Aqui n’O Ferreira nada será como dantes. E 3 anos após a mudança forçada da Rua do Almada para a Rua Gonçalo Cristóvão, mesmo sob o viaduto, uma nova mudança se avizinha. Agostinho Ferreira da Costa foi jogador do Futebol Clube do Porto. Não sendo dos nomes mais conhecidos, fez parte do mítico plantel campeão europeu em 1986-87. Nos últimos anos, na pele de empresário da restauração, tem sido obrigado a fazer algumas fintas à vida.
Primeiro, com a crescente procura imobiliária que se verificava na cidade do Porto, teve de sair da sua morada original, e mudar para a localização atual. Muitos desconheciam a mudança e só se apercebiam ao lerem na carta dois dos ex-libris d’O Ferreira: o Bife à Ferreira – 9€ -, e o Pudim de Batata Doce – 2,80€. Aí desapareciam as dúvidas.
Muito frequentado por advogados e juízes dada a sua localização frente ao Tribunal de Execução de Penas e ao DIAP da Comarca do Porto, O Ferreira todas as manhãs publicava na sua página de Facebook os seus pratos do dia, 3 a 4 opções. Dada a exiguidade do espaço, era aconselhável a reserva, de mesa e de prato. Desta forma, podia sair do meu escritório, atravessar a rua, almoçar e estar de regresso meia hora depois. Comida de conforto, servida a 6,50€, 7€ o prato, com doses justas.
Dado que por volta das 12h45 o espaço estava diariamente lotado, o Sr. Ferreira fazia a gestão da sala muito a seu modo. Ia sentando os comensais literalmente onde havia lugares livres. Estando eu sozinho numa mesa de 4 pessoas, por exemplo, rapidamente tinha mais dois desconhecidos a almoçar comigo à mesa. “São boas pessoas, não vai ter problemas”, anunciava ele quando fazia os referidos “casamentos” que lhe rentabilizavam a sala.
Não sabemos quando reabrirá O Ferreira, mas uma coisa vos garantimos. Dado o imperioso distanciamento social que se impõe e de que tanto temos ouvido falar, essa gestão da sala e rentabilização do restaurante não existirá pelo menos nos tempos que se avizinham. Servindo menos refeições provavelmente Agostinho Ferreira da Costa será forçado a aumentar os preços, ou, caso os clientes adiram, a servir mais em take-away, podendo os seus clientes de outrora vir buscar aquilo que pretendam comer e fazê-lo à secretária do seu gabinete. Uma coisa é certa: n’O Ferreira nada será como dantes.
