Há um segredo. Na cozinha. Nos cozinheiros. Somos feitos de memória e imaginação. A memória faz-nos seguros. Chama-se experiência, quando a colocamos em prática. Mas chama-se legado quando falamos de quem nos transmitiu ou ensinou o que sabemos. Das mais antigas receitas ao pequeno detalhe que colocamos na confecção de um prato. Há coisas que descobrimos por nós e com orgulho ensinamos. A memória faz do cozinheiro um profissional capaz de enfrentar o esquecimento. Neste tempo, isso é fundamental. Não esquecer. Como se faz, como se fazia. A certeza das coisas que não passam apesar deste tempo assim. Tão estranho como único. E a imaginação. Temos todos os dias que criar. Recriar. Refazer. Imaginar novos pratos, sabores em combinação. Ter a capacidade de com aquilo que sabemos criar algo novo. Acabamos, muitas vezes, por nos reinventar também. A cozinha, nas últimas décadas tem vivido disso. Desse lugar de imaginação levando tantas vezes ao mais inimaginável lugar de experimentação. Sabemos que somos capazes disso, em constante permanência. Somos exímios em superar desafios. E hoje, mais do que nunca, isso fará a diferença. Há uns anos, um político dizia: deixe-me trabalhar. Hoje, penso que essa frase, política à parte, define o que todos pensamos. #resistiremos. Só precisos dessas duas coisas que são o nosso sangue, a memória e a imaginação. Para nos reinventarmos mais uma vez, por muito que tudo doa neste momento, por muito que nos pareça impossível, por muito que isto ainda vá durar. Quem trabalha connosco merece esse respeito. Essa luta, essa última forma de resistência. Essa revolução das coisas para não termos de parar de ser o que somos, de fazer o que só nós sabemos fazer. Preservar a memória. Inventar o futuro.