Estava tudo a correr bem. Não estando a correr bem, estava num bom caminho. Há sempre coisas que não correm bem. Mas são superadas. Suplantadas. Depois, sem mais nem menos, isto. Isto que dura há muitos dias. Muitas horas. Muitos pensamentos. Esperamos um rumo. Não ser cobaias no retomar de algo que ninguém verdadeiramente acredita que será seguro porque isso não trará mais do que já temos. O tal medo. O medo não é, no ser humano, um mecanismo só inconsciente. É um inato processo de preservação. Como tal, percebemos que, nós que lidamos com a convivência de muitas pessoas, sabemos que esse medo a impedirá de estar à vontade numa primeira fase. E estava tudo a correr bem, olhando agora. Agora que nada acontece. Sabemos que o modelo terá que ser outro. Afinal, aquelas coisas da higiene e segurança serão agora as coisas determinantes para isso. Para essa segurança. E depois, será preciso fazer aquela análise de risco. Não havendo tratamento (que parece ser uma solução mais rápida) ou vacina (que claramente não chega a tempo de manter o negócio vivo) sabemos que seremos todos cobaias. E sabemos o que acontece às cobaias em alguns casos. Por isso, a decisão de retomar é tão importante como a de fechar. Se procurámos evitar o mal maior, agora procuraremos evitar o mal menor. Mas estamos sempre, entre a espada e o abismo. Não, não é a parede. É o abismo. Depois, penso que será preciso perceber em que estado está quem nos sempre forneceu. A capacidade do que fazemos, quando os nossos fornecedores são de pequena dimensão e de proximidade, depende muito dessa sua capacidade. E de como os poderemos ajudar a nos ajudarem, novamente. E o modelo. É preciso pensar o modelo do que faremos num futuro a diferentes passos. E diferentes etapas. Uma próxima, uma média e uma longa. A verdade é que o primeiro embate será de salas vazias. Ou meio cheias. Ou simplesmente, diferentes. Porque haverá, certamente, restrições e grandes. Grandes em dimensão mais do que intensidade. Essa será a travessia mais difícil de fazer. Porque não vamos recuperar financeiramente numa primeira fase. Estaremos simplesmente a retomar o trabalho. Depois, o médio prazo. Aquela incerteza de se vem uma nova paragem ou vaga, se estaremos a trabalhar para o futuro longo ou não. Daí a necessidade de uma dupla vertente. Esta da encomenda do cliente e a outra, do presencial. Uma poderá continuar, como já temos experiência, mesmo que a outra pare. E depois o longo futuro que nos espera. De um turismo interno em vez do que tínhamos, de uma oferta diferente porque cada pessoa procurará algo diferente e porque será preciso criar raízes novamente. É todo um mundo que se redesenha à nossa frente. Nós, que, afinal disto não percebemos nada e somos só cozinheiros…