Levantei-me da cama na manhã meio nublada e  perto do que será o primeiro dia da primavera. O corpo já dormente, de tanto sofá, e a visão já distorcida de tanta tv, grupos de whatsapp com imensas mensagens e mais uma vez usado o skip Botton de tanta desgraça e comic vídeos. Gosto de pessoas, porra, não de uma conversa em mensagens por telefone. Já vários chefes invocaram isto da hospitalidade, um ramo que vive e restaura pessoas e os retira por um segundo da realidade do dia a dia, a experiência! Primeiro pé no chão, logo de seguida o outro e, zás, uma dor forte atinge o dedo grande! A mente pardacenta da falta de actividade não reage à dor e mete o corpo a andar! Outro passo e novamente a dor, se calhar é melhor ver bem. Dedo inchado e mais uma vez uma unha que se encrava resultado de anos de socas de biqueira de aço nos pés. Vou a casa de banho e pego no estojo de primeiros socorros. A mente finalmente acorda e pensa! F@& era tão bom que esta caixa tivesse lá dentro a vacina que tanto esperamos?! 

Aberta a caixa lá está uma seringa com a vacina que tanto se pretende! É uma alegria que só a senti quando a minha filha nasceu! A dúvida persiste quem vai tomar esta vacina? Se calhar é melhor ligar a uma farmacêutica para reproduzir isto? A chamada foi bem sucedida iremos finalmente ter a vacina para este vírus que deixou todos doidos! Feliz de poder voltar à rua e seguir com a profissão que escolhi há 16 anos, vejo que Lisboa já não tem a mesma luz, que vários amigos já não estão entre nós e que a força anímica de todos é fraca ou diria mesmo nula. Não temos vida na cidade! 
Felizmente toca o despertador e volto à realidade, os amigos estão cá, com vontade de lutar, Lisboa continua a ter uma luz linda, estamos todos mais solidários do que nunca e que apesar de, mais uma vez, o nosso governo nos desiludir a raça lusitana mantém-se acessa!