Queria não me sentir um ponto tão pequeninho. No desafio, na (in)certeza, na procura. Queria ser maior para ser útil. Do salto do mundo para o nosso país, encontrar soluções. Por isso, cultivo o poder dos movimentos sociais. Confio na palavra que se passa ao outro, a urgência da ação. Acredito na capacidade de cada um em fazer mais pelos que nos rodeiam e na força que o voluntariado social nos dá. Talvez por isso, para além dos números e dos cenários que teremos que enfrentar, quero pensar em como tudo isto está a mostrar a força de todos e de cada um de nós. Este #resistir é disso prova. Andávamos demasiado distraídos, enxotávamos as questões políticas e sociais como se fossem um feudo dos que nos governam. Demasiados divididos contávamos as conquistas individuais sem pensar na soma necessária do coletivo. A verdade é que a situação atual veio mostrar as suas fragilidades. Percebemos que as tais questões económicas, políticas, sociais ou ambientais são da nossa conta, sim. Temos uma palavra a dizer. Até porque são as pessoas que fazem o país. São elas que pagam impostos, que ajudaram o país a sair da crise com o seu esforço, são elas que vivem e precisam de cuidados de saúde, de educação, de mobilidade, de justiça social. Uma sociedade que se mede pelo sucesso individual mais tarde ou mais cedo sente as consequências da fragmentação social. Por isso, importa que nos serviços ligados ao turismo onde se incluem os restaurantes, pastelarias e outros ligados à alimentação se sinta o reforço de uma voz comum para além das vozes que soam. Importa, ainda, que quando passar este momento de aflição não se parem os movimentos a favor da produção nacional, dos mercados locais, do turismo nacional. Aproveitar tudo isto para se reforçarem as redes de produção e de comercialização vai fazer-nos mais fortes. As redes dão-nos rede, suporte, amparo. Mas para isso é fundamental o ativismo pelo consenso, pela sensatez, sem cargas ideológicas por detrás.

Às vezes sinto-me um ponto muito pequeninho. Mas logo a seguir desvio o olhar para o horizonte e canto: “se perguntarem por mim, diz-lhes que eu tenho estado, à frente do meu tempo e atrás da felicidade”. Ainda que o tempo corra como se não houvesse amanhã, não daremos tréguas na procura da felicidade.

Estamos juntos.