Há uns anos li uma entrevista a Michael Jensen onde ele explicava a sua visão sobre a integridade e a sua relação com a moralidade e a ética. Na entrevista ele referiu que “a integridade é uma afirmação puramente positiva. Não tem ligação entre a luta do bem contra o mal. Pensem por um momento na Lei da Gravidade: não existe boa ou má gravidade, apenas existe gravidade. Moralidade e ética por outro lado são conceitos normativos que lidam com a relação entre o bem e o mal e o certo e o errado” significando que no caso da integridade não há meio termo – ou tens integridade ou não tens.

No contexto em que vivemos isto é deveras interessante. Muitos indivíduos e empresas demonstram um elevado grau de falta de integridade. Empresas escrevem propósitos e valores da missão da empresa que não seguem. Departamentos de Recursos Humanos possuem standards nos quais não acreditam e as pessoas estão constantemente a falhar naquilo que disseram que iam fazer. Está de tal forma institucionalizado que até se transferiu para as notícias e vivemos agora numa era dominada pelas Fake News

#Resistir é também a oportunidade para avaliar o grau de integridade da organização. Com toda a volatilidade que existe, integridade como qualidade da organização ou do indivíduo gera confiança e credibilidade. E este será um grande trunfo no mundo imediato ao fim da epidemia. A falta de integridade poderá afetar a performance e reconhecimento do público.

Em gestão usamos este conceito em diversos contextos. Nos produtos, integridade significa ser completo e sem falhas. Numa ponte significa segurança. Numa bicicleta poderá significar top performance (uma bicicleta com os pneus vazios não é íntegra, mas funciona afetando a utilização e a performance). Numa organização a integridade significa que eles respeitam o que dizem, a missão da empresa, as normas socais e governamentais. Inclui não cometer ilegalidades, defraudar os clientes, violar os acordos, não cumprir as normas laborais, etc. 

Um dos exemplos mais comuns na hospitalidade é o de embelezar as fotos dos hotéis, restaurantes ou resorts usando os melhores truques de fotografia e de edição para melhorar remotamente a perceção do cliente. Esta “engenharia fotográfica” é uma das coisas mais estúpidas de se fazer. Os clientes em geral não se queixam, mas na sua mente, onde guardam as experiências, diminuem o valor do local. Também as promessas de serviços “premium” ou “luxury” que na realidade não passam de “average” cria falhas na perceção da experiência dos clientes e implica a credibilidade da empresa. Mas mais preocupante são as práticas laborais. Falhar em criar um ambiente de trabalho seguro é também visto como falta de credibilidade. Práticas como turnos excessivos, falta de planos de desenvolvimento pessoal e falta de formação adequada também constituem falta de integridade, porque falham com o pacto social em vigor em Portugal.

A integridade aparece como um fator diferenciador entre os negócios. Essa diferenciação é o que fará os clientes irem ao teu negócio e não ao do vizinho. Na minha opinião, esta paragem não apresenta nada de positivo. Nada que coloque em causa a vida de seres humanos e a viabilidade e sobrevivência de toda uma indústria pode trazer benefícios, por mais que digam que há sempre um lado positivo. Mas pode ser um tempo dedicado a avaliar o grau de integridade da empresa e da pessoa. Algo muito pessoal e transparente feito de forma introspetiva. 

Avaliar como valor de gestão que permita diferenciar e posicionar o teu negócio. #Resistir é utilizar todas as oportunidades, mesmo as menos óbvias.