Agosto de 2017 ficou marcado pela partida para uma das experiências mais enriquecedoras da minha carreira. A par desta, só aquela pela qual passei na final do Barman do Ano, em 2015, quando ganhei o primeiro lugar na competição.
Quando cheguei ao México, a propósito da final mundial do World Class, comecei a aperceber-me da dimensão da organização desta competição, desde os pequenos detalhes até às infra-estruturas criadas para garantir o bem-estar dos candidatos e do consequente desenvolvimento da prova. As primeiras horas foram destinadas aos habituais briefings sobre tudo o que nos iria envolver nesses dias, desde a nossa segurança até à interacção com os media. Aqui nada é deixado ao acaso.
O segundo dia começou de forma intensa, recheado de palestras com diversos oradores. Foi um dia bastante recompensador, culminando com a festa de recepção, realizada no Hotel Four Seasons onde o destaque estava centrado em todos os concorrentes. Entretanto, deu-se o início oficial desta grande aventura, com o primeiro challenge: Mex-Eco. Fui o primeiro a apresentar-me na prova que consistia na criação de um cocktail que tivesse como pano de fundo a sustentabilidade e a forma como a temática tem impacto no trabalho dos bartenders. Foi uma prova desafiante pois, além da bebida, tínhamos de fazer uma pequena apresentação de cinco minutos onde explicávamos ao júri – constituído por figuras como Ivy Mix, Jennifer le Nechet e Dre Masso – a nossa inspiração e respectiva visão sobre o tema.
Da parte da tarde, aconteceu o segundo challenge: Signature. Aqui tínhamos carta-branca para fazermos tudo o que quiséssemos, sendo que a condição seria criar um cockail representativo do local onde trabalhávamos. No meu caso, o The Royal Cocktail Club, no Porto. Nesta fase deparei-me com mais um grupo de jurados de respeito, como Erik Lorincz, Julio Bermejo e Tash Conte. Acredito que este foi o desafio onde tive a minha melhor prestação, coroada com o 7.º lugar na classificação geral. Receber elogios por parte deste grupo de especialistas, em relação ao meu trabalho, é algo que ficará para sempre na minha memória.
De imediato começamos a preparação para o dia seguinte. É incrível como nesta competição o relógio não pára, e cada segundo é importante.
Cocktails At Home foi o nome do quarto desafio, bastante divertido e casual, onde a criatividade foi posta à prova. Cada bartender tinha de simular uma ida a casa de um amigo e a preparação de uma bebida, com a particularidade que teríamos de utilizar apenas o que estava disponível na cozinha. A ideia era interagir com o júri fazendo com que este participasse na elaboração dos cocktails. Aqui o grupo de jurados era constituído por Carey Watkins, Jason Crawley e Laura Conte.
Por fim, chegou aquele que viria a ser o meu derradeiro desafio: Heat of the Moment. Este foi o que mais problemas causou a todos os candidatos. Era uma prova ao estilo Masterchef, em que dispúnhamos de 25 minutos para elaborar um cocktail, com a particularidade de todos os ingredientes terem de ser criados no momento, recorrendo a técnicas que nos tinham sido apresentadas pelo chefe de cozinha Alejandro Cuellar, no dia anterior. O grupo de jurados neste challenge era o mais alargado, e entre eles estavam Charles Joly, Hidetsugu Ueno, Aimee Gibson, Stu Mcluskey e Abel Hernandez. No final do dia foram anunciados os dez finalistas, numa cerimónia em directo, na qual todos os candidatos eram chamados ao palco, um a um. Aqui acabou a minha participação na final do World Class.
Nos dois últimos dias da competição, e já sem a pressão de estar à prova, pude assistir ao fantástico desempenho de todos os finalistas nos restantes desafios e também conhecer um pouco do México, que por si só é bastante intimidante dado o seu tamanho.
A cerimónia final da World Class é uma grande experiência. Todos os concorrentes foram levados para um recinto de luta e recebidos como estrelas, com direito inclusive a passadeira vermelha. Quanto ao prémio final, acabou por ser atribuído à bartender Kaitlyn Stewart, do Canadá. Este é um ano que fica marcado por mais uma mulher a vencer a competição, o que já tinha acontecido em 2016, com Jennifer Le Nechet.
Do México, trago na bagagem um conjunto de experiências que nunca esquecerei e que me vão acompanhar ao longo da minha carreira profissional. Acredito que a base de sucesso desta competição é a forma como se criam laços tão fortes que se estendem a todos os cantos do mundo e que fazem com que o mundo do bar se desenvolva e cresça cada vez mais.
Agora de volta à realidade, o objectivo passa por fazer cada vez mais e melhor para que dessa forma possa ajudar a fazer crescer o nome de Portugal no panorama internacional do bar.
* o autor não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico




