Foi a primeira pergunta que fiz a mim mesmo, enquanto passava a ponte 25 de Abril, rumo a sul, depois de, horas antes, ter encerrado a nossa cozinha!
Não conseguia deixar de questionar-me, o que iria acontecer com aquilo que de mais importante existe no meu local de trabalho, os meus colegas, a equipa que trabalha a teu lado, todos os dias.
A viagem, de carro até casa, foram três horas de muita reflexão e auto motivação. Por eles, era importante agir, criar um plano, para todos nos mantermos psicologicamente resilientes e não entrar numa espiral de pânico e ansiedade.
O que andas a fazer?
Foi a primeira iniciativa. Ainda não tinha entrado em casa e já estava desafiar toda a “malta do Bairro” através das novas tecnologias, para mostrar o que se ia passando nas suas casas (leituras, receitas, pensamentos, produtos, dicas, truques) a ideia era simples, mostrar que ninguém estava sozinho nesta guerra e que tinha uma oportunidade de fazer acontecer, para mais tarde aplicar.
Com o nosso “polvo” totalmente desmembrado, o Nuno Mendes em Londres, eu no Algarve e grande parte da equipa, espalhada pelo país, mantivemos a nossa prioridade, durante esta fase: primeiro, apoiar a equipa em toda a linha. Sentirmo-nos seguros e mostrar que estamos seguros é imperativo para a segunda fase.
Acredito que aquilo que esperam de nós (restauração), são aspetos inteiramente ligados às medidas de segurança alimentar, qualidade da matéria prima, envolvência com a comunidade local e transparência total no processo de produção. Viremo-nos para dentro!
Mas também esperam alegria, fidelidade, disrupção, capacidade de adaptação à nova normalidade e acredito que tudo voltará a ser como dantes, mas agora com mais planeamento e menos romantismo, pelo menos nos primeiros meses.
