Vivemos um tempo e status quo que, com exceção de pessoas do setor da saúde/ciência e investigação e de alguns visionários, v.g. Bill Gates, ninguém esperava viver neste momento, neste preciso ano de 2020.

Trata-se, na sua génese, de uma situação de emergência de saúde pública a nível mundial, decretada pela OMS em 30/01/2020, e classificada como uma pandemia desde 11/03/2020, com consequências a nível familiar, social, económico e político, à escala mundial, sendo indiferente a culturas, raças ou religiões.

Deter-nos-emos, por agora, e brevemente, nas suas consequências ao nível da restauração em Portugal.

O setor da restauração em Portugal vivia uma aparente fase de crescimento, impulsionada na sua quase totalidade pelo turismo e pela faceta cosmopolita e grande diversidade gastronómica que soubemos dar aos nossos principais destinos, ancorada num bom serviço e na qualidade daquilo que era entregue aos clientes.

Trata-se de um setor em que, além do autoemprego, há que saber gerir uma realidade falsa que se traduz na existência de uma aparente liquidez em caixa, liquidez esta que mais não é que o desfasamento ou ciclo de vida do cash-flow até serem efetuados os pagamentos devidos a trabalhadores, Estado, fornecedores e toda a cadeia de stakeholders.

Mas há uma outra característica transversal ao setor da restauração em Portugal: ninguém dispõe de reservas ou de capacidade para suportar as consequências de uma queda abrupta na procura, em mais de 90%, seja em resultado do medo instalado, seja em resultado da agora tão propalada, quanto necessária, “quarentena voluntária”.

Ninguém está preparado para suportar um cenário de um ou dois meses sem a receita normal da atividade, mantendo todos os demais encargos pagos e em dia.

Não é por má gestão, não é por má vontade.

É assim porque o setor da restauração em Portugal não foi preparado, nem podia, para tal choque e situação extraordinária de rutura, por um lado e, por outro, porque estava a ensaiar uma retoma depois da crise que nos assolou no início da década passada.

É este, assim, um dos maiores desafios que o setor da restauração em Portugal terá pela frente nos próximos tempos, depois de vencermos aquele que agora nos desafia fatalmente enquanto seres humanos e enquanto povo: o COVID-19.

Vencido este desafio do COVID-19, será tempo da resposta do setor da restauração em Portugal, e essa passará necessariamente por:

Resistir.

Reinventar-se.

Recomeçar.

Regressaremos mais fortes.

Com a necessária articulação com o Estado, os Bancos, e todos os stakeholders com ligação ao setor.