Depois do choque inicial provocado pelos efeitos-relâmpago da pandemia no setor da restauração e bebidas, as reações começaram-se a fazer sentir com várias iniciativas por parte das empresas de restauração.

Segue-se um pequeno resumo de alguns bons exemplos de respostas à pandemia, que revelam sobretudo a criatividade e resiliência deste magnífico setor de atividade!

Um dos primeiros movimentos na resposta à pandemia foi a conversão dos restaurantes em mercearias, como é o caso da Panera Bread ou ainda do Norm’s com os seus Norm’s care packages que abrem a possibilidade de compra de ingredientes utilizados nas marcas, permitindo assim escoar stocks e gerar uma receita adicional. No caso do restaurante Português Pigmeu, os seus responsáveis foram mais longe permitindo a possibilidade de compra de uma variedade de produtos alimentares dos seus próprios fornecedores.

Alguns restaurantes optaram por desenvolver kits de refeição em que os clientes recebem os ingredientes para confecionar em casa, envolvendo-os no processo de criação das suas próprias refeições, com ofertas de refeições (Goji bowl meal kit da Seoul taco; torchy’s taco kit), bebidas – nektar juice bar smoothie kit e até kits de picnic – Indoor picnic kit da tender greens.

Outra tendência a marcar a resposta à pandemia é o DIY (Do It Yourself – Faça você mesmo), fornecendo aos clientes experiências não virtuais de contacto com as marcas, como é caso da empresa STK com o seu kit de refeição para duas ou quatro pessoas, ou os kits de pizza para fazer em casa da Stella barra, ou ainda os kits de decoração da duck donuts.

As crianças são um dos principais decisores no que diz respeito à escolha alimentar das famílias. A oferta de refeições para crianças assume uma importância ainda maior na pandemia, sendo possível observar movimentações muito interessantes por parte dos restaurantes, como por exemplo as propostas de menu infantil da Olive Garden ou as promoções da Firehouse subs que chegaram a oferecer um menu infantil na compra de um menu de adulto.

Os momentos de lazer também não foram esquecidos (indoor picnic kit da tender greens referido anteriormente) ou o Happy hour kit da Mexicue. Esta é claramente outra tendência muito interessante e relevante – A criação de ofertas para momentos mais festivos, de celebração e relaxamento, que permitem associar as marcas a momentos de prazer, reforçando assim também a relação das marcas com os seus clientes e levando, na medida do possível, algo da experiência do restaurante a casa das pessoas. ­

Ainda na vertente social e de lazer, a cadeia Chipotle promove encontros sociais no zoom, o Popeyes oferece a alguns dos seus clientes subscrições do serviço Netflix e a empresa Siena Tavern promove o pizza challenge kit em que o cliente é convidado a fazer em casa a sua própria pizza e a partilhar as suas criações com a comunidade em formato de concurso. Tudo excelentes exemplos que fomentam o envolvimento dos clientes com as marcas e contribuem para a sua presença nas redes sociais e notoriedade.

Dos Estados Unidos chega-nos ainda um exemplo marcante da cadeia Jack in the box com a sua iniciativa Virtual Prom compensando os estudantes pela perda de um momento tão icónico nas suas vidas – O baile de formatura. Outro exemplo claro de preocupação em associar a marca a momentos especiais.

No sentido de manter viva a relação com os seus clientes, alguns restaurantes optaram por ajudá-los nas suas tarefas culinárias diárias, partilhando receitas como as panera bread meal ideas com um leque variado de receitas que os clientes podem cozinhar em casa utilizando alguns dos ingredientes à venda nos restaurantes, ou as cowboy chicken throwback recipes, em que os clientes têm acesso às receitas do restaurante para cozinharem em casa ou ainda a partilha de vídeos de receitas pelos próprios chefes. No caso da empresa Juliet, foram criados conselhos para cozinhar durante a quarentena que, sendo gratuitos, encorajam as pessoas a doar dinheiro pelo acesso à informação. O restaurante Prairie Grass Café foi mais longe, tendo o seu chefe criado uma linha telefónica para responder a questões e dúvidas dos seus clientes apoiando-os na planificação e confeção das suas refeições caseiras.

Em alguns casos a resposta à pandemia foi mais longe do que adaptar menus ou criar produtos específicos para o momento. O restaurante Canlis, um dos melhores restaurantes de Seattle, encerrou as suas portas e converteu-se em três restaurantes pop-up: Um drive-through de hambúrgueres, uma loja de bagels e um serviço de entrega de refeições familiares, numa transformação radical do seu modelo de negócio e posicionamento no mercado que permitiu manter a totalidade dos postos de trabalho e gerar receitas suficientes para manter a empresa em funcionamento. No mesmo sentido, até o restaurante Alinea, detentor de 3 estrelas Michelin, desenvolveu um serviço específico para take-away.

Já a cadeia Dog Haus, desenvolveu um conjunto de produtos específicos para o segmento de entrega ao domicílio, indo ao encontro das características atuais da procura no decorrer da pandemia, como por exemplo hambúrgueres vegetais e wraps. De salientar que o alargamento da gama foi efetuado sem recurso a novas matérias-primas o que permitiu à empresa aumentar a sua oferta e a sua base de clientes sem complicar a operação dos restaurantes.

Outras formas de combater os efeitos da pandemia passam pela venda de merchandising e pela emissão de vouchers de refeição para utilização posterior. Alguns bons exemplos podem ser encontrados na Hungry Pigeon, Rose Foods, Fat rice ou na Bad Saint.

Esta pandemia já deixou claro que os consumidores estão com receio da interação social e, portanto, todas as ações que minimizem o contacto social entre os consumidores e os restaurantes são bem-vindas. Um dos melhores exemplos chega-nos do restaurante Creator, conhecido pela sua forma robotizada de produzir hambúrgueres que desenvolveu mais um forma para entregar os pedidos aos clientes no restaurante sem qualquer contacto humano.

No que diz respeito à entrega ao domicílio, a preocupação com saúde e o receio do contágio fez com que a empresa Jimmy John’s tenha disponibilizado aos seus clientes a opção de entrega sem contacto humano tendo a empresa de entrega ao domicílio Postmates adicionado à sua app uma opção semelhante. Já a cadeia Chipotle, passou a utilizar embalagens seladas para garantir aos seus clientes que os seus pedidos não foram alvo de manipulação durante o transporte. Os pagamentos sem dinheiro também estão a ser utilizados de forma generalizada para minimizar os riscos de contágio durante as transações comerciais. A KFC está a utilizar nos seus restaurantes nos Estados Unidos um suporte de pagamento extensível na operação de drive-thru e afirma que 60% das transações neste canal são sem contacto.

Numa dimensão mais comercial, a plataforma online de pedidos de comida ChowNow, disponibilizou gratuitamente uma funcionalidade que permite aos restaurantes aderentes adicionar um botão de pedido aos seus perfis de Instagram bem como stickers de pedido às suas histórias. Desta forma, os restaurantes poderão encorajar os seus clientes a realizar encomendas através do Instagram, sendo inclusive possível aos clientes a partilha dos stickers nas suas próprias histórias. De acordo com declarações do CEO da empresa ao site restaurantdive, esta funcionalidade permite aos restaurantes aderentes aumentar a receita e o volume de pedidos sem a necessidade de pagamento das elevadas comissões de outras aplicações online de pedidos.

Em Espanha, a plataforma especializada em pedidos de catering Fudeat lançou uma campanha destinada ao teletrabalho com ofertas para uma pessoa e custos de transporte reduzidos ou até eliminados oferecendo os seus produtos embalados e com uma validade de 10 dias. Em Portugal, a empresa de catering Silva Carvalho Catering disponibilizou na plataforma Uber Eats um conjunto de refeições refrigeradas para consumo em casa.

Estes são apenas alguns bons exemplos de como as empresas se adaptaram às consequências imediatas da pandemia num setor que foi dos mais afetados e que tenta sobreviver a todo o custo.

Parar não é opção e tudo aponta para que a retoma seja lenta e imprevisível, pelo que todas as iniciativas que gerem receitas, mas que também mantenham os restaurantes presentes na vida dos seus clientes são essências à sua sobrevivência.

Boas ideias!