Miguel Gião pode ser um nome desconhecido para alguns, mas na área do bar, assume a posição de empreendedor e dinamizador da capital algarvia. Com a descontração característica da sua região de berço, Miguel, assume-se como um “homem de família apaixonado pelo bar”. Foi no bar do progenitor, em Faro, que deu os primeiros passos na área, inicialmente com o objetivo de juntar algum dinheiro para “comprar uma mota”. Hoje, aos 32 anos, é proprietário do Columbus Bar e Aperitivo, ambos na capital algarvia.

Foi no bar do progenitor, em Faro, que deu os primeiros passos na área, inicialmente com o objetivo de juntar algum dinheiro para “comprar uma mota”

O trabalho transformou-se rapidamente em algo mais, e o jovem de 18 anos decidiu estudar na Escola de Hotelaria de Faro – onde hoje dá aulas. Após essa fase, inicia o processo de estágio e passa por quatro hotéis algarvios. “O primeiro foi muito duro. Emagreci e sofri. Mas depois pensei: o que poderá ser pior que isto? E continuei”, conta. Aos 23 anos, Miguel precisava de trabalhar e foi aí que surgiu a ideia de comprar um espaço e abrir um bar. Com a ajuda financeira do pai, surge o Columbus, num edifício com uma história de mais de 100 anos.

Columbus, mar à vista

Há nove anos, o Columbus, ainda no início, começou por ser mais um café do que um bar. O negócio corria bem mas Miguel não estava satisfeito com o sentido que levava e decidiu contactar um amigo bartender, colega seu da Escola de Hotelaria, para o ajudar a elaborar um menu de bar. A essa ajuda, somou o facto de ter aumentado o preço de certas bebidas que não queria vender, “como o café que custa 1.50€”, dá o exemplo – e baixar aquilo que realmente quer que os clientes consumam – os cocktails.  Esse amigo acabou por ficar mas, a seu tempo, aventurou-se num destino internacional.

Uma das suas estratégias passou por aumentar o preço de certas bebidas que não queria vender, “como o café que custa 1.50€”, e baixar aquilo que realmente queria que os clientes consumissem – os cocktails

Com o passar dos anos, Miguel foi formando e afinando a sua equipa que conta hoje com dez pessoas, nas quais se incluem quatro barmen. Para além do próprio que faz questão de estar atrás do balcão às sextas e sábados, junto dos colegas. “Os barmen do Columbus são tão bons ou melhores que eu. Quando fico lá muito tempo, eles começam a questionar-se porquê”, diz entre risos.

No Columbus, Miguel Gião pretende oferecer “o melhor aos clientes”, com bebidas confecionadas com “ingredientes regionais”. O algarvio acredita que o público está “mais informado e exigente”. E isso é bom. “Faz com que sejamos melhores”, refere.

No Columbus, Miguel Gião pretende oferecer “o melhor aos clientes”, com bebidas confecionadas com “ingredientes regionais”

O Columbus tem um pequeno espaço interior, mas conta com uma larga esplanada. Na carta consta uma oferta variada de bebidas espirituosas, vinhos, cervejas, e gin – um dos pontos fortes do bar, com 44 sugestões. Nos cocktails, dos clássicos aos de autor,  Marajoka (7.50€) – uns dos ex libris da casa -, Hygge (10,50€), Desire Lamp (11,50€) e Evil Inside Me (12€) são algumas das opções. “Às vezes acontece os clientes irem pedir os nossos cocktails a outros bares por acharem que as bebidas já existem”, confessa. No futuro próximo, Miguel pretende reformular a carta e acrescentar às bebidas que lá serve, as respetivas receitas, para que as pessoas possam “fazer tudo em casa”.

“Às vezes acontece os clientes irem pedir os nossos cocktails a outros bares por acharem que as bebidas já existem”, confessa

O empresário acredita ainda que a formação e motivação dos barmen são importantes, por isso, incentiva sempre à participação da sua equipa em concursos nacionais e internacionais. Um desses exemplos é João Rodrigues que acabou por chegar à final da competição World Class, no ano passado, e venceu no ultimo mês de janeiro, o prémio de ‘Mixologista do Ano’ pela revista Wine, da Essência do Vinho . “Muitos daqueles que por aqui já passaram, ao longo dos anos, estão a trabalhar fora, em bares internacionais”, revela orgulhoso.

O aperitivo e os novos projetos

Em junho de 2016, inaugurou um novo conceito na cidade, o Aperitivo – situado a poucos metros do Columbus. Esse espaço foi durante 19 anos o bar do pai, onde outrora começou a sua caminhada. Em modo de agradecimento por tudo o que o fez por ele, Miguel comprou o espaço e ofereceu-lhe a gerência. “Noto que ele tem outro entusiasmo pela profissão”, confessa.

O Aperitivo é um bar de vermutes caseiros – bebida alcoólica à base de vinho, com adição de flores ou ervas aromáticas – com buffet de tapas.

O Aperitivo é um bar de vermutes caseiros – bebida alcoólica à base de vinho, com adição de flores ou ervas aromáticas – com buffet de tapas. Mas também tem cocktails, cervejas artesanais, vinhos, entre outras bebidas. Foi pensado para as “pessoas que saem do trabalho terem um sítio onde possam beber um copo e lá ficar a jantar”. Até agora, o negócio está a “correr bem e as pessoas estão a gostar”, no entanto, o empresário acredita que só daqui a três anos é que a sua nova aposta “vai estar no ponto certo”. “A rua do Aperitivo é a segunda mais movimentada do Algarve. Faro cresceu em 2016 a nível de faturação e turismo. A meu ver, a cidade está em expansão assim como o mundo do bar em Portugal”, afirma.

A mente de Miguel Gião não pára. A curto prazo, o algarvio pretende continuar a investir na sua cidade – e abrir conceitos “inovadores” que, por agora, ainda estão nos segredo dos deuses. Um desses projetos foi inaugurado no início do verão de 2017, com o empresário como responsável pelo conceito de bar do rooftop do Hotel Eva, em Faro.

 

*artigo atualizado às 14:02 de 2 de agosto de 2017.