Com 47 anos, Peter Gilmore é chefe do restaurante Quay, em Sidney. Foi um dos primeiros, da sua profissão e país, a trabalhar com a diversidade da cozinha vegetal e a abraçar produtos locais. Este ano apresentou a sua arte a convite do festival gastronómico San Sebastian Gastronomika (SSG), no País Basco.
Ao contrário da generalidade dos chefes, a sua paixão pela cozinha não foi imediata, apesar de desde cedo ter tido contato com várias culturas gastronómicas através da mãe que sempre “gostou de cozinhar e descobrir coisas novas”. Recentemente, Gilmore tornou-se conhecido do grande público como parte do júri do programa de televisão Masterchef Austrália, um formato de sucesso que se replicou em outros países, inclusive Portugal. “A maioria das pessoas quer ser estrela devido aos programas de televisão. Quando começam a trabalhar na cozinha apercebem-se que a realidade não é essa. O dia a dia é difícil e é preciso um longo caminho para chegar ao sucesso. Mas é claro que esses programas também são importantes porque sobretudo inspiram as pessoas e isso é sempre positivo”, defende.
A gastronomia australiana é pouco conhecida aos olhos dos europeus mas segundo o chefe esta está cada vez mais “aberta e multicultural”. Sobre o panorama atual da gastronomia no mundo, Peter Gimore ressalta as “singularidades” que os vários chefes tem vindo a descobrir do seu país. A juntar a isso, estes estão cada vez “mais instruídos e incorporam novas filosofias e técnicas nos seus pratos”. Os produtores locais tem alguma influência nessas particularidades que fala, um trabalho que dá muito valor. “Trabalhar de perto com eles dá mais significado ao que tu fazes porque entendes todos os processos de um ingrediente”. Afinal de contas, “para ter alguma coisa, tens de cuidar e vê-la crescer”.
