Hoje dei comigo a sorrir. Nem eu reparei que estava a sorrir. Só depois de sorrir reparei que o tinha feito. E quando percebi o porquê ainda me ri mais. Pensava na maravilhosa frase que, no filme “E Tudo o Vento Levou”, Scarlett O’Hara diz no meio de todo o tumulto que estava a sua vida: “tomorow is another day”. Confesso que, várias são as vezes, que quando me vejo atropelada pelos acontecimentos e quero resolver tudo ao mesmo tempo sem conseguir, faço ressoar essa frase e penso como, inevitavelmente, no dia seguinte o sol vai nascer outra vez cumprindo o inexorável destino do tempo. Tal pensamento parece conselho sábio que ajuda a traçar escolhas ponderadas. Hoje lembrei-me que agora ainda mais. Afinal, o cenário muda todos os dias. Vertigem que pode derivar em tranquilidade. Pode parecer que estamos sempre atrasados na decisão. Pode parecer que já toda a gente viu a verdade menos nós. Pois não sei. Não sei se a esgotante procura da verdade nos deixa mais lúcidos ou mais loucos. E também não sei se temos de decidir e contra-decidir ou se devemos esperar. Para quem sabe que tem a urgência da decisão pode ser útil respirar. Sei que sim, que pensava eu quando isto começou que tudo parecia uma fábula pelo descanso ilusório dos imensos cancelamentos na agenda. Que alívio, pensava eu. Logo, logo fiz planos há muito prometidos a mim mesma e aos amigos, projetos que iriam ser concluídos. Errada. Tão errada. A pausa foi só um engano. o tempo não sobra, ainda que pareça que sim. E, entretanto, no rol das decisões do certo ao errado parece ir um caminho curto, demasiado curto para se decidir à pressa. E hoje a decisão tomada é correta, na semana seguinte a que lhe era oposta pode ser a necessária. Vaivém de realidades, de fatos, de decisões. No meio de tudo até acho que a nossa sorte é lembrar as palavras de Scarlett: amanhã, teremos um novo dia.