Há verdes tintos bem bons. Saiba quais

Está na hora! É tempo de afirmar algo que há alguns anos poucos teriam coragem ou que fariam apenas por princípio ou por amor: Há Vinhos Verdes tintos bem bons à venda no mercado.

O Verde tinto — vamos usar para já esta expressão popular — sempre foi um vinho difícil, muito pelo facto da sua matriz estar associada a uma casta muito popular na região: a Vinhão. Cheia de cor, estrutura e taninos, associada a maturações difíceis, ao tempo fresco da região e a uma cultura dos que defendiam o purismo do perfil “do produtor” (vá lá saber-se o que isso é), os Vinhos Verdes tintos e de Vinhão foram sendo lançados no mercado ao longo do tempo desequilibrados e instáveis. Um ou outro, frequentemente os dois. Encontrar um Vinhão bom e consistente ao longo dos anos não era tarefa fácil.

Agora que o Vinho Verde goza de mercado, tecnologia, ciência e artífices — enólogos que pensam noutros comprimentos de onda que não os clássicos da região —, está na altura de reabilitar e dedicar mais tempo às castas tintas da região, amadas pelos locais e proscritas pelos especialistas por esse mundo fora. Para estes últimos, ávidos de novidades, já não há desculpa para não descobrir e beber Vinho Verde tinto.

É preciso dar oportunidade aos Vinhos Verdes tintos. Por toda a região já há boas referências e a qualidade do Vinhão já não se circunscreve a umas ilhas perdidas como Vila Garcia ou Bairros, só para dar uns exemplos. Por outro lado, a ciência e a arte já entendem melhor a viticultura do Vinhão, o equilíbrio do lote com outras castas e a descoberta de variedades perdidas a que se atribuía até agora pouca importância. Tudo isto faz do tinto um vinho melhor do que era há umas décadas.

Agora que passou da adega para os pontos de venda, está na altura de saltar da prateleira para as nossas mesas.

Pardusco 2015 – É um vinho tinto leve feito a partir de várias castas, algumas até perdidas em plantações antigas, como Alvarelhão, Cainho, Borraçal e Pedral, para além da Vinhão. É elegante, frutado e com notas de especiarias, como noz moscada, o que lhe confere um perfil exótico, pouco comum aos tintos da região dos Vinhos Verdes.

Afros Vinhão 2015 – Parece a antítese do que estamos habituados num Vinhão, mas resulta numa experiência rara. Fruta vermelha e corpo num vinho delicado e com uma cor aberta. Persistente e longo no final, pode até abdicar de comida para ser bebido com prazer.

Madrinha 2017 – Um vinho poderoso, negro e intenso da zona de Basto, no interior montanhoso da região, produzido pela Adega dos Leões. É um Vinhão com personalidade, cheio de fruta vermelha, fruta preta e tanino, que nunca mais acaba. Tem um final longo, mas fresco.

Soalheiro Oppaco 2015 – Um Verde tinto fora da caixa, procurando uma harmonia entre o poder do vinhão, a delicadeza do Pinot Noir e a frescura do Alvarinho. Resulta num vinho leve, com muita fruta vermelha na boca e um final seco, a pedir mais um moderado copo.

AC Ponte do Lima Vinhão 2017 – Um desafio plenamente conseguido pela equipa de enologia da Adega Cooperativa que coloca no mercado um Vinhão equilibrado e intenso, a pedir comida. Tem tudo o que se pretende do vinhão e acresce persistência de fruta do bosque e notas balsâmicas.

Por |2018-07-31T17:20:47+00:0012:32, 16/07/2018|

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