O palco do Madrid Fusión — o mesmo onde há oito anos Ferran Adrià anunciou o seu afastamento da alta cozinha — voltou a receber na última segunda-feira o chefe espanhol para a apresentação do elBulli1846, que ao contrário do que muitos desejariam, não será o novo elBulli no formato restaurante mas sim uma casa do conhecimento.

Nos últimos anos, Ferran Adrià andou afastado do olhar público mas sempre de olhos postos no futuro. Após o encerramento do aclamado restaurante elBulli, o chefe espanhol criou a elBulliFoundation — uma fundação gastronómica (com um projecto ambicioso que seguiu de desaprovação em desaprovação local) e um centro criativo e de investigação — da qual, mais tarde, nasceram os projetos La Bullipedia (com o lançamento de 35 livros) e La Bulligrafia (um museu-arquivo com toda a história do restaurante e que abrirá as portas num espaço físico em 2022).

O culminar de tantos anos a pensar cozinha vai agora ser reforçado por um novo projeto, elBulli1846, cujos pormenores foram revelados pelo próprio Adrià ao longo da apresentação no Madrid Fusión [que decorre até dia 30 de janeiro, quarta-feira]. Segundo revelou o chefe espanhol, o elBulli1846 vai ter sede na mesma morada onde vivia o antigo elBulli, em Cala Montjoi, na Catalunha e terá até uma cozinha e uma sala de jantar — que vão estar à disposição da equipa, do qual farão parte cozinheiros e especialistas em outras áreas.

Este quarto projeto de arquitetura visa acolher uma ideia mestre. Já que o setor da restauração anda tão envolvido no seu próprio movimento, que ele conhece bem, há que parar para pensar. Juntar conhecimento e transformar numa linguagem fácil, de maneira a poder devolver ao setor. Como? Juntando livros que se atualizam. “Alguém conhece uma revisão da fisiologia do gosto adaptado aos nossos dias ?”, perguntou Adrià num dos momentos em que fez parar tudo. Longe de outros tempos, este é para Ferran Adrià um recomeço nestas lides, às quai foi logo dizendo que não voltará mas sim que dialogará a partir do seu centro de trabalho.

Para breve mais e mais produção literária, Adrià defende que quem ganhar a batalha do conhecimento ganha o futuro e ele quer que seja a Espanha a ganhá-lo. Vai bem lançado.