Volvidas algumas semanas da pandemia de Sars-CoV-2 e de COVID-19, já é tempo de se fazer um balanço, inicial, intercalar, sabe-se lá por agora.
Este ano que passou mentalmente desde que começou a pandemia de Sars-CoV-2 e de COVID-19 ainda não chegou, contudo, no rigor das coisas e dos números, a um mês completo de clausura, de quarentena voluntária ou distanciamento social.
Dados e factos, esta aparente eternidade ainda não perfez um mês de calendário.
Essa é uma das ilações a retirar, por ser objetiva e facilmente mensurável, no que tange aos números, já que é pegar no calendário e fazer as contas, mas assim não é no que tange ao espírito, ânimo e às vivências de cada um.
E no setor da Restauração não é diferente.
Nesta eternidade em que caímos já se desesperou pelo fecho repentino de Restaurantes e pela impotência de ter de mandar colaboradores para casa, também de forma repentina, sem se saber sequer o título a que se fazia isso, já se desesperou pela falta de medidas concretas de apoio do Estado, já se regozijou com algumas delas, pese embora a sua aparição a conta gotas, como este novo tempo impõe.
Mas ainda se mantém a esperança que haja medidas mais concretas e eficazes, de injeção de dinheiro do Estado na economia, e não a mera disponibilização de mais linhas de crédito e consequente possibilidade de contrair mais dívida, de partir rumo ao desconhecido, e inevitável embrenhar nos labirintos do crédito e das garantias mútuas, pese embora a garantia do Estado.
Temos reagido, temos resistido, temos trabalhado, temos tomado decisões, umas vezes impelidos pela necessidade, algumas pela necessidade aparente, outras pelo medo, e outras ainda pela súbita falta dele.
Estes tempos desconhecidos e altamente desafiantes são também tempos de disrupção, de mudança, de rasgar com hábitos e costumes antigos e já enraizados, de inovar, de fazer sem medos e sem receios, de enveredar por situações não pensadas nem testadas.
E é assim que nos tempos que correm, de mão dada com as empresas de entregas ao domicílio que floresceram com o advento da economia criativa, e seus incansáveis e disponíveis colaboradores que tudo recolhem e tudo entregam, de sol a sol, faça chuva ou faça sol, também florescem as soluções de take-away de refeições e de produtos propostas pela Restauração.
No que tange à Restauração em particular, se é necessário, por um lado, tentar pagar contas no fim de cada mês, tentar gerar alguma receita a fim de assim solver os inúmeros compromissos assumidos e que estão em causa com o encerramento dos Restaurantes decretado por razões de saúde pública, também é necessário, por outro lado, ter presente que há muitas franjas da população que dependem da restauração e das refeições que esta serve dia após dia, em tempos normais ou de pandemia. Também aqui andam de mão dada um poder e um dever.
Só mais adiante se poderá fazer contas e um balanço sério e objetivo deste proliferar de soluções de take-away de refeições e de produtos propostas pela Restauração, que para muitos foi uma opção e, para muitos outros, foi antes uma obrigação, mas é um sinal importante de resistência e de resiliência que advém de um setor onde o humanismo deve imperar e deve sobressair mesmo nas mais pequenas coisas.
Estamos, pois, todos ligados, todos distantes.
Saibamos resistir. Resistamos. Todos juntos. Sempre.
#Resistir.
