Leio. Reinventar. Os dias passam, já são mais de vinte e muitos mais vão ter lugar antes de nos ser possível mover. Há um poema que tem como mote o leve mover de mãos. É isso, o possível, agora. Há uma espera maior do que a possibilidade. É preciso, ajudar e resistir. Nesta fase. Releio. Reinventar. Penso para mim. Não, não é preciso reinventar nada. Nem isso tem uma utilidade neste momento para os restaurantes. Reinventar foi o que se fez até aqui. Com modas, tendências, interpretações e mais mil nomes para coisas que não passavam de forma de vender algo a alguém. Com a pompa do nome, a autoria, as coisas que os comensais não saberiam perceber. Isso foi inventar, antes de tudo mais. Como se isso fosse uma ciência oculta que era preciso ser imensamente inteligente para compreender. Não é reinventar. Não é isso que é preciso. Ajudar e resistir. Nesta fase. E ajudar sem mostrar, sem o marketing a funcionar. Porque a ajuda é um lugar de sofrimento mesmo que se torne tudo cor-de-rosa. Quem ajuda, faz tudo isso por querer. Quem recebe, porque precisa. Potenciar a ajuda é outra coisa. Isso sim, é preciso. Criar cadeias de comunicação, pedir matérias-primas. Mãos. E resistir. Ao medo, ao passar do tempo, à espera, à vontade de desistir. Resistir. Isso sim é preciso. Depois, vem o chavão do reinventar. Talvez não seja isso o preciso. Preciso é reflectir. Usar este tempo que nos é dado para pensar. Como encontrar formas de suportar o lento retomar dos hábitos. Restaurar. Afinal, somos restauradores. Restaurar sim, é preciso. A esperança, a alegria, a vontade de ir a um restaurante. Não é reinventar. É restaurar. A vida, as horas em partilha, o movimento, o encontro. Nós, nos restaurantes vivemos disso. O negócio, a negação do ócio, sempre foi a nossa essência. Vivemos do que produzimos e servimos. Mas agora temos que ir mais longe. Ser agentes dessa restauração social do não ter medo. Do procurar a vida e a celebração. De fazer mover o mundo como se fossemos o coração da coisa. Os motivadores. A razão que faz colocar a vida num lugar seguro e restaurado de futuro e de vontade de viver. Enquanto andarmos perdidos a procurar a reinvenção não vemos que só precisamos de uma força ainda maior. Sermos nós, agentes da restauração da vida. Só assim, em partilha, conseguiremos superar isto. É o que dá ter tempo para pensar…