Depois de vencermos esta, estamos preparados para tudo, nada vai ser igual. Tantos anos de sacrifícios, tantos sonhos, muita luta para concretizar e realizar alguns dos sonhos, e agora tudo muda.

Todo o envolvimento, a experiência, o desenrolar de uma experiência num restaurante mais vai parecer que estamos num contexto hospitalar. Nos meus espaços, sempre aprimorámos pela diferença, pelo desempenho, pelo serviço exemplar. E agora, vamos aprimorar pela segurança de todos e sem retornos.

Com dois negócios próprios, A Fábrica do Pastel Feijão e o restaurante Puro, sem sócios, sem intervenientes nem investidores torna-se tudo mais difícil. O que vou fazer? Depois de investir em meados de fevereiro uma boa fatia na comunicação do Puro com a aposta na “Melhor Francesinha de Lisboa”(rádio, outdoors, imprensa, etc), este vai ser o meu caminho.

Com nove empregados que tinha, passam a ser dois nesta fase inicial, sem pressa, cabeça fria e cautelosos vou procurar ajustar a oferta ao mercado atual. Uma vez mais quem sofre são as famílias que ficam para segundo plano, se não fossem os mais de 400 mil euros investidos não arriscaria tanto.

Agora, e agora o que fazemos? Take away é uma opção mas não uma solução. É sempre um problema.

Nada fazia prever este colapso global, embora admito que já tinha comentado com várias pessoas e amigos ainda em meados de 2019 que 2020 ia ser um ano difícil, ao contrário de que as pessoas diziam. A restauração com tanta oferta a rebentar pelas costuras, a viver de turistas na sua grande maioria e com as infelizes aplicações com comida em saldos de forma a obterem clientes não seria saudável por muito mais tempo. Para muitos dos espaços com apenas 10, 20 lugares vai ser um verdadeiro desafio e com sérias dificuldades. Não se consegue manter distanciamento social e a capacidade é incomportável para ser viável. É o meu caso n’A Fábrica do Pastel Feijão.

Em conversas entre amigos e colegas da área, a minha caminhada nestes dois, três anos a solo era essencialmente adaptar-me ao público-alvo português. É bom termos turistas no caso das grandes cidades, é bom estarmos na ribalta, mas o que todos queremos é ter um negócio saudável e sustentável. Numa rotura global os que vivem do turismo são os primeiros a sofrer. Neste sentido, o Puro começou apenas por ser um conceito especifico e fomos alterando gradualmente para ter outro tipo de oferta e uma cozinha mais de conforto, algo que as pessoas procuram e sem modas. Basta pensarmos o que nós queremos quando estamos fora do local de trabalho, se não for para experimentar aquele novo que abriu é uma cozinha simples e de conforto. Falo por experiência própria, claro!

Estou certo que vamos sofrer muito nos próximos tempos, infelizmente muitos nem vão conseguir abrir. Convicto disso, penso que a frase ”vamos todos ficar bem” é demasiado otimista, não é uma realidade e já há muitas famílias que sofrem com isto.

Mais investimentos, novas medidas, os mesmos custos fixos com ou sem clientes, a única forma é reduzir na mão de obra. Encontrar soluções junto dos senhorios é uma matéria quase impossível pois não querem abdicar do valor já praticado e nem estão abertos a negociações. Esta seria uma primeira e ideal medida para vencer esta batalha.

Vencer vamos sempre! Sou guerreiro por natureza, trabalho desde os 13 anos na área. Fui paraquedista dez anos, fiz Missões de Paz em Timor e na Bósnia várias vezes e não vou desistir! Vou resistir a esta também!