Quero pensar o futuro. O que acho? O que preparo. O que penso? Que este é o tempo para descobrir caminhos. Que sabemos que não podemos ficar na mesma, nem ficaremos. Mas nos restaurantes, o que mudará? Uma certeza tenho. Chama-se celebração da vida. A nossa geração ficará marcada por essa necessidade emergente de celebrar. Sempre que possível, que agora será prioritário. Porque sabemos o que é não celebrar. E sabemos o que é estar ausentes dos lugares que o fazem. Creio que o futuro passa pela alegria. É absurdo pensar nisto agora. É mesmo. Absurdo. Mas devia ser assim. Pensar que alegria e a celebração terão que ser o fundamento da restauração no futuro. A partilha de momentos em conjunto. Esses que agora mesmo nos faltam. Essa essência passa não pela memória mas pela alegria. Porque não uso a palavra felicidade? Porque não é mesmo isso. A alegria é o momento em que a mesa se enche de sabores. E as pessoas, de conversas, risos e histórias. Em que cada um vê o outro perto. Sabe das angústias e das conquistas. Celebram o tempo presente à mesa. Para isto é preciso tirar da equação os egos dos chefes, as experiências, as viagens e mais não sei o quê de artefactos que não apoiam essa alegria comum. É só servir bem e potenciar esse encontro. Estaremos sedentos de encontros. São preciso lugares onde os realizar em segurança e conforto, com a bem-aventurada gastronomia portuguesa que potencia essa partilha como nenhuma outra. Então, o que fazer neste tempo. Como pensar o futuro. Ficar como antes, será um erro. Apostar em dedicação. Em exclusividade. Em saber acolher e partilhar. A cozinha portuguesa sempre foi feita para ser partilhada. E nessa coisa, nessa última coisa sempre presente na forma de organizar e trabalhar. Levar a alegria à mesa. O futuro exige isso. Cada um de nós vai cada vez mais valorizar e procurar isso. É essa a realidade que é preciso preparar. É essa a realidade que tenho na ideia para o futuro. Porque, no final, resistir é mesmo motivo de alegria…