Futurologia: diz o dicionário que é o estudo das pesquisas que visam prever um dado momento do futuro. Tenho ouvisto diversos chefes mundiais falar sobre o futuro dos restaurantes e fico alarmado com a opinião da maioria dos chefes/restauradores, como a do chefe David Chang, que refere que a restauração, como a conhecemos, vai desaparecer e se reinventar. Dz ele que apenas vão ficar os restaurantes das grandes cadeias que têm poder de suportar a crise. E, como tal, esta mudança irá trazer graves problemas associados à falta de ética na produção, na saúde futura de quem consome produtos com falta de vitaminas e muitas calorias, entre tantos outros. Outros, como Pierre Gagnaire, recordam que já estiveram na falência e que o nosso trabalho detém a joia: A socialização e iremos precisar dela urgentemente. No oposto de David Chang, temos o Andoni Aduriz que, num live, referia que ao falar com a mãe de 90 anos sobre esta crise, ela referia: “qual crise! Tens o que comer e onde dormir, crise é não saber quando se vai comer e onde se vai dormir”. Ele também referia que o Mugaritz esteve em crise desde o início, um pânico constante da busca criativa e incessante pela conceptualidade da experiência, logo este momento era mais um momento de pânico entre tantos outros. 

A minha reflexão recai sobre o “fine dining” em Portugal. Não poderemos perder este sector da restauração que, quer queiramos quer não, é um motor de arranque para muitos cozinheiros irem beber da técnica e do modus operandi destes locais e, posteriormente, adoptar estes sistemas em outros restaurantes mais casual. Desta forma, permite-se que o comensal tenha a possibilidade de usufruir um produto de qualidade tratado por uma mão e um cérebro que detém imensa informação para não o estragar. Não esquecer também o trabalho dos escanções que vieram dos restaurantes de topo e que agora se tornam uns agentes do nosso vinho Português tratado com respeito e orgulho! São também estes restaurantes que, não só alimentam o corpo, como também proporcionam a experiência extrema onde cada pormenor de serviço é tratado com cuidado. Não posso negar que muitos restaurantes tradicionais também nos dão uma experiência, mas com diferentes valores e diferentes ângulos do que queremos alcançar. Não esquecer que muitos destes restaurantes resgatam receitas e produtos quase esquecidos, fazendo um brilhante trabalho com eles, como por exemplo o projecto Matéria do João Rodrigues. Existem também  outros restaurantes  mais casual que oferecem uma experiência normalmente associada ao social, um lado dito mais cool trazendo mais interesse para diversos clientes mas digamos de bem verdade que muitas vezes a comida nem o serviço são os protagonistas. Relembro refeições memoráveis como a do Quique Dacosta, em Dénia, ou do Geranium, em Copenhaga, porém também me lembro de uma excelente rechina com o André Magalhães, no Alentejo, num restaurante típico. Importante é que continue a haver espaço para todos e comensais para todos, porque a cadeia montada tem centenas de anos de história.