta. Cada momento. Por isso, voltarei, quem sabe, aqui, num outro contexto. Percebo quem amanhã abrirá portas. Percebo, quem, como eu, adiará esse momento um pouco mais. A verdade é que nenhum de nós sabe o que nos espera. Passo nas ruas e o que vejo é um novo amanhã. Mas todos já atravessámos novos amanhã. Agora é mesmo só fazer o melhor que se sabe e pode e esperar para que seja possível atravessar isto. Isto que foi um tempo único. Absurdo. Impossível. Incompreensível. A verdade é que dizia muitas vezes à equipa que foi preciso uma pandemia para parar o projecto que todos diziam impossível. Ainda me lembro de me dizerem que eu não ia aguentar muitos meses a fazer o caminho dos mercados e produtos, muitas vezes de viagem da Figueira da Foz a Coimbra e de Coimbra a Penela só para ir buscar tudo, escolhendo tudo. Vai quase fazer o primeiro ano e espero que nessa altura seja possível estar de portas abertas a fazer o que diziam ser impossível. Este é um tempo assim. Mais duro ainda. Cada um dos restaurantes tem agora que fazer só uma coisa. Pedir ajuda. Não custa porque não é uma ajuda de esforço. É uma ajuda de prazer. Pedir aos seus clientes, a quem tinha curiosidade, a quem desejava conhecer, que reserve uma mesa. E vá. Vá sem medo porque nós estamos mesmo a preparar tudo para minimizar os risco, aliás, como sempre o fizemos. Pedir que voltem. Que regressem. Não uma mas muitas vezes ao longo deste tempo em que tudo será muito difícil. As lutas de quem gere são travadas noutro nível. Mas sem clientes nenhuma luta valerá a pena. Por isso, fica o meu pedido. Reserve uma mesa. Vá. Desfrute do melhor que cada restaurante tem. Não importa qual é. Vá e ajude. Nesta fase não está a dar lucro ou a fazer mais do que isso. Está a ajudar a manter uma ideia, um negócio, um sonho. Vá. Vá a um restaurante. Só tem que fazer isso para que muitos possam continuar a dar o melhor que sabem por si. Para si. E para poderem continuar o sonho que um dia os fez abrir portas. Tal como o farão, amanhã&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #62</title>
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		<pubDate>Sat, 16 May 2020 19:46:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É o arrumar das cadeiras. O arrastar das mesas. O som de tudo. O olhar para as mesas sem nada. Um lugar que decorado de uma esperança é tecido de incerteza. Não, melhor. De não certezas.</p>
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<p>É o arrumar das cadeiras. O arrastar das mesas. O som de tudo. O olhar para as mesas sem nada. Um lugar que decorado de uma esperança é tecido de incerteza. Não, melhor. De não certezas. É o esperar. Somente. Um restaurante é um lugar de emoções. Não podemos despir isso do lugar. Se fosse só para comer que se ia a um restaurante, nenhum era único. Por isso, preparar este novo tempo é preparar a não desistência das coisas que fazem de cada restaurante um lugar especial. Volto a pensar que tenho que comprar azeitonas. Daquelas que há no Rabaçal, curadas ao natural. Galegas. Pequenas. Retalhadas, como lhes chamam e sempre me encantou a expressão. Diziam-me sempre que não há sempre. Aquelas que eu gostava não havia sempre. E não há. Porque é mesmo assim. Há coisas que nos habituámos a ter em constante presença mas que o tempo e o modo das coisas dizem que não é bem assim. É como a ideia de que voltaremos ao restaurantes e estes serão os mesmos lugares que deixámos. Não serão. Será novamente reinventados. E com isso, trazemos um novo começo. Nisto há uma beleza infinita. Quer dizer que conseguimos atravessar isto. E nos refizemos. Todos. Agora é só mesmo, como as azeitonas, perceber que cada época é composta por uma essência própria. Um sabor único. É assim e assim sempre foi. Estávamos era habituados a uma contínua igualdade que nos toldava o pensamento. Resta agora, recomeçar. E ser novo. De novo. E ainda bem&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #61</title>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2020 17:54:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Estamos a chegar ao fim. Ao fim de um tempo. De um modo de fazer as coisas. De uma forma de estar. Parte disto ficará. Outra, vai diluir-se com o fim do medo.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-61/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #61</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>Estamos a chegar ao fim. Ao fim de um tempo. De um modo de fazer as coisas. De uma forma de estar. Parte disto ficará. Outra, vai diluir-se com o fim do medo. Recordo a visita a um mosteiro, perdido no meio do monte em Sintra e resgato a imagem de um confessionário. De outros tempos surge esse momento de distância como se fosse salvação. Ficou. Depois de uma época passar. Nos restaurantes vamos iniciar uma nova forma de trabalhar. Quer o tempo que assim seja. Não de distância mas de renovação. Entretanto fomos tomando e enchendo o mercado de takeaways e comida em caixinhas. Sobrevivemos. Outros não o fizeram. Agora quem nos visitar espera muito mais do que aquilo que lhe chegava a casa. Cansado de soluções simples como pizzas e outras que tais, quer encontrar no restaurante algo de único. Algo que faça revitalizar a esperança. Que seja um escape destes tempos e dias de medo. Há um tempo que me recordo de uma pirâmide de profiteroles recheados com chantily e tangerina e cobertos com chocolate e ameixa seca que uma vez fiz a quatro mãos com uma senhora pasteleira. Ao chegar à mesa, o espanto. É daquelas coisas que ficam na memória. Ou o “mero” de muitos quilos que só a cabeça, mostrada na sala depois de assada no forno era um espectáculo digno das arábias. Desaprendemos este lugar de espanto mas este lugar de espanto será a nossa salvação. Nas coisas mais simples, tal como em todas as outras que teremos oportunidade de criar. Agora que estamos a regressar, pensemos em salvar o que resta. Se essa é a nossa urgência no negócio, é-o também na essência do que fazemos e somos enquanto restaurantes. Já passaram dois meses e continuo a acreditar no mesmo que acreditava antes de encerrar a porta. Quem vai a um restaurante espera um momento único, particular e delicioso. Hoje, mais do que nunca, tem que ser esse o caminho. E não há outra forma possível. Se todos temos que nos adaptar, ter a coragem de vender bifanas se isso for o que é preciso para aguentar o nosso barco a flutuar, então que sejam as melhores do mundo. Se tivermos que cozinhar lagostas de não sei onde a baixa temperatura, servidas com uma espuma de não sei quê, que seja a melhor do mundo. Porque desta vez, será tudo muito mais do que uma refeição. Ou mais uma refeição. É um regresso. Um reencontro. E quem nos visita espera a alegria em cada um dos momentos vindouros como água depois de uma imensa travessia num deserto de ausência. Que estejamos à altura disto, de tão preocupados que estamos com a limpeza&#8230;</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-61/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #61</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #60</title>
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		<pubDate>Thu, 14 May 2020 15:22:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fazem hoje sessenta dias que escrevo aqui. Todos os dias. Tiro um pouco de tempo para estes textos que me ajudam a arrumar ideias. Começo a pensar em recomeçar e no que vai sendo feito.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-59-2/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #60</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>Fazem hoje sessenta dias que escrevo aqui. Todos os dias. Tiro um pouco de tempo para estes textos que me ajudam a arrumar ideias. Começo a pensar em recomeçar e no que vai sendo feito. A pressa é inimiga de tudo. Todos nós vamos movendo sem nos verem. Seja nas limpezas dos espaços, seja na preparação das salas, seja no afinar de pratos e ementas que precisam de ajuste a novos tempos e novos modos de estar e viver os restaurantes. Só me consigo lembrar das conversas com tanta gente que conheci desde que comecei a atravessar este mundo da cozinha. Não sou de cá. Vim cá parar. E há uns anos fiz uma viagem pelo país. De Montalegre a Vila Real de Santo António. De casa às costas fui registando terras, gentes e sabores. Conversas e principalmente sensações que cada lugar foi deixando gravado em mim. Fecho os olhos por instantes e vou até Tibães. A uma marmelada com nozes comprada num mercado local. Serviu de pequeno-almoço por uns dias. O pão, o queijo, a marmelada, o café de cafeteira. Essas coisas que contam outros tempos em que tudo era muito mais difícil do que este tempo por muito que este tempo seja difícil. Talvez seja mais único, mais duro, mais abrupto. Este tempo. E recomeçar, como todos agora temos que fazer, exige essa força esquecida das batalhas que se perdem mais do que se ganham. Andávamos era esquecidos disso. Porque tudo era disfarçado para parecer melhor. Agora é um tempo de regresso. A um tempo de luta, batalha, inesperado e incerto cansaço que virá. Poderá chegar aquele lugar cheio de gente e de encontros que todos desejamos. E poderá ser só o vazio a meio, a meio de tudo, até a meio da esperança completa, que nos vai consumir o tempo e as forças por mais um pouco. Não importa o que será. Será novo. É por isso que será importante rever os sabores que vamos servir. Tenho tanto batalhado nisto. Porque mais do que nunca a satisfação chega pela fuga simples e singela a esta realidade confinada em que nos metemos. E servir um sabor único, que pode ser tão simples como uma fatia de pão com marmelada de nozes e queijo de cabra amanteigado, pode criar aquela fuga, aquele instante, aquela salvação do correr absurdo dos dias fechados sobre si mesmos que dará razão a um futuro melhor para nós, na restauração. Que este seja o tempo para pensarmos todos nisto e não ir a correr abrir portas para dar só mais um dia de vida normal a todos nós, neste momento, em que precisamos de sonhar e sentir o impossível&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #59</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2020 13:40:25 +0000</pubDate>
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<p>Acabado de registar umas ideias para uma nova carta de Verão. Há quase um ano fazia a mesma coisa. Ainda me lembro que coloquei nas entradas uma coisa que fez sucesso pelo espanto e/ou delícia. As perninhas de rã. Ou coxas, como me relembravam alguns. Fritas, acompanhados de um molho de mostarda e limão. Havia sempre quem dizia que eu era louco por colocar uma coisa dessas na carta, ali, onde ninguém iria aceitar tal coisa. Foi o nosso top de vendas. Vinha de uma memória que tenho da Ericeira. Os percebes e as pernas de rã. Eram de lá. Não sei se o contei alguma vez. Quando era pequeno o meu pai levava-me a passear em terras saloias. A praia das Maçãs era paragem por causa de uma casa pequena que vendia o melhor pão do chouriço do mundo e na Ericeira, num restaurante que já nem me recordo onde ficava, havia um balcão corrido e lá serviam essas coisas. Essas coisas que para mim eram outras coisas. Eram o ritual de viagem e o prazer de estar. As perninhas de rã. Foi das primeiras coisas que decidi. Depois vieram os cogumelos com alheira de caça. Mas nem os cogumelos nem a alheira eram uns quaisquer. Andei a percorrer caminhos para encontrar produtores locais e sabia de uma pequena fábrica em Foz de Arouce que fazia (e faz) as melhores alheiras de caça que conheço ali na região. Agora que desenho ideias enquanto caminho, sem saber muito bem se chegarão a ganhar todas vida, penso nos desafio que superei e nas conquistas que fiz num cantinho que toda a gente dizia impossível. Agora acho que sou eu que digo a mim mesmo, muitas vezes, que será impossível. Mas não é. Como não era, servir ali aqueles cogumelos sempre frescos ou as perninhas de rã que vinham de Lisboa e chegavam sempre em caixas e caixas que saíam que nem pipocas. O que custa mais pensar neste momento é naquele tempo e naquelas forças que são precisas para recuperar e aguentar. Como foram no início. Nas primeiras semanas e nos primeiros dias de salas vazias e a pensar: não sei como isto vai ser. Mas depois, depois lá se foram enchendo. Lá foi tudo ganhando forma. As forças foram gastas, recuperadas e gastas e recuperadas. Dia após dia. Até conseguir. Agora é só a mesma coisa. Mais difícil porque não se sabem as regras. As certezas que bastava o produto ser bom, cozinhado bem e cada cliente ser tratado como único que as coisas se compunham, não chega. É preciso uma força extra que vem de enfrentar o incerto, o invisível e a dúvida. Mas no fim, sabemos que sempre foi assim. Vamos agora pensar nos bolinhas de arroz com perdiz pois o encanto e o espanto serão sempre lugares de salvação face ao incerto&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #58</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João d'Eça Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2020 13:35:51 +0000</pubDate>
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<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-58/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #58</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>O que vamos procurar? A privacidade, a exclusividade, a ideia de segurança, aqueles sabores que agora, sabemos, que não podemos ter em casa. E os lugares. Os lugares onde sabemos que tudo se torna único. Criar isto é complexo. Um desafio. E recordo um passeio há uns tempos. Corria uma tarde de sol e eu procurava receitas antigas. E foram os lagostins. De rio. Vendidos num cartucho de papel. Para comer à mão. Como se fosse a maior iguaria do mundo. E era. E são. Porque são coisas simples, tiradas dos lugares onde sabemos que só ali se podem comer. Só tudo ali faz sentido. Agora que estamos mais presos, que estivemos mais presos, sabemos ainda mais o valor disto. E os que nos visitam também. Os lagostins, cozinhados no tempo certo, como os camarões da costa, que tantas vezes servi no restaurante ou aqueles caranguejos, os percebes, as lapas, que trazia cedo, geralmente ao sábado, do mercado da Figueira da Foz, e servidos ali no meio da serra, onde me diziam tantas vezes que se conseguia provar o mar. Hoje sabemos mais do que nunca o valor de tudo isto. Porque hoje fomos privados desses momentos. Construir ou reconstruir o regresso só pode basear-se nisso. Não podemos acreditar que os que nos visitavam não mudaram como nós mudámos. Percebemos o valor de muitas coisas. Até das nossas pequenas conquistas e dos nosso erros que se tornaram maiores. Percebemos o valor da alegria que vestia as salas dos nossos restaurantes. Fomos e seremos sempre memória disso. Mesmo que tudo isto passe. E todos nós, de uma forma ou de outra, iremos agora fazer ainda mais estrada, mais quilómetros, mais encontros para procurar esses momentos que sabemos o valor agora que não os tivemos. O que será diferente? A forma como o fazemos. Seremos mais selectivos. Seremos mais cautelosos. Procuraremos mais a íntima experiência reveladora da tal alegria que nos faltou. Não mudará nada, a não ser isto. Esta cuidada e intensa vontade de viver. E um restaurante terá que acolher isso. Seja por servir o produto único, seja por receber quem visitar nessa viagem que fique na memória. Mas afinal, sempre foi assim. E deveria ser sempre assim&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #57</title>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2020 14:02:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A cozinha é feita de regras. O cerimonial pertence à sala. As regras de etiqueta sempre foram formas de segurança. A segurança da cozinha é diferente da da sala.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-57/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #57</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>A cozinha é feita de regras. O cerimonial pertence à sala. As regras de etiqueta sempre foram formas de segurança. A segurança da cozinha é diferente da da sala. O distanciamento físico e social não são uma e a mesma coisa. Nem se complementam. Assim como o único, o extraordinário (de fora do corrente), o saborosamente perfeito são coisas que pertencem à cozinha mas que tecem o tecido de que é feito um restaurante. Penso nisso porque penso num prato de arroz. Parece estranho ligar tudo isto neste tempo de tanta coisa absurda mas é só mais uma coisa. O arroz dos campos do Mondego, mais propriamente de um produtor com quem trabalho há uns anos, é um ingrediente deslumbrante. Dos campos de Maiorca, sei que cada lote, cada grão, em diferentes tempos, tem diferente comportamentos e sabores. É isto que tem e reserva em si toda a beleza de se trabalhar com artesãos. Como nós. Artesãos nesta coisa de criar sabores tal como quem nos fornece o é na arte de fazer nascer. Ora, quando se pensa num prato com arroz, pensa-se em tacho. O tacho no centro da mesa, a partilha e o degustar de tudo até ao fim, aquele pequeno pedaço do céu que está no fundo do tacho e que guardamos sempre religiosamente para o fim. Juntemos o salpicão das beiras e o javali. Juntemos uma couve e um pouco do caldo de carnes e sabemos que um arroz pode ser uma viagem no tempo. A questão é como adaptar isto a este tempo. Onde a partilha de utensílios deve ser evitada e não podemos transformar este arroz num risoto empratado para fotografia alheia. E pensamos então no privado. E no público. Na ideia que temos que hoje há essa distinção. Que tem tanto tempo quanto tem a república. Emergente, a ideia, que estaremos melhor, mais seguros, se estivermos em privado. E como criar isso à mesa. O primeiro acto é de fé. Acreditar que o cuidado que teremos será o que quem nos visita também tem. O segundo acto é de dimensão: não é o lugar que se descaracteriza e muda, são as dinâmicas individuais e colectivas que se adaptam ao lugar para ganhar a tal segurança necessária. Terceiro, o arroz. Não se assassina o arroz, não se muda a forma, nem o modo. Serve-se como sempre se serviu. Mas agora, num gesto privado. De mesa e de pessoa. Servido. Até ao rapar do tacho, sem ficar na mesa, mas servido. Às vezes só precisamos de um pouco de distância para ver o mais simples. Para ver mais simples. Mais claro. Sem complicar. Como a receita de qualquer bom arroz&#8230;</p>
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		<title>#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #56</title>
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		<pubDate>Sun, 10 May 2020 14:01:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há uns tempos refiz um conjunto de receitas históricas publicadas pela investigadora e amiga Guida Cândido, num total de 50 iguarias únicas e cozinhadas o mais perto do que poderia ser como tudo era feito no seu tempo.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-56/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #56</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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<p>Há uns tempos refiz um conjunto de receitas históricas publicadas pela investigadora e amiga Guida Cândido, num total de 50 iguarias únicas e cozinhadas o mais perto do que poderia ser como tudo era feito no seu tempo. Mas depois, juntei, quando abri o restaurante no meio da serra, os sabores de proximidade. A caça, javali, veado ou a lebre, faziam parte de um receituário baseado na partilha. Porque a caça era dos caçadores, a que cozinhava e dava a descobrir. Mas há outra. A tal, de família, de nobreza e de individualização. A que hoje precisamos para nos refazermos. Vamos por partes. A gastronomia não tem que ser só popular para ser portuguesa. Se é verdade que terei que repetir os sabores de caça, também é verdade que este é um dos ingredientes mais versáteis que existem. Podem ser multiplicados e de partilha, juntando como sempre o arroz ou os caldos, ou simplesmente ser servido individualmente, com acompanhamento mais requintado com os purés, esmagadas ou coisas que tais. Por isso, pegamos nos livros de família e vamos nessa viagem. Do javali, encontramos claro, mais de mil receitas pois tal como o porco era elemento dado a muitas interpretações. Mas a individualização e serviço nobre e cuidado exige uma atenção à não perda de identidade do produto. Se é claro que o podemos servir de forma tradicional num estufado ou assado, também é verdade que o podemos encontrar em receitas enobrecidas de uns bifes com molho Chasseur ou Robert a lembrar outras mesas que não as da caça e dos caçadores. Numa região centro tão rica de sabores únicos, e numa região onde os senhorios vingaram até muito tarde transformados hoje num caciquismo escondido, sobreviveram muitas destas receitas fechadas entre portas. Foram elas e a sua forma de servem servidas à mesa, nesse distanciamento social e individualizado, que ajudaram outras gerações e que nos podem ajudar agora. Porque, verdade seja dita, é tão surpreendente descobrir um sabor de uma carne de caça cozinhada num modelo popular como o é neste modelo de um requinte e exclusividade que nos assegura, agora, a confiança que precisamos para voltar a criar momentos saborosos inesquecíveis.</p>
<p>O post <a href="https://etaste.pt/coronavirus/diario-de-um-cozinheiro-em-penela-56/">#resistir João d&#8217;Eça Lima: Diário de um cozinheiro em Penela #56</a> aparece primeiro no <a href="https://etaste.pt">Etaste</a>.</p>
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