Há um provérbio judaico que diz: “Quando o vinho desce, solta-se a língua do homem”. Neste caso, solta-se a língua das três personagens que se juntam ao final do dia para um jantar que nunca mais chega. A peça chama-se ‘Reservado’ e está em cena no Salão Nobre do Teatro da Trindade, em Lisboa, até 25 de fevereiro.

Leonor Alcácer, encenadora e atriz deste espetáculo poético-teatral, sublinha: “Estas pessoas encontram-se pela poesia. Vão trazê-la das prateleiras e torná-la carne, torná-la vida e dar-lhe uma palpitação”. O texto foi criado a partir de poemas de Almada Negreiros, Cesário Verde, Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, José Régio, Luís Vaz de Camões, Mário Cesariny, Mendes de Carvalho, e Natércia Freire, entre outros.

Mas esta não é a primeira vez que a encenadora se lança nos caminhos da poesia. Já em 2007 tinha feito trabalhos inspirados em Fernando Pessoa a convite do Instituto Camões e, agora, quer levar a sua peça ainda mais longe: “Vamos começar uma digressão pelo país. E depois queremos ir para fora também. A língua portuguesa está em expansão e nós vamos com ela”, garante.

Já o vinho entra em cena porque, tal como a poesia, é intemporal e “sempre foi um facilitador, um agregador. Quando não é em excesso, o vinho dá prazer e reconforta”, garante.

 “Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos

Como um divino vinho de Falerno!

Poisando em ti o meu amor eterno

Como poisam as folhas sobre os lagos…”

Florbela Espanca, em ‘O Nosso Mundo’.

“A poesia é o olhar do poeta sobre a vida, sobre o que sente e sobre uma série de coisas. Mas os poetas são seres humanos. Com sentimentos e emoções. E se tivessem um corpo, para mim, imagino que sentiriam e reagiriam assim”, conta a atriz na estreia.

A direção de atores está a cargo de Cecília Sousa e a peça é interpretada por Helena Laureano, João Ferrador e Leonor Alcácer. Para ver de quarta a domingo às 19h. O bilhete custa 8€.

E já agora, o que os atores bebem em palco é apenas chá…