Os dias correm. Já são muitos. Por isso, as decisões a tomar são sempre ponderadas. Nem a certeza de muitos que se dizem já preparados para tudo e mais alguma coisa. Nem a incerteza de esperar para a ajuda que não vai chegar porque, de verdade, o sistema não se importa com as realidades microscópicas que somos. Para decidir é preciso duas coisas. Pensar cenários e planear. Vou pensar os cenários. São quatro. Os que consigo ver neste momento. Primeiro: não ter condições para uma reabertura porque o espaço não o permite, porque as reservas (de valores e de forças) não o permitem, porque o espaço e a natural limitação de utilização não o permitem. É o cenário da desistência e claro que tem que estar presente. Não é um crime não o colocar na mesa. É simplesmente uma evidência e terá como consequência o fim do projecto, a venda ou tudo o que isso implica, para liquidar o que falta e ao mesmo tempo, liquidar o sonho. Mas permite começar outra coisa de novo, uma mudança de vida ou de desafio. Segundo: uma reabertura condicionada a limitação de lugares, preparação de segurança possível levada ao máximo, com uma natural redução de rentabilidade mas com alternativas de funcionamento, seja o takeaway, seja o que for para permitir colmatar as faltas mas com a esperança que o número médio de clientes estabilize a curto e médio prazo e isso traga estabilidade. É o melhor cenário pois só assim se pode resistir e acreditar que é só uma etapa de ajuste para uma fase de retoma. Terceiro: uma limitação de lugares, com as tais normas de segurança e higiene, uma reprogramação e redesenho a oferta com redução de custos e de ganhos, para algo mais ligeiro e adaptado à perda de poder de compra e óbvia redução do número de clientes que não regressam ao espaço em tempo útil de permitir uma gestão de perdas eficiente e manutenção do espaço em funcionamento em modelo mínimo para evitar riscos de acumulação excessiva de incapacidade de cumprimento mas mantendo o funcionamento na espera da retoma. Quarto: reabertura com preparação e adaptação e a médio prazo alguma recuperação de clientes e valores mas com os olhos postos no degradar do cenário de saúde pública e nova quebra generalizada de consumo e eventual novo encerramento. Para isto será preciso acumular recursos mas sem saber se os números o vão permitir mesmo sabendo que já há risco acumulado para regularizar. É verdade que em cada cenário macro em quem penso há demasiadas micro questões. Essas são as incógnitas se pensar bem. As que são impossíveis de prever. Mas as decisões tomam-se sempre com uma base concreta de incerteza. É por isso que, antes de todas as decisões, nós, na restauração, precisamos principalmente de informação. Útil, sem componente política e clara. O optimismo ou não, resulta dessa necessidade urgente.