Resistir. Sempre. Neste diário cada vez mais são as frases curtas que fazem sentido. A urgência do tempo e a velocidade das imagens não dão margem para grandes testamentos. Como as notícias. Cada vez mais, relâmpagos, ultrapassados por outros logo a seguir. Dos factos frios saltamos numa sobrevivência feliz para os bons exemplos que percebemos acontecer todos os dias. A solidariedade inspira-nos. Mas é importante que no ato de resistir não se perca a noção da realidade. Aquela que vamos ter que enfrentar. Talvez seja importante olhar que para além daqueles que estão em teletrabalho e sabem da garantia de um ordenado ao final do mês, outros estão verdadeiramente assustados pela forma como se vai solucionar um problema simples que não precisa de grande equação: porta fechada, zero receitas, desequilíbrio financeiro ao final do mês. A solução é tudo menos simples, sobretudo porque se insiste em colocar todo o peso (como sempre) em cima do proprietário ou empregador. Não podemos ficar a dizer que vai correr tudo bem quando o sorriso é amarelo e o que se recebe é um presente envenenado. Se o discurso é positivo, já quando procuramos enquadrar as nossas necessidades nas medidas publicadas percebemos o desnorte e como é o empregador que tem de assumir o embate adiantando recursos, algumas vezes aqueles que não tem. Nem falo das linhas de crédito. Ora, convém ter presente que foram também estes homens e mulheres que seguraram Portugal na enorme crise recente. É preciso lembrar que o peso dos impostos desgastou de tal forma os negócios impedindo o aforro e a salvaguarda para dias piores. Há que lembrar que os empresários vivem os seus negócios sem rede. E no resto, muitos deles encontram a feroz concorrência. Sinceramente, julgava que na base da economia estavam as pessoas. Isso foi o que eu aprendi na faculdade. Acredito na recuperação, na explosão do consumo que vai acontecer, tenho a certeza. As pessoas precisam disso e vão provocar essa recuperação. Mas precisamos provocar uma inflexão na forma como está a ser pensado o apoio às empresas. Bora, bora lá que #resistir também se faz de reagir e esta não é uma espécie de pausa na vida. É a vida a acontecer e a gritar para a ouvirmos.