Hoje, segunda-feira, dou 6 horas de aulas online. As aulas estão agrupadas em turmas de 2, repartidas por 3 horários distintos: 12:00-14:00, 16:00-18:00 e 19:00-21:00. Durante a aula, temos acesso às presenças e, no final da mesma, temos que preencher um relatório, incluído o sumário. Como os conteúdos estão alinhados, significa na prática dizer 3 vezes a mesma coisa. Não significa, porém, que as aulas sejam iguais. Os alunos participam, embora de facto não seja a mesma coisa do que estarmos a olhar uns para os outros. Escrevo este texto enquanto faço tempo para dar a segunda aula. A unidade curricular é a mesma: Gestão de Equipamentos e Design Hoteleiro, que tem como objetivos entender a criação de valor no imobiliário e sua relação com a de exploração de empreendimentos turísticos, planear e conceber eficazmente empreendimentos turísticos e organizar e avaliar a disposição (“layout”) dos espaços da unidade.  Na primeira parte da unidade, analisamos todo o processo da criação de um projeto hoteleiro, incluindo o financiamento. Alerto sempre que um bom projeto hoteleiro deve estar suportado apenas em 50% de empréstimos e que o risco de incumprimento bancário para os projetos mal concebidos aumenta exponencialmente se os juros forem demasiados altos. Ora, nem a propósito, recebo hoje a resposta da CGD (que é um banco estatal) ao meu pedido de esclarecimento sobre as medidas de apoio à crise do COVID- 19. Para resumir a coisa, não é verdade que o crédito fique suspenso. Continuam a cobrar-nos os juros e a restante parte do empréstimo, que de facto fica suspensa, é imediatamente paga quando acabar o período de carência, ou seja, acumula nas prestações seguintes ao período de carência. Enquanto o governo não decidir de facto intervir, ao invés de nos apresentarem medidas que realmente possam salvar o setor, somos presenteados com estas soluções da treta, que em nada contribuem para a solução do problema. Entretanto, já são 15:00, o meu iphone deixou de funcionar e como não posso estar incontactável, ponderei ir a uma loja resolver o problema, enquanto a segunda aula não tem início, mas já não vai dar. Vou beber um café, ligar o blackboard e conectar-me com os alunos, enquanto lhes digo que os projetos hoteleiros continuam a ser uma boa aposta, apesar dos riscos que acarretam, nomeadamente:

• Não haver um bom alinhamento das pessoas certas,

• Entrar no mercado em contraciclo,

• Localização errada para o conceito,

• Plano de negócios deficiente,

• Juros demasiados altos para a operação/Custos operacionais demasiado altos;

• Ser esmagado por novos competidores;

• Reservas de capital desadequadas (fundo de maneio);

• Gestão inflexível;

• Mau serviço e manutenção deficiente;

• Falta de apoios governamentais em caso de calamidade publica.