Numa recente entrevista feita aos jovens bartenders António Oliveira e Wilson Pires, conseguimos perceber as diferenças de realidades entre Portugal e países como a Dinamarca e a Holanda. Ainda que não estejamos ao mesmo nível, é notável uma grande evolução de há cinco anos para cá. O mundo do bar está a crescer em Portugal e isso é evidente na panóplia de conceitos a abrir, sobretudo na capital.

Eventos com o Barman do Ano, a Lisbon Cocktail Week, o Lisbon Bar Show e o World Class ajudam a que esse movimento cresça e faça agora parte da vida dos portugueses. Paulo Gomes (Red Frog, Lisboa), Pedro Paulo (The Coburg Bar, Londres), Wilson Pires (Waldorf Astoria, Amesterdão), António Oliveira (Curfew Cocktail Bar, Copenhaga), Carlos Santiago (Barman do Ano 2015) e Miguel Gião (Colombus, Faro) falam sobre o que 2017 pode trazer ao mundo do bar.

Da moda do gin à consolidação do cocktail

Há cerca de dois anos ocorreu um fenómeno no bar que atraiu novos clientes: o gin. O cliché de pagar por um copo cheio fez sucesso por cá. E os portugueses gostaram. As marcas multiplicaram-se e os bares aproveitaram para promover iniciativas como ‘a hora do gin’. “É muito difícil haver um boom como este que teve a facilidade de estar no tempo certo, à hora certa. Mas entretanto as pessoas começaram a fartar-se. Quem bebia gin pela moda, vai passar para uma outra”, refere Paulo Gomes, bartender do Red Frog. Essas e outras bebidas espirituosas como a tequila, o rum ou o whiskey “não vão chegar ao patamar no gin”, garante o proprietário do bar lisboeta. De acordo com essa ideia está Pedro Paulo que, há cerca de cinco anos, deixou o Algarve para se mudar para Inglaterra. Atualmente é chefe de bar do The Coburg. “A moda do gin passou e ficou. Hoje qualquer bar que se preze tem 100 referências na carta. Mas já há demasiada oferta. Acredito que as próximas tendências dependem sempre do investimento que determinada marca queira dar”, refere.

A bebida que tem mais potencial em 2017 não é nova e pode tomar várias formas e feitios: é o cocktail.

A bebida que tem mais potencial em 2017 não é nova e pode tomar várias formas e feitios: é o cocktail. Paulo Gomes e Wilson Pires acreditam que ainda está a crescer em Portugal. “É uma bebida fácil de introduzir na rotina dos portugueses”, afirma Paulo Gomes. “O cocktail não está no ponto máximo, como na Holanda, por isso os barmen portugueses arriscam pouco. Quando essa cultura for maior, a exigência vai subir”, completa Wilson Pires. Dentro do assunto cocktail, a tendência apontada é que haja um aumento de oferta de bebidas com baixo teor alcoólico. “É uma realidade que está a crescer. Sobretudo entre as mulheres grávidas ou pessoas que vão conduzir”, relata António Oliveira, barman do Curfew Bar. Também ele arriscou uma aventura na Dinamarca, há dois anos. “Os cocktails sem álcool são sempre desafiantes para nós. Fazem com que pensemos em alternativas”, diz.

“Os cocktails sem álcool são sempre desafiantes para nós. Fazem com que pensemos em alternativas”, defende António Oliveira.

Paulo Gomes refere até que 15% do que vende no Red Frog são sugestões sem álcool. Outra preocupação dos clientes é a quantidade de açúcar de determinadas bebidas. Na mesma linha, António Oliveira sente que os clientes se preocupam cada vez mais “com a alimentação e com o que consomem fora de casa”. Nesse sentido, o jovem bracarense acredita que faz sentido, num futuro próximo, as cartas de bar incluírem mais informação acerca do cocktail, nomeadamente o seu valor nutricional. “Na última competição que participei, pediram-me para criar um cocktail onde tinha de especificar cada ingrediente, percentagem e informação calórica”, afirma.

No campo dos ingredientes, Carlos Santiago, vencedor da 2.ª edição do Barman do Ano, acredita que existe uma “maior preocupação em criar produtos caseiros” e por isso únicos e diferenciados como “bitters, xaropes ou vermutes”. Para o portuense, essa tendência vai “solidificar-se” ainda este ano. No mesmo sentido, Miguel Gião, proprietário do Columbus, em Faro, é da opinião que os bartenders portugueses vão reforçar o uso de “produtos regionais” nas suas criações, assim como, a utilização de vinhos fortificados como é exemplo o vermute. Talvez por isso Gião inaugurou recentemente O Aperitivo, um bar em plena baixa de Faro, que alinha o conceito de petiscos à bebida.

Bebida de 2017: O Cocktail

 

 

As 5 tendências de bar

  1. Cocktails com baixo teor alcoólico ou sem álcool
  2. Utilização de vegetais nas bebidas
  3. Introdução de produtos regionais
  4. Bebidas com baixo teor de açúcar
  5. Cartas de bar com informações sobre calorias, percentagem de açúcar e valor nutricional