Lentamente vamos acordando. Primeiro falam de um selo e de um manual. De medir temperaturas. De máscaras e de desinfecções. Deixamos de falar de cozinha para falar de sobrevivência. Vamos por partes. Selos. Garantias. Certificações e coisas que tais. Nós que vivemos cercados de HACCP sabemos a importância de muitas destas coisas antes do cliente e mesmo que ele não veja. Quando são verdadeiramente invisíveis mas são rigorosamente cumpridas é perfeito. Construir um selo de dentro para fora é bom para a confiança do cliente mas nada traz de forte para o restaurador. Todos nós pensamos primeiro na saúde da equipa e na certeza da emergência da saúde do cliente. Formação, apoio, consultoria pelas entidades competentes, sem os custos das empresas privadas, sem on-line nem coisas que tais era o necessário. Alguém que, no terreno, fosse ajudar a implementar sistemas e modelos de protecção. O selo, assim faria sentido. O mesmo com medições de temperatura e afins. Sabemos todos, e se não soubermos estamos a leste do paraíso, que a reabrir vamos colocar todos em risco. Esta é premissa de base e que é urgente enfrentar. Será preciso regular comportamentos. Antecipar e planear movimentações e comportamentos. Será necessário redesenhar espaços. O problema é que isso não pode ferir a liberdade e os direitos dos outros mas acima de tudo não pode ser intrusivo ou desconfortável. Sabemos que quem visita um restaurante quer estar bem e estar bem implica esse conforto discreto e não atacante do tempo, espaço e modo de vida. Depois, não criar segurança falsa. O “safe”, seguro é um erro. Não há, e não pode haver no pensamento de nenhum dos elementos da equipa do restaurante, nem nos clientes, a sensação falsa que a segurança não depende do seu comportamento. Esse é um erro fatal. A segurança começa no comportamento e isso terá que ser determinante para o sucesso de reabertura de manutenção em funcionamento da cadeia de valor que se reactiva. Não é a criticar que o meu pensamento leva. É a um realismo assente na experiência. Por isso, selos, sim mas que não transmitam garantias porque isso faz baixar a guarda e coloca no espaço e na sua gestão o peso da responsabilidade. Selos que sejam alertas para procedimentos, comportamentos e atitudes que pensem no bem de todos em cada momento e que venham acompanhados com um verdadeiro apoio no terreno à tomada de decisão e organização para a segurança. E depois, que todos os procedimentos de controlo e segurança sejam tão eficientes como discretos, para que o bem-estar e conforto não sejam roubados numa área de negócio que disso mesmo vive. São só ideias. As minhas. Mais nada.