A par de nomes como Fausto Airoldi e Vítor Sobral, Joaquim Figueiredo deu um importante contributo à gastronomia lusa, tendo sido parte importante na introdução de novos sabores e ideias. O chefe radicado em França esteve em Portugal para participar no ‘Festival dos Cogumelos’ – iniciativa que decorreu de 28 a 30 de outubro, no restaurante Chapitô À Mesa, em Lisboa – organizado por Bertílio Gomes, um dos seus pupilos.

Filho de pais emigrantes, chegou a Portugal no ano de 1990, já com um curso de cozinha feito numa escola de hotelaria francesa. Começou a trabalhar no Hotel Rex (agora pertencente ao grupo Sana) e depois no Ritz, com o chefe austríaco Helmut Ziebell. Sobre esses tempos, recorda: “não havia espaço para os chefes abrirem o seus próprios restaurantes. Estava tudo muito fechado no seu mundo”. No entanto, atualmente já há uma “tomada de consciência da qualidade dos produtos portugueses e uma abertura maior a outros países, o que ajuda naturalmente a fazer progredir a nossa cozinha”. De há dez anos para cá, a própria cidade de Lisboa “evoluiu muito” e está “mais cosmopolita”, o que influencia na criação de projetos diferenciadores. “Venho cá duas vezes por ano. E do que vejo come-se muito melhor”. E os turistas franceses estão a perceber isso e a mudar a imagem que têm dos emigrantes lusos. “Acho que já levam para casa uma ideia diferente do nosso país”, defende o chefe de 55 anos.

Joaquim Figueiredo liderou também o restaurante Consenso antes de abrir o Café da Lapa, na capital. Entretanto, deu aulas na Escola de Hotelaria de Lisboa, uma paixão que não esconde. “Uma das coisas mais importantes da minha profissão e que faz parte da vida de um cozinheiro é a transmissão de conhecimentos. Durante a minha carreira, procurei ensinar os mais  jovens. O Bertílio (Gomes) é um desses casos”, elucida. Hoje em dia sublinha ainda ser “muito importante”, para alguém que queira fazer vida da cozinha, ter “várias experiências” no estrangeiro.

Por volta de 1998, integrou a equipa inicial da Bica do Sapato e em 2004, antes de reabrir o Tavares – por onde passaram outros nomes da gastronomia nacional como Henrique Mouro e José Avillez -, foi ainda consultor gastronómico das Pousadas de Portugal. “A cozinha portuguesa atual não tem nada a ver com a da minha altura. Não existiam restaurantes com estrelas Michelin e agora há vários. O que é excelente”, sublinha.

O amor fê-lo regressar a terras francesas, em 2004. Atualmente detém em conjunto com a mulher, o  Hotel De France, em Maubourges, onde pratica cozinha portuguesa, claro. “Não posso fugir das minhas raízes. Gosto muito de trabalhar com os nossos produtos”, confessa. Sobre um eventual regresso a Portugal, Joaquim Figueiredo não deixa a hipótese de lado. “Se voltasse gostaria de abrir uma coisa simples, longe da ribalta”. É esperar para ver!