Lembra-se de ser livre? É simples. É só recordar o primeiro dia. O dia em que abriu as portas do restaurante. Das coisas previstas que não aconteceram. De todas as coisas imprevistas que não previu. Das primeiras pessoas que entraram. Dos erros mais básicos e das coisas planeadas que não tiveram utilidade. Da democracia na porta aberta para qualquer um entrar. Nas conversas e nos mundos que se mudam em opiniões que se ouviam com a certeza do caminho que se queria fazer e nada mais. Era isso ser livre. Ainda o é. Só isso permitirá ter forças para refazer tudo pois voltaremos ao lugar onde tudo começa. Porque a realidade é outra e este é, outra vez, um tempo novo. Hoje, ainda cercados de um tempo de isolamento, estamos livres. Livres de pensar. De dizer. De escrever. Mas mais importante, livres para sonhar e acreditar. Mesmo que nos pareça impossível. Não é. É só recordar aquele medo inicial quando tudo começou. O primeiro prato que saiu. A primeira crítica. A primeira coisa que correu mal, o primeiro elogio. É nesses pequenos pedaços que liberdade que reside a força que urge resgatar. Um cerrar dos punhos e uma força que não sabemos que é essa. Hoje, por ser hoje, não me apetece pensar nem escrever mais nada: viva a liberdade.