Volto a pensar na questão prática. Reabrir ou não. Da decisão às razões. Das razões às necessidades. O que vamos precisar. Primeiro, forças. Muitas. E resiliência. Muita. E paciência. Muita. Não se compra, não se encontra em lado nenhum que não seja em nós. Mas é uma necessidade. A mais importante de todas. A reunião destas vontades e capacidades de resistência num tempo em que as coisas que vão correr tendem a ser brutais. Depois, uma necessidade urgente de ponderação. Sabemos que a limitação de lugares imposta pode tornar inviável a manutenção do espaço em moldes regulares. Falta saber tudo o resto. O resto, muito parecido com o aparecimento e aplicação do HACCP serão rotinas a aprender. Mas há uma necessidade concreta de as aprender e de as transformar em gestos e processos repetidamente seguros. É por isso que há uma necessidade maior de ponderação. Entre o que será uma rotina de segurança e aquilo que pode tornar-se desagradável para o cliente. É neste balanço que é importante o equilíbrio ponderado. Por isso, olhemos para o design de interacção, procuremos exemplos, conversemos com outros, numa procura constante para uma solução que permita um regular funcionamento seguro de bem-estar. Há uma necessidade também de razão. Haverá uma procura imensa de tentar “impingir” soluções comercialmente para o mercado da restauração. Aqui, procuraremos perceber o essencial. O verdadeiramente válido. O que permite a razão de sustentabilidade. Muito mais do que o ter só para mostrar ao cliente. O cliente saberá e sentir-se-á seguro por observar rotinas, processos e momentos mais do que equipamentos e tudo o resto que pode descaracterizar o espaço de restauração. A segurança andará a par com o bem-estar e o bem-servir num contexto atípico. Por fim, a necessidade mais importante. A de assegurar o fim do medo. Para a equipa, para nós, para quem nos visita. Isto faz-se com a certeza dos gestos, a confiança da segurança que se oferece e a regulação dos procedimentos. É a mesma confiança que oferecemos quando colocamos um prato à frente do cliente e este o prova sem deixar de acreditar que tomámos todos os cuidados para que nada do que está a ser servido lhe poderá fazer mal. Alargar isso a toda a experiência de ir a um restaurante torna-se agora o desafio. Tudo tem que, necessariamente, mostrar essa segurança a quem visita um restaurante sem o fazer de forma ostensiva. Mais do que uma necessidade esse será o grande desafio…
