Faz hoje dez dias que a família Vintém se confinou em casa, somos cinco: Eu, o Zéjulio, e os nossos filhos, António Caetano e Francisca. Estamos de quarentena. Ainda não sei se consigo encaixar e perceber muito bem o que isso quer dizer. Sinto-me a viver numa redoma, protegida de tudo e de todos. Talvez porque viva numa cidade que, já por si, só é tranquila, bastante isolada e onde o tempo ainda é tempo.

Esta semana passou a correr, entre as adaptações ao teletrabalho e a restruturação da dinâmica familiar não houve espaço para pensar em muito mais. A casa passou a ser o nosso mundo, o nosso micro-sistema, onde todos temos um papel e tarefas muito bem definidas. Não foi difícil pormo-nos em sintonia, talvez porque de alguma forma ela já existisse. O mais difícil é, sem dúvida, o isolamento social, o não poder estar e partilhar com o resto da família, os amigos, os vizinhos, principalmente quando temos em casa um cozinheiro, mas sabemos que é uma situação passageira e as novas tecnologias ajudam muito!

Nunca tivemos tantos grupos de whatsapp, os telefones estão a entrar em burnout de tanta interação. Há grupos para o trabalho, para os diferentes amigos, para a família chegada, e sei lá mais para quem! Sabemos de todos e falamos com todos! Tirando as incertezas económicas, que são gerais, não nos falta grande coisa.

Sinceramente, estou feliz! Vivo no campo! Os miúdos estão contentes, arranjaram tempo para brincar e principalmente para se conhecerem. À hora das refeições estamos todos reunidos, partilhamos histórias, músicas e saberes. A casa nunca esteve tão funcional e dinâmica. A família passou a ser uma Família. Não tenho um minuto do dia livre, estou estoirada, mas tenho tempo para Ser, para Estar, para Viver!

Se esta situação drástica e repentina não conseguir fazer o mundo parar para pensar, então não sei o que o fará. Temos que nos reinventar e principalmente fazer frente às dinâmicas sócio-económicas e políticas que nos são impostas todos os dias. 

Basta de tanta incoerência!

Penso realmente que a vida é uma questão de escolhas e de prioridades e eu tenho sinceramente que rever as minhas. Não quero perder o que ganhei durante esta última semana.

Costumo dizer vezes sem conta: “o se não existe, temos que viver o agora!”