O país mantém-se a custo. Unidos na certeza de querer vencer a insegurança que o vírus Covid-19 nos trouxe, assistimos a movimentos desenfreados. Não se discute. Atira-se, dispara-se. É preciso agir no meio da tempestade, mas sem matar quem ousa pensar de forma diferente. Volto a dizer: o país mantém-se a custo. Cada um procurando concluir o que é necessário concluir de acordo com o todo que tem à sua volta. Cada um tentando fazer o seu melhor.

Não coerente será falar como se tivéssemos certezas. As certezas são construídas dia-a-dia com o que vamos conhecendo. Portugal está a reagir, os portugueses estão a reagir. É preciso perceber o que se passa para além das redes sociais. Não podemos deixar que o medo nos imponha atitudes, nos ponha palavras na boca. Não podemos reagir como se esta pandemia fosse uma tendência de moda. Não podemos deixar que sirva os egos de alguns.

O nosso inimigo é o vírus, não as pessoas, não as instituições. Estas terão que ser parceiras de qualquer decisão que se tome. Falar com todos é importante. Discutir soluções. Não gritar. Não precisamos gritar para que nos ouçam. As decisões não podem ser tomadas só porque pessoas, pseudo-grupos profissionais ou supostos lideres de opinião querem. As instituições ligadas à saúde e ao controlo de epidemias existem. Porque não ouvi-las? As instituições económicas existem e têm à sua frente especialistas, porque não ouvi-los?

Queremos conter a pandemia. Mas se descredibilizarmos as instituições vamos ficar reféns de quem fala mais alto, provoca mais, de quem grita o que a multidão quer ouvir. E no final vamos ter a solução exigida e necessária? Ou vamos dar resposta que serve a exigência de quem fala sem saber tudo? A Revolução Francesa parecia ser a solução para a opressão e fome de muitos, mas no final foi uma boa maneira de fazer rolar cabeças onde a denúncia serviu interesses individuais.

Pensar é preciso. Não diabolizando. Não substituindo os santos que preenchem os altares por outros que se olham como visionários e convictos das suas certezas. As instituições existem. A capacidade de resposta de cada um deve ser à medida do que cada um pode dar. Sejamos humanos na imperfeição que tal contempla e com a sempre eterna esperança na humanidade.