Lavradores de Feitoria: a maioridade

A Lavradores de Feitoria — que este ano comemora 18 anos — é um projeto marcado pela união de 17 produtores que, em conjunto, fazem nascer vinhos marcados pelo terroir do Douro, a sua região berço.

O que aconteceria se num singular vinho, no seu aroma e sabor, se conseguissem evidenciar vários territórios distintos? Muito bem, a Lavradores de Feitoria, propôs-se a responder a essa questão há precisamente 18 anos. “Eu costumo fazer uma comparação com um pintor que tem uma enorme paleta de cores para pintar um quadro, em oposição a ter só três ou quatro. Com diferentes castas, idades, altitudes e exposições acabamos por ter uma gigantesca possibilidade de combinar esses fatores”, começa por explicar Olga Martins, CEO da empresa duriense.

Tudo começou quando no ano de 2000, 15 lavradores [17, em 2018], proprietários de 18 quintas [20, em 2018] — repartidas por três sub-regiões do Douro (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior), — decidiram juntar-se sob uma só marca, Lavradores de Feitoria, para juntos produzirem o melhor vinho possível, aproveitando as mais-valias de cada terreno. O caminho inicial não foi fácil. No entanto, como recorda Olga Martins, o sucesso acabou por chegar. “Hoje somos uma empresa respeitada, com um modelo de negócio único e  que cumpre o seu objetivo de valorizar devidamente as uvas do Douro.”

A pergunta impõe-se: como é que se consegue lidar com tantos territórios distintos e ainda assim fazer um vinho que agrade a todos? “Ao longo destes anos fomos aprendendo sobre cada vinha, percebendo como se comporta em cada circunstância, e isso vai facilitando cada vez mais o nosso trabalho”, explica a responsável. Afinal, são 600 os hectares que a Lavradores de Feitoria detém, onde moram as mais variadas castas (Tinta Roriz, Tinto Cão, Alvarelhão, Gouveio e Malvasia são apenas algumas delas) e que resultam em 28 vinhos. Segundo afirma Olga, lidar com essa variedade é cada vez mais fácil, “à medida que o conhecimento das vinhas é maior”.

Olga Martins (CEO da empresa), António Barreto (sociólogo e presidente da Assembleia Geral da Lavradores de Feitoria) e Paulo Ruão (diretor de enologia). Foto: Gonçalo Villaverde

Olga Martins (CEO da empresa), António Barreto (sociólogo e presidente da Assembleia Geral da Lavradores de Feitoria) e Paulo Ruão (diretor de enologia). Foto: Gonçalo Villaverde

18 anos, 1 garrafa inédita

Como forma de comemorar a maioridade da empresa, a Lavradores de Feitoria lançou uma edição comemorativa (e limitada a 700 garrafas), a que chamou 18º Aniversário – Edição Tinto Cão 2016 e uma outra, Três Bagos Grande Escolha 2018, de estágio prolongado. A primeira é feita a partir de uvas da Quinta das Pias, localizada a 400 metros de altitude e faz o seu estágio em barricas de carvalho francês novas, ao longo de 18 meses.“Este é um vinho diferente, sui generis,  especial, porque é fruto da natureza. Só em determinadas condições climatéricas é que estas uvas de Tinto Cão atingem esta maturação, capaz de produzir um vinho como este”, comenta Paulo Ruão, diretor de Enologia da empresa duriense.

Já a segunda garrafa resulta da preservação em adega de alguns exemplares da colheita de 2008 do mesmo vinho, feito a partir de uma mistura de castas. O consequente envelhecimento faz com que este vinho tenha um potencial “enorme” em garrafa.

Num recente jantar de comemoração, no Clube dos Jornalistas, em Lisboa, foram dadas a conhecer a jornalistas e especialistas as duas novidades da marca. Pela mão do chefe Ivan Fernandes, os pratos de bacalhau lascado e seu creme, batata palha, azeitona preta e coentros, risoto de moqueca e camarão, wrap de pato e cogumelos, legumes assados e mostarda de alperce e bolo de chocolate, ganache, crumble de avelã e pimenta rosa harmonizaram com as novas garrafas da Lavradores de Feitoria e outras referências, que fazem parte do leque da empresa. A CEO do projeto garante não produzir um vinho a pensar numa futura harmonização mas sim o contrário  — “fazemo-lo com aquelas uvas e no fim, decidimos qual a ligação ‘certa’ para ele” — apesar de na opinião da responsável não haver ligações certas ou erradas. O lema é sempre fazer “mais e melhor”, desde do trato das vinhas ao embalamento das garrafas. “Pessoalmente, sempre disse que queria que a Lavradores de Feitoria conquistasse o seu lugar na história dos vinhos do Douro. Acho que já o conseguimos”, declara Olga Martins. Os próximos anos que se seguem vão continuar a ser trabalhosos mas o “mesmo empenho em fazer bem”, esse, vai manter-se.

A Lavradores de Feitoria lançou uma edição comemorativa (e limitada a 700 garrafas), a que chamou 18º Aniversário - Edição Tinto Cão 2016. Foto: Gonçalo Villaverde

A Lavradores de Feitoria lançou uma edição comemorativa (e limitada a 700 garrafas), a que chamou 18º Aniversário – Edição Tinto Cão 2016. Foto: Gonçalo Villaverde

Por |2018-11-21T18:53:15+00:0014:34, 20/11/2018|

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