Começar de novo. Até parece título de novela, mas não é. É a nossa vida a acontecer. Sim, porque estamos num novo ciclo. Todos pensávamos que tudo isto iria ser até à Páscoa e que bastava aguentar até meados de Abril. Um esforço de todos, sem reclamações, e vamos conseguir.  O que se esqueceram é que isto é uma prova de resistência, não é a corrida dos 100m. E por isso está a doer recomeçar e pensar no novo ciclo. Até porque vamos ter que permanecer em casa, os miúdos vão continuar a ter aulas à distância, os negócios vão permanecer na incerteza e os nossos planos até podem ser bons, mas são só mesmo isso, planos. Abril será o grande teste para as empresas, para tudo aquilo que lhes foi prometido. Adiantar, pagar, receber depois. Vamos ver se esta equação tem resultado positivo para as quem tem ordenados para pagar e tantas outras obrigações a cumprir.  E no entretanto, temos que ter energia para pensar como lidar com tudo isto. Acresce a tudo isto que, como demos uma resposta tão positiva, desconfio que agora todos vão exigir muito mais de nós. Se calhar tudo isto que estou a sentir é fruto de não querer deixar o conforto dos dias da Páscoa. Com ou sem distância, foi um momento de tréguas que nos trouxe alguma paz e alguma confiança pelo que conseguimos fazer e ultrapassar.

Mas, vamos lá pensar no amanhã. Temos que orientar os nossos esforços para o mercado interno. E aí, convenhamos, temos muito para explorar. Apesar da contenção que sabemos ser normal numa situação de incerteza, o consumo não parou e o público adaptou-se muito bem às novas modalidades de venda. O público português pode não comprar como antigamente, mas compra e gosta de comprar e de mostrar que está adaptado às novas tecnologias. E não podemos ficar a pensar que tudo vai acontecer só porque queremos, temos de ir atrás do que os clientes querem. Isso implica conhecer a realidade, os vários nichos, saber cativá-los para o consumo certo. E não é impor um modelo de consumo, mas perceber o que é que as pessoas querem consumir. Podemos liderar mudanças, mas temos que ter chão e não andar na estratosfera, mas no mundo real. Trabalhar em rede vai ser agora mais fundamental do que nunca. À semelhança dos grupos económicos que cruzam os vários mercados e os vários produtos que comercializam, temos que criar grupos informais que juntem empresas diferentes e possam chegar com o menor custo possível ao cliente. Uma espécie de esforço conjunto com distribuição de custos por todos e com vantagens enormes para os parceiros. Até aqui achávamos que podíamos fazer tudo sozinhos, bastava contratar uma boa agência de comunicação. Pois, agora acho que vai ser muito bom descobrir o quanto podemos ganhar conhecendo e atuando de forma conjunta sobre o público onde podemos ser bem-sucedidos. Redes que deem rede a quem as segura e a quem anda por cima delas. Isto é possível, não é utopia. Pelo menos para mim, não é.